Uso de automóveis em cidade são uma má escolha

cidade sem carros

O Dia Mundial sem Carros é um data internacional celebrada hoje, dia 22 de setembro, em cidades por todo o mundo, que tem como objetivo estimular uma reflexão sobre o uso excessivo do automóvel, e sejamos sinceros o uso de automóveis em cidade são uma má escolha, analisando quase todos os aspetos são sempre mais caros, menos eficazes e menos eficientes a transportar pessoas de um ponto para outro da urbe. Muitas vezes não conseguimos perceber a dimensão do problema até vermos algo que demonstre claramente a diferença.

O GIF é um infográfico que foi lançado recentemente criado por uma organização de pesquisa de soluções sustentáveis sediada em Seattle. Nele é possível ver o quão ineficiente os automóveis são, especialmente analisando o problema do espaço, especialmente se as pessoas estão sozinhas na viatura, nos Estados Unidos da América isso acontece em média em cerca de 75% do tempo de viagem.


As imagens mostram as diferenças de ocupação da via por parte de diversos meios de transporte com o mesmo número de pessoas a circular na mesma estrada. Começando com a versão mais próxima da realidade atual são 200 pessoas em 177 carros em 5 faixas, que depois em bicicletas reduzem-se a uma só via.


Continuando a explorar as possibilidades,  a diferença mais impactante surge quando reduzimos os 177 automóveis a 3 autocarros… é impressionante! E se for em metro de superfície reduz-se a só um veículo, se bem que com outras necessidades a nível de infraestruturas. Estas imagens podem ser o ponto de partida de conversações nos pelouros camarários onde podem comparar as diferenças, naturalmente que a orografia de cada cidade terá que ter tida em conta e terão que ser feitos estudos sobre o motivo, tipo e frequência das deslocações e ainda da mobilidade pretendida pelos cidadãos.

Enquanto os luxos como, o estar só, com privacidade e dispor de ar condicionado podem ser considerados um trunfo sobre um autocarro urbano, com utentes potencialmente suados e irritadiços, mas isso implica mais tráfego e todos odeiam congestionamentos. Se com a utilização de transportes públicos as estradas ficassem menos congestionada, as pessoas não terão de passar tanto tempo viajando.

Realidade de Seattle

“Nós estamos geograficamente restritos em termos de capacidade de automóveis que podemos adicionar à rede viária”, diz Scott Kubly, diretor do Departamento de Transporte de Seattle, à organização sem fins lucrativos Next City. “Se nós estamos a crescer demograficamente, precisamos usar as nossas ruas de forma mais eficiente.”

Seattle é uma cidade que está em constante crescimento e é um crescimento considerado rápido, em 1990, tinha 516.000 pessoas a residir nesta cidade americana e em 2010 já eram 608.000, em 2013 o número de pessoas subiu para 652.000, para a gestão da cidade este rácio de crescimento é um problema.

E o ritmo de crescimento dos utentes de transportes particulares está aumentando, entre 2000 e 2010, as crianças menores de 5 compunham a maior parte do crescimento da população de Seattle. Essas crianças em breve, por breve entenda-se os próximos 12 a 15 anos, poderão estar a conduzir um veículo automóvel, adicionando um número considerável de veículos ao transito já congestionado da cidade.

Que pode uma cidade fazer

Seattle introduziu recentemente um sistema algo extenso de metro de superfície, mas as pessoas ainda estão se habituando ao seu uso, a adoção deste tipo de transporte tem sido mais lento que o previsto, pois o objetivo para o ano 2011, foi atingido só em agosto de 2014, com um transporte médio diário de 39.210 pessoas.

Para tornar a cidade mais eficiente como um todo, Seattle desenvolveu dois projetos urbanísticos relacionados, um com uma meta já para o final de 2015 e outra só para 20 anos depois, sim, um objetivo para 2035. Ambos veem os cidadãos se afastando de tipo de transporte típico de hoje em dia, de uma única pessoa em um automóvel, passando a viajar através da utilização de percursos pedestres, pistas para ciclismo e maior intensidade do uso de partilha de carros.

A cidade também irá criar um futuro mapa de uso da terra (PDM) que descreve o modo como as regiões serão usados e oferece flexibilidade ao planear as futuras construções. Seattle pode seguir as sugestões de Tóquio ou Estocolmo, as duas cidades com os menores índices de mortes no trânsito no mundo. Nestas cidades, as ciclovias e os sistemas ferroviários dão aos cidadãos muita flexibilidade não obrigando a conduzir veículo particular para se deslocar na cidade.

Incentivos radicais

Os dinamarqueses têm uma perspetiva mais pragmática e diferenciada na tentativa de conseguir uma cidade sem carros, ou pelo menos sem congestionamentos. Em Copenhaga, os automóveis são tratados como veículos de segunda classe, os semáforos dão preferência aos ciclistas, graças às chamadas “ondas verdes” que oferecem ininterruptas luzes verdes se as bicicletas circularem a uma velocidade constante.

Os invernos são rigorosos no norte da Europa e quando a neve cai na capital dinamarquesa, as ciclovias são limpas em primeiro lugar, antes de as estradas. Dando mais uma vez primazia ao transporte não poluente e que menos congestionamentos provoca em cidade.

As medidas funcionaram, metade dos residentes da cidade de Copenhaga deslocam-se para o trabalho em bicicleta e o tráfego de carros praticamente desapareceu. Serão estas propostas a solução para o problema de mobilidade que enfrentamos? Pelo menos poderá ser o início das conversações entre entidades e cidadãos para reduzir a circulação de veículos particulares, com todos os benefícios que daí advém, seja visto sob o prisma económico com a redução de custos, mas também com a poupança de tempo e o menor impacto ambiental.

Fotos | i-Sustain