Travagem de emergência autónoma

Duarte Paulo_ travagem emergencia automática

Enquanto crianças sonhamos com automóveis que se conduziam sozinhos, hoje vivemos num mundo onde isso já não está assim tão distante do consumidor comum, já vimos viaturas a estacionar sozinhas e bem. Vemos viaturas a serem lançadas no mercado com sistemas eletrónicos de ajuda aos condutores cada vez mais avançados, úteis e práticos na condução do dia-a-dia. Vamos ver em promenor a travagem de emergência autónoma.

Para qualquer pessoa uma das piores coisas que podem suceder ao conduzir é ver-se envolvida em acidentes, principalmente aqueles em que tem culpa e que seriam facilmente evitáveis. Os casos de acidentes onde uma viatura bate na traseira de outra são dos mais comuns. De algum tempo para cá algumas marcas estão a comercializar alguns modelos, chamados de gama alta, com sistemas que evitam esse tipo de acidentes.

Esses sistemas variam na forma de funcionar, na forma que o sistema consegue “ler” a estrada. Alguns sistemas utilizam radar, outros laser, alguns possuem deteção por vídeo, existindo ainda aqueles que combinam várias destas técnicas para detetar quando pessoas ou outros obstáculos estejam presentes, e em situação de perigo eminente atuam de forma a evitar o acidente.

Exemplos práticos das marcas

No caso da Honda o sistema é baseado em radar. A mais de 15 km/h, os veículos em movimento e parados são detetados ao longo de uma trajetória de cerca de 100 metros à frente do veículo equipado com esta tecnologia. Quando o sistema detetar que é provável que o carro vá embater num destes obstáculos, é iniciado um processo de três fases.

Na primeira, 3 segundos antes do impacto, o condutor é alertado por avisos visuais e sonoros. Na segunda fase, 2 segundos antes do impacto, o cinto de segurança é retraído com força 3 vezes em sucessão rápida e o veículo trava automaticamente. Finalmente, na terceira fase, quando o embate já é inevitável, retrai os cintos de segurança dos ocupantes dos bancos dianteiros através de tensores reversíveis e aplica uma força de travagem muito forte.

Todas as ações iniciadas pelo sistema da Honda são passiveis de serem anuladas se se conseguir evitar o acidente, por exemplo se o condutor desviar a trajetória ou caso o veículo que estava obstruindo a via se mova, nesses casos a tensão sobre os cintos de segurança é aliviada e os alertas visuais e sonoros param.

Na Mercedes a nova geração do Classe S o sistema para evitar obstáculos funcionará através de radar e câmaras. O sistema está conectado à travagem automática, mas também às funções de direção de emergência. Esta conjunção permite que o sistema de Assistência de Condução de Emergência também será capaz de conduzir o carro automaticamente à volta de obstáculos caso detete que é seguro para o veículo.

O sistema foi desenvolvido pela, também alemã, Continental, com um radar dianteiro cujos dados são validados por câmaras. Quando ambos concordam que existe algum obstáculo na rota de colisão o sistema automático de travagem vai parar o carro. A Mercedes afirma que o sistema pode detetar até mesmo os pedestres que estão atrás de carros estacionados. O sistema de travagem de emergência será capaz de funcionar em velocidades até 70 km/h.

A nova legislação adopta travagem de emergência autónoma

A Comissão Europeia após rever um estudo sobre este tipo de elementos de segurança aplicados aos acidentes registados, chegou à conclusão que com este sistema seriam evitados 27% dos acidentes de viação do género, mas ficou surpresa por apenas 21% de todos os veículos atualmente desenvolvidos na Europa disporem do sistema de travagem de emergência autónoma como elemento de segurança ativa de série.

Em ambiente urbano ou mesmo a velocidades mais elevadas, caso das estradas nacionais, vias rápidas e autoestradas, estes acidentes devido à sua dinâmica provocam feridos com lesões, habitualmente, ao nível da coluna cervical, dos tecidos moles do tórax e dos joelhos. Em casos mais graves podem provocar a morte, nas estradas europeias foram contabilizados oito mil mortes nessas circunstâncias.

A fim de tentar reduzir a sinistralidade na Europa, a partir de 2014 todos os automóveis novos comercializados deverão passar a incluir um sistema autónomo de travagens, para tentarem obter as tão desejadas cinco estrelas no critério de rating de segurança, EuroNCAP. Um fator cada vez mais decisivo no momento da decisão de compra, que o legislador europeu conseguiu “ligar” ao sistema travagem de emergência autónoma.

Philippe Jean, alto representante da Comissão Europeia, afirmou que a adoção desta medida vai conseguir uma “redução significativa na quantidade de acidentes graves, mas igualmente em todos aqueles que acontecem no tráfego automóvel dos grandes centros urbanos”.