Prevenção rodoviária, funciona em Portugal?

Prevenção Rodoviária

Tente ser diferente para se tornar igual. Este poderia ser o mote de uma qualquer campanha publicitária de prevenção rodoviária. Campanha que tivesse um real intuito de sensibilizar mentalidades egoístas e egocêntricas, levando-as a alterarem atitudes e comportamentos capazes de beneficiar os seus iguais.

Pouco se fala em prevenção e segurança rodoviária em Portugal, excepto a espaços, nas ocasiões festivas. Na verdade pouco se faz, efetivamente, para diminuir a sinistralidade e as suas consequências sociais e económicas. Portugal não tem uma estratégia definida, ou pelo menos bem definida, com objetivos exequíveis traçados, e uma planificação de ações, capazes de alcançar resultados positivos.

Os problemas identificados

Pode este artigo ser comentado como “tinta já escrita”. No entanto, é “tinta já escrita” mas que ou não foi lida ou devidamente interpretada, uma vez que se continuam a registar anualmente milhares de acidentes com centenas de mortes nas estradas portuguesas.

As principais causas da sinistralidade estão bem identificadas; Álcool, e velocidade são as principais ou, se preferirmos, as que encabeçam uma lista que conta com a presença de uso do telemóvel, sonolência, manobras mal executadas, etc… No entanto não existem respostas concretas e objetivos para degolar o problema.

A apresentação de soluções

Acidentes, infelizmente, vão sempre acontecer. Por mais perfeito que seja o sistema preventivo, existirá sempre algo ou alguém que o corrompa ou não respeite. Mas a possibilidade de tal acontecer aumenta exponencialmente quando interesses instalados são mais importantes do que a real intervenção.

Ou seja, gastam-se milhares de milhões de euros com instituições que não apresentam nada de concreto que vise o combate às causas identificadas como principais no fenómeno da sinistralidade rodoviária e todas as suas consequências.

As campanhas preventivas

Ao longo dos anos temos assistido ao surgimento, a espaços largos, de campanhas que supostamente seriam de prevenção, mas que não atingem, uma vez que continuam a existir bastantes acidentes com muitas vitimas e consequências dramáticas.

Algumas dessas campanhas foram realmente incisivas, principalmente ao nível Info-juvenil. No entanto como não houve uma continuidade válida, dissipou-se no tempo a sua positividade. Há necessidade de surgirem nos canais de comunicação mensagens mais fortes, mais agressiva, que não furem apenas o gelo egoísta de cada um de nós, mas que se tattoo na nossa  memória.

Eu, igual a ti serei

Seja diferente para ser igual. Palavras, leva-as o vento. De nada adianta dizer-se que se devia fazer ou que vai acontecer. Terão sempre de existir atos para realmente se constatar que algo se está a produzir.  Se a segurança também passa pela comodidade e igualdade, sente-se vossa excelência, que está a ler este texto, numa cadeira de rodas e vá tentar circular num autocarro da sua cidade, concelho, distrito  e país.

Tente circular no primeiro Taxi que encontrar. É que mais do que palavras de preocupação e promessas, à que apostar em situações concretas que realmente alterem a comodidade e segurança das pessoas, previna o sinistro e sensibilize de facto.

Faça-se um real investimento em ideias válidas, com objetivos exequíveis. Trabalhe-se a legislação em busca de princípios, como a educação e o respeito e não em prol de interesses econômicos.  Haja a coragem de baixar a TAE – Taxa Álcool no Sangue para os 0,19 g/l com sanção acessória de “trabalho comunitário”,  ou penalizar o excesso de velocidade no mesmo sistema suíço. Mas principalmente, haja discernimento por parte de quem manda, para educar.

Foto¦ BlogTO

  • Pedro Montenegro

    Ao contrário do que é afirmado no texto, as causas da sinistralidade não estão bem identificadas, pois a importância de cada uma é desprezada por uma panóplia de palavras. Quando as apresentamos, devemos estruturá-las e dividi-las em causas principais, em que a cada uma está associada a diversos fatores potenciadores das mesmas. Só assim podemos ser eficazes no seu combate, assim como perceber os procedimentos fundamentais de condução que evitam mais de 90% de todos os sinistros rodoviários. Em Portugal tem-se desprezado muito a evolução do procedimento técnico de condução, parecendo que ele não tem evoluído. Já ministrei formação teórica e dinâmica a inúmeros examinadores do IMTT e ex DGV, e o nível de conhecimento de técnicas de condução é baixo. Por isso a formação de condução tem que evoluir e as entidades competentes devem ter pessoas que percebam que nunca teremos uma segurança de condução razoável se os mesmos procedimentos não forem devidamente analisados.

    • Bom dia senhor Pedro.
      Parece-me que as causas estão identificadas, no entanto e bem como diz, são mal justificadas com uma panóplia de palavras que em nada justificam a causa e a consequência.

  • Anjo

    Belo artigo meu amigo, as tuas palavras aplicam-se também aqui no meu pais Angola, onde os números em termo de sinistralidade rodoviária são tão assustadores…