Dummies para crash tests (2)

dummies 2

Todos os anos morrem nas estradas de todo o mundo aproximadamente 1 milhão de pessoas, ou seja 10% da população portuguesa, só em acidentes rodoviários. Para reduzir o flagelo desses números, as marcas de automóveis e as instituições responsáveis pela segurança rodoviária, tentam fazer evoluir as viaturas. Para isso utilizam uns bonecos chamados dummies para crash tests.

Depois de na primeira parte deste tema ter falado sobre os primórdios da segurança automóvel, dos voluntários e dos cadáveres utilizados, agora chegamos aos dummies própriamente ditos e veremos quais os modelos mais usados na indústria automóvel e suas caraterísticas.

O boneco amarelo

Para ajudar a perceber a dinâmica dos acidentes foi criado há mais de seis décadas o Crash Test Dummy, dummies no plural, geralmente trata-se de um boneco amarelo com umas marcas a preto, para ser mais fácil de seguir o seu movimento nas camaras de alta velocidade que registam os embates de teste dos veículos.

Inicialmente eram simples bonecos, construídos em madeira, depois num material tipo um gel, muito denso, que simulava a densidade do corpo humano, como o visto no conhecido programa televisivo, o Caçadores de Mitos, onde testam diversas teorias de forma ciêntifica.

Com a necessidade de analisar mais parâmetros, como por exemplo medir as velocidades de deslocação e as forças de impacto, diversos sensores foram adicionados, sempre na tentativa de aumentar e melhorar a recolha de dados a cada embate realizado.

A estrela dos dummies

Existem diversas marcas e versões de dummies, mas o boneco mais utilizado em testes de embates é o modelo americano Hybrid III, com o percentil 50, o que significa que tem a altura e peso da média masculina norte-americana na época de seu desenvolvimento, em 1976.

O Hybrid III simula um homem adulto com estatura mediana, com 78 kgs e uma altura de 1,75 metros, está equipado, geralmente, com 120 sensores capazes de avaliar as áreas do corpo que normalmente são mais afetadas num embate.

Alguns testes de embate não necessitam de dummies sofisticados, pelo que alguns modelos ultrapassados para uma tarefa como a análise no interior do veículo, são posteriormente usados no exterior, como peões que são atingidos pelas viaturas a fim de analisar as zonas de embate e resaltos do corpo, de forma a conseguir alterar a forma e materiais utilizados nas construção dos automóveis.

Nem todos são iguais

Existem outros percentis para simular outro tipo de estaturas, o percentil 95, tem, em 188 cm e 100 kg. A “senhora” Hybrid III é um boneco com características femininas, um percentil 5 do original, com 152 cm de altura e 50 kg de peso.

Existem ainda as crianças, um a simular uma criança de 6 anos, com 21 kg e um mais pequeno, com as características de uma criança de 3 anos, este boneco tem um peso de 15 kg. E recentemente passaram a ser analisados também os bebés, com bonecos que simulam os 18 meses, 9 meses e 3 meses de idade.

Os dummies representando crianças e bebés foram introduzidos mais tarde em relação aos adultos, porque ainda existem, relativamente, poucos dados sobre os efeitos de acidentes em crianças e esses dados são muito difíceis de obter, estes modelos são baseados em grande parte em estimativas e aproximações.

A título de curiosidade, o custo de um dummie Hybrid III ronda actualmente, em média, os 75 mil euros, dependendo sempre da quantidade, qualidade e tecnologia dos sensores embutidos, mas permite que sejam efetuados diversos teste com o mesmo boneco, quase sem manutenção entre testes.

Este tipo de dummies possuem imensos sensosres, porém começam a ser substituídos por outra geração de testadores de segurança. No próximo artigo iremos falar sobre essa nova geração, que marcas os usam, quais as vantagens e desvantagens.

Fotos | Simon Yeo