Os veículos nas nossas estradas

Os veículos nas nossas estradas

De modo geral, o meio rodoviário é composto por uma quantidade de veículos bastante variável. Desde o velocípede ao tractor com semi-reboque, passando pelo ligeiro ou pelo autocarro, muitos mais veículos existem contemplados na legislação portuguesa e europeia como veículos.

Acontece que, em muitos locais, as vias de circulação não se encontram adaptadas à circulação de outros veículos que, na legislação se encontram equiparadas a peões. É o caso das cadeiras de rodas. Cadeiras de rodas estas que sofreram alterações tecnológicas, com vista facilitar a vida aos seus utilizadores.

Que segurança temos ou desejamos?

Muitos são os locais que cada um de nós, leitores deste espaço, conhecemos, onde tem de existir, até porque não existe outra possibilidade, uma convivência, muitas e muitas vezes com um grau de perigosidade entre os mais diversos tipos de veículos, com as mais diversas dimensões e características.

Acontece que, se analisarmos friamente esses locais, facilmente chegamos a uma triste conclusão; a convivência de diversos tipo de utilizadores nesses espaços é uma imposição por parte de quem projecta as vias de comunicação terrestre, quer em rede urbana ou fora dela, porque simplesmente não pensa essa mesma via a longo prazo.

Tal situação faz com que o risco de sinistralidade aumente exponencialmente, uma vez que não existem soluções que permitam a ocupação de espaços distintos para distintos veículos na mesma via.

Um caso na ponte Edgar Cardoso

Na imagem podemos observar um veículo que nada mais é do que uma cadeira de rodas eléctrica, equiparada a um peão e que se encontra em circulação na estrada nacional 109, a atravessar a ponte que liga a margem sul do rio Mondego á margem norte, no Concelho da Figueira da Foz.

Nesta ponte circula uma intensidade elevada de viaturas, muitas delas pesados de mercadorias que se deslocam a velocidades na ordem dos 70 km/h e que não efectuam uma distancia de segurança válida, ultrapassando muito perto destes veículos. Mas se os pesados o fazem, também os ligeiros o praticam.

E o grande problema é que a mobilidade daquela cadeira de rodas é quase nula, não permitindo, até porque não existe espaço para tal, uma fuga em caso de necessidade. Se esta viatura é equiparada a um peão, então deveria circular fora da faixa de rodagem, do outro lado da proteção. Sim, é verdade.

Mas para isso deveria o acesso estar preparado para tal, assim como no final da travessia da ponte haver uma saída válida e capaz de permitir que os peões e os equiparados o façam. Quem conhece o local sabe que os peões para saírem do lugar a eles destinado o terão de fazer mesmo no local de acesso da referida ponte à auto-estrada 14.

Mais, o veículo que está na imagem apenas conseguiria abandonar o local, eventualmente, já em plena auto-estrada. Ou seja, já que falamos em direitos, como poderá este cidadão circular entre a zona sul e a zona norte da cidade em plena segurança se os responsáveis pela segurança da via não o proporcionam?