Cinto de segurança, cinto salva-vidas

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O cinto de segurança, acessório pertencente ao sistema de segurança passiva do automóvel, tem como função evitar que os ocupantes do veículo sejam projetados para fora deste ou que dentro deste sofram o efeito de bola de ping-pong com todas as nefastas consequências associadas. Estima-se que na Europa cerca de dois milhões de vidas tenham sido salvas nas últimas duas décadas, graças ao uso e de forma correta do cinto de segurança.

Patenteado por Gustave Liebon no ano de 1903, foi no ano de 1896 que se registou a sua primeira utilização.  A sua importância para a segurança passiva encontra-se ao nível de importância dos pneus para a segurança ativa. Ou seja, não colocar o cinto de segurança quando se está em circulação, mesmo em trajetos curtos, é igual a circular com pneus com desgaste superior ao admissível por Lei ou em estado de degradação avançado.

No ano de 2005, com a alteração ocorrida no código da estrada português, a sua utilização passou a ser, também, obrigatória, pelos passageiros transportados no banco traseiro. Mais recentemente esta imposição foi alargada também aos passageiros  de autocarros  de transporte não urbano.  Os passageiros de autocarro de transporte urbano ficam, mal, isentos desse uso.

O cinto de segurança ao longo dos tempos

Inicialmente, quando da sua invenção, o cinto de segurança era de dois pontos, ou seja, apenas atuava ao nível subabdominal, distribuindo a força em si exercida apenas em dois pontos de apoio. Com uma natural evolução, o cinto de segurança passou a ser de três pontos, passando não apenas a atuar na zona quadril, mas também na área toráxica.  Conseguiu-se deste modo que a zona do tronco não fosse projetada para diante, não apenas em colisão frontal mas também na diminuição súbita do veículo por intervenção no travão de serviço.

Uma vez que poderiam ser vários os utilizadores  condutores de um veículo, houve a necessidade de evoluir o sistema de ajuste do cinto de segurança, passando de manual para automático.  O que antes era incomodativo na regulação do tamanho da fita do cinto de segurança, agora o facto desta estar enrolada a um sistema mecânico composto por uma mola, permite ao utilizador desenrolar a fita necessária à sua dimensão. Em termos de comodidade conseguiu-se um acréscimo fantástico.

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A isenção à utilização do cinto de segurança

Acontece que, em Portugal, a legislação que regulamenta a utilização do cinto de segurança admite exceções para a sua não utilização, nomeadamente ao abrigo do artigo 6º da Portaria nº 311-A/2005 de 24 de Março. Estão dispensados da sua utilização dentro das localidades os condutores de veículos da policia ou bombeiros, bem como os agentes da autoridade ou bombeiros nestes transportados.  estão igualmente dispensados os condutores de automóveis ligeiros de aluguer, Taxis, letra A e letra T.

Ou seja, estes condutores atrás referidos estão dispensados da obrigatoriedade da utilização de um acessório que lhes pode salvar a vida em caso de acidente rodoviário. E esta razão de não uso é, de todo, inaceitável uma vez que estes condutores estão expostos às vicissitudes do trânsito, tal como qualquer outro condutor. Em caso de acidente, com ou sem culpa, estes condutores estão sujeitos a consequências brutais na sua integridade física ou vida, comprometendo toda a sua situação económica, social e familiar.

Não é assim aceitável que um condutor de Taxi ou carro de letra A ou T se faça circular sem a colocação do cinto de segurança, assim como não é aceitável que um agente da policia faça o seu patrulhamento sem que faça uso deste acessório de segurança passiva.  Se antes alegavam o incomodo de, ao terem de pendurar o cinto de segurança quando o retiravam, nos dias de hoje e com o sistema de recolha automática, tal justificação cai pelo chão não fazendo qualquer sentido.

Não nos esqueçamos que, num choque frontal com uma força de impacto de 30 km/h cada veículo, sofremos uma desaceleração de cerca de 60 km/h, o que faz com que o peso do nosso corpo aumente cerca de cinco vezes mais.  Para um individuo de aproximadamente 70 kg de peso, no momento do impacto estará com um peso de aproximadamente 350 kg. A rapidez com que as coisas acontecem, o ocupante do veículo não terá capacidade nem força para evitar a projeção.

Fotos ¦ Jusmar, Alf Beem

  • zulmira

    tenho fobia ao uso de cinto de segurança. A lei portuguesa em alguma exepcção para estes casos?

    • Boa noite Zulmira,

      Sim, existe. deverá apresentar a questão ao seu médico, que lhe passará um atestado médico a comprovar tal facto. No entanto, ficará com restrições de velocidade e outras na sua carta de condução, as quais não poderá desrespeitar, sob pena de ser gravemente sancionada.