Portugueses são os melhores condutores do mundo

 

Todos acham-se os melhores, a autoestima é boa, mas em exagero pode ser ilusória. Como se pode reconhecer um condutor português? É confiante, excessivamente confiante. De várias formas, mas as caraterísticas mais relevantes são a forma como usam o automóvel. O português típico usa o veículo diariamente. Em média conduz 9.000 quilómetros por ano, num carro com uma das idades médias mais altas da Europa, mais especificamente 12,6 anos.

A cada semana, os portugueses percorrem entre 50 a 200 quilómetros em carros cuja vida útil é esticada ao máximo. Muitas vezes sem os cuidados necessários com a manutenção preventiva. Descubra mais caraterísticas dos autoproclamados “melhores condutores do mundo”.

Comportamentos dos “melhores do mundo”

Como grandes condutores que somos, temos tendência a acelerar a fundo. Quando arrancamos é tendencialmente com os pneus a patinar e com fortes travagens 100 metros à frente. As mudanças de velocidade são à “campeão”, a meio do percurso da embraiagem força a alavanca a sair da marcha engrenada.

No momento que engrena a velocidade seguinte solta a embraiagem de repente, fazendo todo o veículo sacudir, com a mecânica a ser violentada. Porém, o desgaste prematuro pode significar a substituição da embraiagem muito antes do previsto pela marca para este componente.

As viagens geralmente são curtas, muitas vezes menos de dez minutos de viagem. Nem dando tempo para aquecer o motor. Talvez o façamos por andar quase sempre com o depósito na reserva. Mas levamos a passear tralhas, bagagens e itens desnecessários. Assim, somando toda a tralha que carrega provoca o aumento do consumo de combustível. Será por isso que, como mencionado anteriormente, está sempre na reserva?

Peso e outros excessos

Mas o peso em excesso não só aumenta o consumo como quando é exagerado cria um esforço diversos componentes. Em primeiro lugar, motor, caixa e suspensão, mas também travões e direção. Os portugueses, os “melhores condutores do mundo”, também tem por hábito ficarem parados num semáforo com a mudança constantemente engrenada. Nas viaturas mais recente esse comportamento impede que o sistema Start/Stop atue, deixando o motor constantemente em funcionamento.

Os componentes que sofrem com esta prática são o prato de pressão e as molas. Outros condutores preferem segurar o carro numa inclinação com o motor, em vez de travarem. Este comportamento acaba por causar um desgaste elevado no disco de embraiagem.

Embraiagem em sofrimento

Ainda mais um “efeito especial” que os “melhores do mundo” costumam fazer, estar a circular num sentido e engrenar, com o carro ainda em movimento uma velocidade do sentido oposto. Por exemplo, passar de marcha-atrás para primeira com o veículo ainda a se deslocar par atrás. Por maior que seja a sua pressa e urgência tenha em atenção que pode danificar a caixa, a transmissão ou motor. O procedimento correto é imobilizar o veículo e, só depois, engrenar a velocidade pretendida.

Ainda mais um abuso frequente sobre embraiagem, o descansar do pé esquerdo no pedal de embraiagem. A justificação para este desleixo geralmente é o comodismo. Mas para isso existe o apoio de pé um pouco mais ao lado. Colocar o pé sobre a embraiagem provoca um aumento do desgaste, pois com os solavancos e movimentos de carroceria o pé por vezes aciona a embraiagem, mesmo que de forma ligeira.

Outro vicio comum é pousar a mão na alavanca da caixa de velocidades. Neste caso a desculpa é a maior facilidade e rapidez quando é necessário efetuar uma mudança de velocidade. A força desnecessária exercida sobre a alavanca pode resultar em desgaste prematuro do seletor. Mas convém lembrar que para possuir um controlo mais eficaz sobre o veículo as duas mãos deverão estar no volante.

Onde os “melhores condutores do mundo” guardam os carros

Mas serão os portugueses os melhores na gestão da sua frota e respetivo espaço de parqueamento? Um terço dos agregados familiares tem três, ou mais, veículos. Mas 31% dizem não ter estacionamento próprio, acabam estacionando na via pública. Os outros 69% possuem pelo menos um lugar de estacionamento em casa.

Em determinadas zonas consegue-se detetar diversos veículos do mesmo agregado familiar a usar a berma como estacionamento. Quanto mais antigos os prédios, maior a probabilidade de acontecer o estacionamento exterior à residência. Por exemplo, em Tóquio, no Japão, para ser autorizado a comprar um carro tem que provar que possui local onde o parar, fora da via pública.

Vícios dos “melhores do mundo”

Uma das maiores falhas é o “esquecimento” do uso do pisca. Neste campo são as mulheres as que mais vezes o utilizam no momento apropriado. Mas são as mulheres que mais prevaricam quanto ao uso do telemóvel enquanto conduzem. O local onde mais pessoas foram intercetadas a falar ao telemóvel foi nas autoestradas.

Outra “modalidade” nacional é o excesso de velocidade, 64% dos carros observados na A1 estavam em excesso de velocidade. Acha muito? Na A2 foram 67% os prevaricadores! Mesmo dentro das localidades, onde o risco é maior, ainda são 34% a circular acima do limite legal.

Os portugueses fazem uma interpretação muito “livre” do sinal de STOP. Foram 85% os que o abordaram como se de uma cedência de passagem se tratasse. Abrandaram, mas não pararam. Pior, destes, 18% forçaram a entrada, obrigado os que circulavam na outra via a alterar a sua marcha, reduzindo a velocidade ou mesmo parando.

Cerca de 40% dos condutores de automóveis foram detetados a passar o vermelho nos segundos imediatamente a surgir essa informação nos semáforos. Nos motociclistas, o percentual superou os 60%. Os portugueses continuam com uma grande relutância, para não chamar casmurrice, em não usar o cinto de segurança quando estão no banco traseiro. Só 66% das mulheres e 73% dos homens é que usam este dispositivo de segurança.

Mais alguns “vícios”

Os peões também prevaricam imenso, especialmente atravessando a via fora das passadeiras. Pela negativa destacam-se as crianças com 33% de incidência, sendo que 20% o faz na companhia de um adulto. As crianças aprendem com os exemplos, estamos a educar uma nova geração para continuar a repetir o comportamento de risco.

Como já referi no início do artigo a manutenção dos veículos nem sempre é a mais adequada. Os problemas mais comuns que vão sendo deixados por resolver são as luzes fundidas. Cerca de 10% dos veículos apresentam falhas neste capítulo. Sendo que 5% das deficiências eram nas luzes de travão.

O excesso de álcool e a condução é ainda um problema do nosso país. Foram detetados 1,8% dos condutores a circular com uma taxa de álcool acima do legal. Destes 0,3% apresentou valores acima dos 1,2 g/l, o que já é considerado crime. O género mais prevaricador foi o masculino, especialmente os mais jovens, na faixa etária dos 18 aos 24 anos.

Algo que estamos a evoluir positivamente é no uso da cadeirinha, o dispositivo de retenção de bebés e crianças. Este dispositivo de retenção só começa a ser “esquecido” quando as crianças ultrapassam os 6 anos. A partir daí o incumprimento aumenta. Relembro que o uso da cadeirinha, ou banco elevatório, é obrigatório até aos 12 anos. Nos casos que tenham mais que 1,35 metro de altura também deixa de ser obrigatório o uso. Cerca de 9% dos “melhores condutores do mundo” esquecem-se desta medida de segurança.

Foto | Michael,