Sistema nacional de controlo de velocidade arranca em 2015

radar
O sistema nacional de controlo de velocidade, conhecido pelo acrónimo SINCRO, está a ser preparado para entrar em funcionamento em 2015, o seu raio de ação prevê abarcar todas as autoestradas do país.

Em 2013 o Conselho de Ministros aprovou a compra de 30 novos radares de trânsito, que serão instalados em diversos centros urbanos, naturalmente, para controlar a velocidade a que circulam os veículos e evitar despistes, embates e atropelamentos, esta última é a maior causa de morte nas estradas portuguesas.

Especificações e custos

Em 2010, aquando da aprovação do projeto inicial, o governo de então indicava que os radares integrariam o SINCRO “para os anos de 2014 a 2017, destinado a impor o cumprimento dos limites de velocidade através da fiscalização, sinalizada, contínua e automática da velocidade dos veículos”, entretanto a data de arranque do projeto, aparentemente, foi adiada para 2015.

Talvez um dos motivos para esse adiamento tenha a ver com a conjunção entre o elevado custo que os radares representam no projeto e o colapso das finanças do país que ocorreu em 2011, a aquisição efetuada em 2013 custou 4 milhões de euros, este valor é relativo somente aos 30 radares para os centros urbanos.

A entrada em funcionamento está programada para acontecer em 2015 e a instalação dos dispositivos de deteção de velocidade vai seguir uma lógica de utilização em rotatividade, ou seja, os aparelhos estarão preparados para podem ser transferidos para outro ponto da rede a qualquer momento.

A entidade que ficará com a responsabilidade deste sistema será a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) através do Decreto-lei 77/2007, de 27 de Março, que é referente à orgânica da própria ANSR, enquadrado no Regulamento do Controlo Metrológico dos Cinemómetros, constante do Regulamento de Sinalização de Trânsito, do Código da Estrada. Pode consultar aqui.

No lado da ANSR exigirá a criação de um serviço, que no projeto está denominado como de exploração, com a capacidade de utilizar a respetiva tecnologia e os respetivos meios técnicos, desde a conceção até à produção de um serviço que suporte e assegure o funcionamento do SINCRO, permanentemente, de forma eficaz e eficiente.

Objetivos do sistema nacional de controlo de velocidade

O principal objetivo do SINCRO é fazer com que Portugal saia da cauda da União Europa, no que diz respeito a segurança rodoviária, baixando a sinistralidade rodoviária de forma significativa e sustentada, tendo como objetivo colocar-nos no Top 10.

No documento oficial de apresentação da estratégia de implantação e operação do SINCRO, cujo link está acima, este sistema corresponde ao sexto objetivo estratégico (velocidade), ao sétimo objetivo operacional (controlo automático de velocidade) e à décima nona ação (executar rede nacional de controlo de velocidade) e foi definido que a instalação de um sistema destes seria o caminho para conseguir alcançar esse objetivo.

São quatro os focos principais, começando por fiscalizar, automaticamente, a velocidade de cada veículo em cada local de controlo de velocidade, promover o cumprimento dos limites de velocidade, evitar a prática de velocidade excessiva, culminando no principal que é diminuir a sinistralidade rodoviária e a gravidade das suas consequências.

O principal enfoque é a prevenção dos acidentes mortais

Em Portugal, no ano de 2012, ocorreram 14 atropelamentos por dia, correspondendo a um total de 5.245 no ano, dos quais resultam 107 mortos, de um total de mortos que atingiu as 937 pessoas decorrentes de acidentes rodoviários, o que equivale a uma média de 11,8 pessoas mortas por cada 100 mil habitantes.

Só por comparação e para situar a gravidade e atraso do nosso país neste capítulo, esta taxa é a segunda mais elevada dos 15 países da Europa ocidental, fomos ultrapassados apenas pela Grécia, com uma média de 12,2 mortos.

O terceiro país com mais mortes é a Bélgica com 8,1 seguido da Itália com 7,2 mortos, se tomarmos atenção é uma diferença significativa em termos de média. Até os italianos, conhecidos internacionalmente pelos seus excessos e falta de cuidado na estrada, estão bem melhor que nós.

No outro lado da lista negra da mortalidade na estrada, entre os países da Europa Ocidental, está a Suécia, com uma média de 3,0 e o Reino Unido com 3,7 mortos por 100 mil habitantes, no caso da Suécia é um fato relevante e talvez até surpreendente, pois este país nórdico possuí um inverno rigorosíssimo, onde abundam a neve, que apesar de bonita é perigosa, e o gelo, ainda mais perigoso, mas mesmo assim conseguem ter a taxa mais baixa.

Os 30 novos radares, referidos no início, serão instalados junto dos centros urbanos e têm nos atropelamentos os seus inimigos. Os radares colocados em autoestradas terão como objetivo reduzir a velocidade de circulação, reduzindo o risco em caso de acidente. Circula Seguro.

Foto | Kecko