Circular de moto, é mobilidade sustentável?

emissões motos
Em Portugal, as vendas de motociclos nos dois primeiros meses de 2018 apontam para um crescimento de mais de 25% face ao ano anterior. Números otimistas, que representam não só o maior poder de compra por parte dos portugueses, mas também a crescente importância das motos na mobilidade urbana. Mas será esta a forma mais eficiente para se movimentar na cidade?

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As vantagens dos motociclos

Que levante o braço quem nunca teve inveja quando viu uma moto a passar pelo meio dos engarrafamentos. As vantagens de circular de moto na cidade parecem óbvias e não é por acaso que os estafetas a usam como transporte mais frequente. Aquele tal «último quilómetro», que tantas dificuldades causa às empresas de distribuição, devido aos problemas de mobilidade urbana, fica assim resolvido.

De facto, uma moto ocupa um terço do espaço de um automóvel e retira 50 a 70% do tempo que seria necessário para efetuar determinado percurso. Estudos apontam até que, se 10% do parque automóvel fosse substituído por motos, haveria 40% menos de engarrafamentos. Curioso, não?

Claro que nem tudo o que brilha é ouro, pois há que ter também em conta as limitações. Por exemplo, a sua menor capacidade de passageiros. Enquanto que num automóvel normal cabem até cinco pessoas, numa moto não podem circular mais de duas. Ainda assim, as estatísticas apontam para uma semelhante ocupação quer em motos ou automóveis, uma ou duas pessoas. Isto porque ainda não existe a consciencialização para a necessidade de partilhar o carro.

A moto é menos segura do que o automóvel na cidade?

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A resposta é clara: Sim, é um dos meios de transporte com maior taxa de sinistralidade e mortalidade em zonas urbanas (4% dos condutores acidentados em cidade falecem). A cidade é o cenário mais frequente dos acidentes de moto (oito em cada dez casos).

“Não é de estranhar”, é capaz de pensar o leitor. Os condutores de motos costumam ser estereotipados como irresponsáveis, inexperientes e agressivos, chegando mesmo a ser criticados quando acontece algum acidente na cidade. No entanto, os números dizem exatamente o contrário. Em 70% dos impactos entre carro e moto, o culpado é o condutor do automóvel.

Mais, tal como acontece com as bicicletas, a maior parte dos conflitos com motos deve-se a falta de consideração e respeito dos condutores de automóveis. Daí a importância das campanhas de consciencialização para fomentar a boa convivência entre ambos os tipos de veículos.

Poluem menos as motos do que os carros?

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Dados recolhidos pela ANESDOR (Associação Nacional de Empresas do Sector das Duas Rodas), na vizinha Espanha, indicam que os motociclos são 16% do parque de veículos do país de «nuestros hermanos». Corresponde-lhes, em termos de poluição, 1,9% de CO2, face a 65% emitidos por outros veículos motorizados. Em termos de zonas urbanas que limitam a passagem aos veículos mais urbanos, as regras são claras: as motas podem passar.

No entanto, um estudo realizado pelos Laboratórios Federais da Suíça EMPA aponta na direção oposta. Num comparativo entre oito modelos de motociclos e dezassete de automóveis a gasolina, eram as duas rodas que superavam as emissões de Óxidos de Nitrogénio (NOx) e hidrocarbonetos. Um dos motivos pode ser o desfasamento existente entre estes motores e os dos automóveis que têm vindo a evoluir ano após ano.

A isto há que somar a poluição sonora de que também padecem as cidades. As motos podem mesmo ser mais ruidosas do que os carros. O ouvido humano pode sofrer danos a partir dos 65 decibéis e as motas, a acelerar, podem alcançar os 90.

A moto elétrica será, então, a solução para a mobilidade mais sustentável?

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Tendo em conta que a moto pode ser mais rápida em cidade do que um carro e que a sua ocupação em termos de passageiros acaba por ser semelhante, se a maior sinistralidade é, em grande parte, culpa dos automobilistas, como retirar o verdadeiro handicap da moto? Uma moto elétrica não vai ter emissões e também não fará qualquer ruído.

O mercado das motos elétricas cresce anualmente, mas ainda não representam um número expressivo. Porquê? Os mesmos motivos pelos quais o parque de carros elétricos ainda não é muito grande: falta de autonomia e de infraestruturas de carga, aliado ao preço por comparação com os veículos de combustão.

Apesar das ajudas fiscais já existentes, muitas passam ainda despercebidas. Ainda assim, sim, a moto elétrica pode ser o veículo fundamental para a mobilidade sustentável dentro das cidades.

Imagens | PxHere | PxHere | PxHere | Wikimedia/Hbmallin

Fonte: Circulaseguro.com