O Gás Natural como o combustível rodoviário do futuro

Gás Natural

Pode o Gás Natural ser uma melhor alternativa à gasolina e ao gasóleo para os transportes rodoviários? Serão mais amigos do ambiente? Que viabilidade têm para serem utilizados?

Numa altura em que os combustíveis voltaram a pesar muito nas carteiras e havendo o desígnio coletivo de ter transportes mais ecológicos, importa averiguar se o Gás Natural não poderia aqui surgir como uma alternativa interessante, quer do ponto de vista económico ou ambiental. Há que não esquecer que o petróleo e os seus derivados constituíam, em 2012, mais de 33% da energia consumida a nível mundial.

Para nos ajudar a perceber melhor este tema, recorremos às reflexões de Pedro Miguel Silva, assessor da Presidência da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR).

Lembra este especialista que a população mundial será hoje de cerca de mais de sete biliões de pessoas, estimando-se que em 2030 este número seja na ordem dos oito biliões e meio. “Como é bom de ver, as necessidades energéticas aumentarão em proporção, nelas se incluindo os combustíveis rodoviários. Questão que não é despicienda, tem que ver com a dependência dos países produtores, liderados pela Arábia Saudita, bem como a variação do seu preço, muitas vezes influenciado por crises geopolíticas ou instabilidade nesses países ou territórios”.

Gás Natural

Face à realidade global, a procura de energias e combustíveis rodoviários alternativos tem sido uma constante desde há já vários anos. “Uma dessas alternativas foi o Gás de Petróleo Liquefeito (GPL), que consiste numa mistura de gases de hidrocarbonetos, e que tem tido bastante aceitação e procura, fruto do mais baixo preço em relação à gasolina, pese embora alguns constrangimentos que se verificavam até há pouco tempo atrás ao uso de veículos equipados com este combustível, nomeadamente no que concerne em garagens e parques subterrâneos de estacionamento. Segundo dados da DGEG relativos a 2013, o GPL constituiu 13% dos combustíveis rodoviários”.

Contudo, aponta este responsável da ANSR, “convêm também não esquecer que se trata de um subproduto do petróleo, pelo que todas as incidências que recaiam sobre aquela matéria-prima, terão necessariamente reflexos no GPL”.

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“Num planeta em que o ambiente assume uma importância cada vez maior, torna-se premente a procura de novas soluções mais ecológicas e, simultaneamente, mais económicas. Existirá já hoje mais algum tipo de combustível rodoviário que se possa constituir como uma alternativa viável aos combustíveis convencionais, mas sem as limitações conhecidas das energias alternativas já conhecidas? Estou em crer que sim. A resposta a este desafio poderá ser dada pelo Gás Natural Veicular”, responde Pedro Miguel Silva.

Atualmente, o Gás Natural (GN) representa apenas 0,5% dos combustíveis rodoviários. “Contrariamente ao petróleo, cujas jazidas poderão estar esgotadas dentro de poucas décadas, estima-se que as reservas de Gás Natural existentes em todo o mundo durem para vários séculos”, declara este especialista.

Gás Natural

Apesar de pouco conhecidos, os veículos a Gás Natural (VGN) utilizam já uma tecnologia consolidada e com provas dadas, sendo que a maioria dos construtores, mesmo os de pesados, já têm VNG na sua oferta de veículos.

Explica este elemento da ANSR, “em termos rodoviários, coexistem dois tipos de GN: o Gás Natural Liquefeito (GNL) ou o Gás Natural Comprimido (GNC). Em termos de funcionamento, os VGN podem ser Bi-fuel (funcionam de forma alternada com GN e gasolina), Dual-fuel (funcionam com uma mistura de GN e gasóleo) e Dedicados (funcionam exclusivamente com GN)”.

Em Portugal, os VGN têm ainda pouca expressão, estando mais representados ao nível dos pesados de passageiros, “existindo cerca de 354 destes veículos. Neste setor, o dos pesados de passageiros, os Serviços de Transportes Coletivos do Porto dispunham até há pouco tempo da maior frota de autocarros urbanos da europa, numa clara aposta num combustível mais barato, limpo e seguro”, aponta o assessor da ANSR.

Quanto às vantagens associadas à utilização rodoviária do GN, elas prendem-se “com o custo significativamente inferior ao dos combustíveis convencionais (cerca de menos 70% face ao gasóleo), com as emissões de escape dos VGN serem bastante inferiores face aos Diesel, com o fato da queima ser mais limpa e permitir intervalos de manutenção mais alargados e ainda com o fato destes veículos serem tão ou mais seguros que os restantes, desmistificando assim o receio que ainda paira sobre veículos a gás, não só porque os depósitos são especialmente resistentes, como pelo facto de, sendo o GN mais leve que o ar, numa eventual fuga, dissipa-se de forma muito mais segura”, sintetiza Pedro Miguel Silva.

Não obstante o mérito que este combustível rodoviário tem, “subsistem ainda algumas questões que têm impedido que a sua utilização seja maior: o custo de aquisição dos veículos é maior (no caso dos pesados), assim como o seu consumo. Por outro lado, o número de postos existente é ainda reduzido”, afirma este especialista que insiste, porém, que o GN pode ser uma alternativa séria a considerar, inclusive, para o transporte de média e longa distância.

Fotos: endesa, motor 1.uol.com.br, livebarcelona.cat, gazeo