Fiabilidade dos automóveis “modernos”

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As marcas tentam apresentar modelos cada vez mais fiáveis e quando uma marca consegue fazê-lo de forma consistente aos longo de um determinado período de tempo, o mercado reconhece-o, apelidando-as de marcas de confiança, ou pelo menos de fiabilidade superior à média.

Na generalidade dos mercados as marcas japonesas gozam dessa reputação, e conseguem transmitir, a quem procura um novo carro, uma sensação de confiança essencial no momento de fechar o negócio. Mas quanta dessa reputação é real?

Fiabilidade japonesa

“Tradicionalmente, a Toyota e a Honda lideram em termos de confiabilidade e durabilidade”, diz Renee Stephens, vice-presidente da JD Power empresa de pesquisa de qualidade automóvel. “A Lexus por exemplo, tem estado no topo das classificações de durabilidade em 15 dos últimos 18 anos.”

Mas Stephens explica que a diferença diminuiu recentemente, dando como exemplo este último ano, onde o grupo Mercedes lidera, e a americana GM conseguiu subir ao quarto lugar. Será que os fabricantes de automóveis japoneses pioraram a qualidade dos seus automóveis?

“Não exatamente”, diz Stephens, “o fato é que os veículos de outras marcas estão melhorando a qualidade de ano para ano.” A indústria como um todo tem vindo a progredir, ela diz. “Olhando para tecnologia e eletrónica imcorporada em todos os carros, costumava haver 155 problemas por cada 100 veículos”, diz Stephens. “Agora é inferior a 133 problemas por 100 veículos em 2014.”

Todos melhoraram

A Consumer Reports (CR), outra entidade americana, tem uma conclusão similar, as outras marcas de veículos estão melhorando, mas ainda são as marcas japonesas que mantêm a liderança. Dos 10 carros mais confiáveis segundo a CR, nove são da Toyota, Lexus ou Scion, além disso Lexus, Toyota, Mazda e Honda mantêm os quatro primeiros lugares, no relatório de confiança em construtores automóveis desta publicação.

“No geral, os fabricantes japoneses têm vindo a fazer veículos muito confiáveis, especialmente os da Toyota e Lexus”, diz Anita Lam da equipa de dados sobre automóveis da Consumer Reports. “Mas isso não significa que todos os modelos japoneses são confiáveis.”

De acordo com a CR, a Nissan e sua marca de luxo Infiniti estão a lutar por atingir o patamar de outras marcas japonesas. “A Nissan não tem sido um destaque há anos”, lê-se no mais recente relatório de confiabilidade. “O modelo Rogue, redesenhado, conseguiu uma pontuação média de confiabilidade, mas o Altima, o Pathfinder e o Sentra estiveram mal.”

A fiabilidade da Infiniti é igualmente pouco impressionante, pois tanto o familiar Q50, como o crossover QX60 tinham “mais do que seu quinhão de problemas”, diz o relatório. A classificação da Acura também diminuiu, em grande parte porque dois carros muito fiáveis, a saber, o TL e o TSX, “aposentaram-se” enquanto o sedan RLX recentemente introduzido e o redesenhado SUV MDX foram apenas medianos, de acordo com a pesquisa.

Como eles chegaram a ser tão bom?

É claro que nem todos os carros são criados iguais, mas a questão é como a Toyota e a Lexus conseguem gerir um tal relacionamento de confiabilidade com os consumidores? “Eles se esforçam para construir veículos de alta qualidade, em vez de veículos excitantes”, diz Lam. “Uma razão pela qual eles podem fazer isso é a alta confiabilidade, pois assim podem introduzir novas tecnologias de forma lenta e em plataformas comprovadas.”

Lam chama a atenção para como a Toyota ainda consegue vender carros com transmissões antigas, como por exemplo, a caixa automática de quatro velocidades (nos Estados Unidos) ou possuir motores que se mantêm no mercado por muitos  anos. “As reformulações raramente são drásticas, em relação aos modelos anteriores”.

A CR ainda observou que os carros mais confiáveis não são necessariamente os melhores carros, dando o exemplo do Scion xB, que venceu o rating de “mais confiável”, mas até mesmo o pessoal do CR admitiu que o carro sofre de economia de combustível e uma transmissão que se pode afirmar que não é refinada. A mesma preocupação vai para o Toyota Tundra, que ganha o título para o pickup mais confiável, mas não tem muitas das características que as pickup concorrentes oferecem.

“Em contraste, há outros fabricantes que redesenham, ou lançam um novo modelo de raíz, e introduzem novas tecnologias ao mesmo tempo”, diz Lam. Estes modelos de nova geração pode ser uma dor de cabeça para a confiabilidade, mas as construtoras costumam resolver os problemas nos anos seguintes.

Não comprar a 1ª geração

Esta ideia segue um conselho de longa data,  não compre um produto de primeira geração. Mas, analisando bem, poucos dos produtos à venda pela Toyota e Lexus são totalmente novos, mesmo o mais recente Toyota Camry, apesar das anunciadas 2.000 peças novas, ainda ostenta o mesmo sistema de motor e transmissão desde a geração que saiu em 2007.

O novo Corolla também oferece o mesmo motor e transmissões do modelo da anterior geração, embora exista a possibilidade de adquirir um motor revisto, agora com injeção direta, acoplado a uma nova caixa de velocidades de variação contínua.

A empresa mostra claramente contenção na mudança de seus produtos, o que ajuda a preservar a sua alta classificação de confiabilidade, poucos construtores podem manter um ritmo tão lento na adoção de novas tendências. A Honda também faz muito ligeiras alterações em seus veículos de grandes volume de vendas e assim ajudam reforçar as suas classificações confiabilidade.

Como conclusão talvez possamos afirmar que uma empresa que gasta mais tempo e dinheiro desenvolvendo a engenharia necessária à criação de produtos que duram mais, tendem a não abandonar ou substituí-los rapidamente, Stephens resume assim “A devoção à qualidade e à confiabilidade não é determinada pela região de onde vem a marca”, diz ela. “É uma mentalidade de marca.”

Foto | John Verive