Qual o impacto da condução autónoma na segurança rodoviária?

Concept 26

A condução autónoma é cada vez mais uma realidade instalada. Mais tarde ou mais cedo, todos teremos de aprender a viver com os carros que andam sozinhos. Apenas precisamos de nos sentar, escolher três ou quatro funções e… deixarmo-nos ir.


A conferência Anual da Prevenção Rodoviária Internacional Condução Autónoma e o seu impacto na Segurança Rodoviária decorreu em Lisboa nos dias 13 e 14 de outubro sob o tema “Com a condução autónoma, ficarão as estradas mais seguras…? Espero bem que sim!”. Este evento internacional foi organizado pela Prévention Routière International (PRI) com a colaboração da Prevenção Rodoviária Portuguesa (PRP).
A escolha desta temática partiu do recente desenvolvimento tecnológico por parte da indústria automóvel que iniciou a conceção e produção de veículos totalmente autónomos.
Com o objetivo de promover um verdadeiro debate sobre as consequências da chegada deste tipo de veículos às estradas de todo o mundo, nomeadamente as que dizem respeito à segurança dos utentes (condutores e passageiros dos veículos, mas também dos peões, ciclistas e motociclistas), esta conferência internacional procurou ajudar a identificar os principais benefícios associados à segurança e facultar algumas recomendações chave para todas as partes interessadas.

Os mais de 100 participantes, entre eles vários peritos nacionais e internacionais de cerca de 30 países, marcaram presença nos trabalhos das várias sessões deste acontecimento científico internacional e debateram as diferentes abordagens ao tema. Foram dois dias de diálogo, debate e discussão em torno de uma única pergunta: “Com a condução autónoma, ficarão as estradas mais seguras…?”
Com várias reflexões, sugestões e recomendações constata-se que existem mais perguntas do que respostas no que ao panorama atual diz respeito

– Como é que as novas tecnologias podem contribuir para a segurança rodoviária

– Como é que o aumento da utilização de novas tecnologias na indústria automóvel afetará o desempenho, a satisfação e a experiência do utilizador?

As respostas passam e muito pela importância da investigação científica na implementação de boas e sólidas ações para a segurança rodoviária. Tal só será possível, através da recolha, análise e troca de dados e indicadores e do desenvolvimento de estudos e pesquisas.
Para José Miguel Trigoso, presidente da Prevenção Rodoviária Portuguesa (PRP), “este desenvolvimento tecnológico deverá impor a todos os atores, industriais e profissionais, grandes desafios seja do ponto de vista da infraestrutura, regulação, fiscalização, formação como também por parte do comportamento dos utentes rodoviários.” Afirma ainda que “ao organizar este evento, a PRP e a PRI procuram estar entre as organizações pioneiras que demonstram interesse neste campo e que propõem algumas linhas orientadoras para o futuro.”

Os cinco níveis da automatização

O caminho para a condução totalmente autónoma inclui passos intermédios que estão a ser definidos pela indústria em conjunto com as autoridades governamentais. Na União Europeia, os sistemas de auxílio e de automação foram divididos em cinco níveis, mas a legislação atual só permite os dois primeiros, em que o condutor tem de manter os olhos na estrada.

1 – Utilização de sistemas de assistência à condução, como cruise control adaptativo.
2 – Tecnologias que capazes de intervir na aceleração/travagem e no apoio à direção.
3 – Condução autónoma em determinadas condições, mas em que o condutor pode ser chamado a intervir a qualquer momento.
4- Condução autónoma em condições previamente definidas em que o condutor não tem qualquer intervenção. Este é o primeiro nível que liberta o condutor para realizar outras operações sem estar preocupado com a condução do veículo.
5- Condução totalmente autónoma onde nem é necessário um condutor.

Se por um lado as metas ambientais pressionam os fabricantes a produzir veículos mais eficientes do que nunca e a apostar em energias alternativas, os objetivos a cumprir ao nível da segurança e da otimização das cidades e dos recursos, reforçam a importância de um automóvel a caminhar no sentido da total autonomização.
Num futuro não muito distante, o automóvel será um espaço para consumo de informação e para “fazer chamadas” e o car sharing ganhará mais relevância. Vários estudos indicam que apesar de tudo isto, a tendência para o aumento da venda de automóveis a particulares não se reverterá, podendo apenas abrandar.