O que é a mobilidade multimodal e porque é importante para as cidades?

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Há uma palavra que se repete cada vez mais nos fóruns e encontros de urbanismo e mobilidade: multimodal. Até há pouco tempo, os especialistas dedicavam-se à promoção da bicicleta como única forma de mobilidade ecológica e na demonização do veículo particular (fosse qual fosse a fonte de energia) como o grande culpado do congestionamento das cidades.

No entanto, agora ampliam o seu foco de atenção mais além dos centros históricos, incluindo arredores e áreas metropolitanas…. E também fazem finca-pé na necessidade de tratar todas as formas de transporte por igual (inclusive o carro com motor de combustão) e garantir o acesso dos cidadãos a todas elas, em função das suas necessidades.

O que é o transporte multimodal

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O transporte multimodal é um conceito próprio do sector da logística e da exportação, que se refere aos meios utilizados para transportar uma mercadoria. Assim, chamamos de multimodal à forma de movimentar bens usando várias das diferentes formas de transporte com que contamos hoje em dia: marítimo, aéreo, comboio ou por estrada (principalmente com camiões).

Assim, podemos transportar uma mercadoria desde León até Madrid, em camião, levá-lo a partir dali em comboio até ao porto de Sines, em Portugal, e aí carregá-lo num barco rumo ao porto de Cartagena de Indias, na Colômbia. Daqui poderia seguir por via terrestre até à capital.

Também existe o conceito de transporte intermodal, que é uma forma de multimodal mais específica. Em ambos os casos, exige-se que a mercadoria não se divida durante o trajeto, o que se chama rutura de carga, e que, ao acontecer, faria com que estivéssemos a falar de envios distintos.

Desta forma, o transporte de encomendas na etapa do último quilómetro não é considerada parte do transporte multimodal, uma vez que o conjunto da mercadoria é dividida para que cada pacote seja entregue ao seu destinatário. Ainda que, como veremos, as formas «multimodais» dos serviços de entregas são fundamentais para uma mobilidade sustentável nas cidades.

A mobilidade multimodal nas cidades

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A possibilidade de combinar várias formas de transporte público no mesmo trajeto não é nada novo (usar o comboio nos arredores e o metro para ir para o trabalho, por exemplo). Mais recente é a aplicação como forma de fomentar uma mobilidade mais sustentável e menos contaminante e reduzir o uso do carro particular nas cidades.

O conceito de mobilidade multimodal ou intermodal, retirado do sector da logística, tem vindo a ganhar força nos últimos anos. Vai mais além do que o transporte público, abarcando formas de deslocamento como a mobilidade ativa (andando ou de bicicleta), as plataformas de veículos partilhados (carsharing, principalmente) e, inclusivamente, o próprio carro particular.

Trata-se de criar sistemas que combinem várias formas de mobilidade para fazer um mesmo trajeto, como acontece no transporte multimodal de mercadorias. Com a única diferença, claro está, de que a «mercadoria» é o cidadão.

Conexão e integração de infraestruturas e serviços públicos

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Na mobilidade multimodal têm um papel fundamental as infraestruturas urbanas (estacionamentos, estações e paragens, vias…) mas também os serviços públicos (os transportes, os sistemas de informação, etc.)

Assim, se até agora o normal é ir até aos arredores da cidade e ali apanhar o metro até ao trabalho, em breve poderia ser deixar o carro no estacionamento da estação, ir até ao centro de elétrico e daí terminar o trajeto com uma bicicleta partilhada. Tudo coordenado e integrado de forma eficiente, como se se tratasse de um único trajeto.

De feito, a chave está em conectar todas as infraestruturas e integrar todos os serviços em um. Por exemplo, poder realizar todos os pagamentos (parque do carro, passe e a tarifa da bicicleta compartilhada) com um único cartão de transporte. A ligação dos tempos e horários das várias opções para um mesmo trajeto, à semelhança como já faz o Google Maps.

Ambas as coisas são medidas centrais de muitos Planos de Mobilidade Urbana Sustentável. Como regulamentos-marco que tratam de acertar a mobilidade e o transporte de uma cidade, a sua missão é marcar as linhas no que diz respeito às infraestruturas e aos serviços citados. Assim, o transporte multimodal coloca-se ao serviço da mobilidade sustentável e, em consequência, do cidadão.

Mobilidade multimodal em Espanha

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Em Espanha, por exemplo, é possível encontrar alguns exemplos de mobilidade multimodal, principalmente em Madrid e Barcelona, cidades que, pela sua extensão e problemas de poluição, tiveram que adotar mais rapidamente novas formas de mobilidade.

A maioria das medidas não requerem grandes soluções tecnológicas, apenas a vontade de alterar o paradigma e colocar a cidade ao serviço do cidadão.

Imagens | iStock: RossHelen, thitivong, brightstorm, alika1712, bwzenith.

Fonte: CirculaSeguro.com