Passagens de nível continuam a ser críticas e palco de acidentes fatais

Passagens de nível

Os números dos sinistros em passagens de nível vinham diminuindo, mas em 2019, o cenário está diferente. A quem cabe a responsabilidade?

O recente e fatal acidente ocorrido numa passagem de nível em Barcelos veio sublinhar, novamente, a pertinência da discussão em torno do tema.

De acordo com uma investigação do jornal i, nos primeiros seis meses do ano, o número de mortos nas passagens de nível no nosso país duplicou face aos 12 meses de 2018, pese embora a tendência dos últimos anos seja a de redução da sinistralidade.

Citando estatísticas da Infraestruturas de Portugal, o jornal i refere que, entre os dias 1 de janeiro e 19 de junho de 2019, contabilizaram-se oito vítimas mortais e seis feridos em acidentes em passagens de nível, três dos quais graves.

Em 2018 faleceram quatro pessoas

Em 2018, faleceram quatro pessoas e houve seis feridos – num total de 22 acidentes em travessias de nível – e em 2017 a cifra das fatalidades situou-se nas 11 vítimas.

Globalmente, a tendência de descida deste tipo de sinistralidade que se vinha verificando é atribuída à própria diminuição das zonas de conflito, ou seja, à redução das passagens de nível. Outro fator relaciona-se com a melhoria nas condições das travessias de nível que continuam a existir no país.

“A Infraestruturas de Portugal tem vindo a fazer, ao longo dos anos, um trabalho continuado na supressão e/ou melhoria e reforço das condições de segurança nas passagens de nível”, aponta a empresa ao jornal i, sublinhando que “em 2000, o total de passagens de nível na rede ferroviária era de 2494 e, em 2010, este valor foi reduzido para menos de metade (1107 passagens de nível)”.

Números oficiais referem que atualmente existem no território nacional 839 travessias de nível, um terço das que existiam há 19 anos.

A propósito do acidente ocorrido há algumas semanas em Barcelos, o Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF) afirma que “este acidente coloca em evidência, mais uma vez e de forma trágica, a necessidade de os utilizadores rodoviários das passagens de nível cumprirem escrupulosamente com as indicações dadas pelos sistemas de proteção existentes, resistindo à tentação de subestimar o risco envolvido”.

Diz ainda este organismo que “segundo os relatórios anuais de segurança publicados pelo Instituto da Mobilidade e dos Transportes, os acidentes em passagens de nível constituem a segunda maior categoria de acidentes envolvendo o transporte ferroviário, apenas ultrapassados pela colhida de pessoas fora destes atravessamentos”.

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