A mudança do paradigma da mobilidade

 

O paradigma atual de mobilidade centra-se no transporte individual em veículos próprios, apesar das tentativas de incentivar o transporte coletivo. Em algumas cidades, poucas, existem taxas altas de utilização destes transportes, geralmente na vertente multimodal. Em outros casos e essencialmente devido à orografia de cada urbe existem outros modos que são muito utilizados. Numas cidades circula-se a noutras de bicicleta, cada caso é um caso.

Os ambientes urbanos estão por norma mal preparados para os modos não gastadores de energia e com sistemas de transportes coletivos deficitários na cobertura, com muitas falhas de pontualidade e horários desadequados das necessidades. Este cenário encontrar-se estabilizado há decénios, mesmo com sistemas intermodais mais modernos a oferta por vezes não é atrativa. Veja como deverá ocorrer a mudança do paradigma da mobilidade.

Veículos particulares vs. Veículos partilhados

No paradigma atual os veículos particulares implicam a aquisição, pagamento de impostos e manutenção destes. No entanto disponibilizam uma mobilidade imediata a qualquer momento… desde que a cidade onde reside, ou para onde pretende se deslocar “aceitar” que o seu veículo lá circule. Estas limitações geralmente são impostas devido ao não cumprimento de determinadas normas de emissões de poluentes.

Convém recordar que um veículo particular permanece estacionado mais de 90% do tempo. Assim, o seu custo real terá que ser “dividido” apenas pelo tempo de uso, ou distancia percorrida. Mesmo que mantenha um valor não tangível pela sua disponibilidade imediata quando o utilizador necessita. Desta forma a grande mais valia do veículo particular é a garantia de mobilidade.

Nos Estados Unidos da América o conceito de carpooling foi se desenvolvendo, popularizando a ideia de partilha. Ao mesmo tempo foi eliminando aos poucos o sentimento da necessidade da propriedade. Estes fatores em conjunto com a maior consciência ecológica irá fazer avançar estas opções. Mesmo que daqui a alguns anos o surgimento em massa de veículos autónomos irá revolucionar por completo a mobilidade.

Veículos próprios vs. Veículos de terceiros

A mobilidade é um assunto na ordem do dia, e com ela aproxima-se uma mudança do paradigma em todo o setor automóvel. O desenvolvimento tecnológico, com o surgimento de apps que fornecem mobilidade através de veículos de terceiros, sendo a Uber a mais conhecida, veio reduzir a necessidade das pessoas que pouco usam o carro de terem que os adquirir.

Estes novos serviços terão necessidade de se diferenciar, apostando em veículos novos e de novas tecnologias. Devendo ser eles a liderar a evolução tecnológica indicando o que será o caminho do futuro (condução autónoma). A redução do custo por quilómetro permitirá compensar os custos permitindo baratear o fornecimento de serviços ao cliente final.

Os jovens de hoje valorizam a mobilidade em si e não desejam a propriedade dum veículo próprio. A vida, quer social quer familiar, geralmente é centrada nas grandes urbes, estando já habituados a diferentes soluções de mobilidade desde sempre. A redução do custo das soluções tecnológicas atuais é muito valorizada, pois disponibiliza verbas para a aquisição de outros bens, por norma gadget’s, ou outros serviços.

A propensão de partilhar bens é transversal à nova geração incluindo, por exemplo, a habitação permanente ou o alojamento de férias. Pelo que os automóveis são só mais algo partilhado. Serão as marcas de automóveis, e os outros “players” na área da mobilidade, que terão que arranjar soluções inovadoras e atrativas para os mais jovens. Pois as suas preferências de consumo são distintas agora.

A mobilidade e a fiscalidade

Diversas cidades europeias já estão a proibir a circulação de viaturas que produzam mais que um determinado nível de emissões poluentes. Algumas a fim de continuarem a receber apoios indicam Zona de Emissões Reduzidas (ZER) sem as aplicar na prática. Basta não fiscalizar que veículos por lá circulam. Mas a qualquer momento este fechar de olhos pode mudar, acelerando a mudança do paradigma da mobilidade.

Do mesmo modo a fiscalidade sobre os veículos não poluentes (entenda-se que não queimam combustível diretamente), tem sido particularmente baixa. Onde por vezes se reduz e noutras se isenta a tributação no momento da compra de veículos híbridos plug-in ou 100% elétricos.

Mas agora, que as vendas começam a ter já alguma relevância, chamou a atenção dos governos que procuram sempre novas fontes de financiamento. Assim como a gratuitidade dos sistemas de recarga públicos já estão a terminar, iniciando as cobranças pelos postos de carga rápidos. E provavelmente os postos “lentos” serão sempre gratuitos, até serem substituídos por rápidos…

Assim, e dum ponto de vista de economia fiscal, a utilização de viaturas híbridas plug-in ou elétricas revela-se proveitosa. Enquanto as entidades governamentais considerarem-nas como benéficas na proteção do ambiente. Servindo para um aumento da consciencialização das empresas e dos particulares nesta área. A nível de emissões totais, entenda-se de construção do veículo, o método de gerar a energia e trasnporte desta, os valores ainda não está totalmente apurados. Uma coisa é certa o veículo é muito menos poluente na sua utilização.

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