Quando as câmaras digitais substituem os retrovisores

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De certeza que já notou que alguns protótipos apresentados por marcas, designers ou preparadores automóveis não possuem retrovisores, apesar desses elementos serem essenciais à segurança passiva do veículo. Mas será que não possuem mesmo?

Na verdade eles estão lá, mas sob outra forma. Atualmente estão a ser utilizadas câmaras digitais para substituírem os retrovisores tradicionais. Já nos familiarizamos com câmaras de ajuda à marcha atrás, mas para quando a utilização de novos retrovisores nos veículos modernos?

A evolução da industria

A industria automóvel é, desde sempre, palco de constantes evoluções. No início do século XX, as evoluções centravam-se essencialmente na parte mecânica, esse foco alterou-se para o design nos anos 50 e 60, especialmente nos Estados Unidos da América.

Nos anos 70 e 80, devido à crise petrolífera, os fabricantes japoneses apostaram em veículos económicos, com um melhor aproveitamento do combustível graças a motores mais pequenos e mais eficazes.

Nesta década e meia do século XXI, a industria automóvel está a ser fortemente influenciada pela tecnologia, com a inclusão de numerosos “gadgets” nos modelos do dia-a-dia, desde sistemas de entretenimento até acessórios que considerávamos como sendo eternos e agora estão a desaparecer, como por exemplo os retrovisores, tanto os externos como os internos, substituídos por camaras digitais que projetam as imagens em ecrãs posicionados no interior do veículo.

Legalidade das câmaras digitais

Os retrovisores já tantas vezes dispensados nos protótipos e “concept cars”, na verdade são obrigatórios na legislação que homologa os veículos, pelo que a sua eliminação e substituição por câmaras digitais, tanto no exterior como no interior, carece de enquadramento legal.

O primeiro país a alterar a lei de forma a permitir o uso legal em estrada deste sistemas em substituição dos retrovisores será o Japão.

A razão da preferência pelo modelo digital deve-se à facilidade de conjunção com outros sistemas de deteção de perigos, que em conjunto com os custos estéticos, as limitações que colocam no desgin das carrocerias e implicações aerodinâmicas, levam a que o governo japonês preveja deixar cair as últimas barreiras legais que impediam a transposição dos sistemas de monitorização por câmara digital para as novas viaturas futuramente comercializadas no país.

A deliberação a ser tomada pela jurisdição japonesa deverá ser seguida em breve pela União Europeia, que tem prevista uma revisão dos regulamentos neste domínio ainda durante o ano de 2016, sendo prevista a aplicação em breve. Nos Estados Unidos da América a alteração legislativa também será rápida, e alguns analistas informam que poderá vir a ser adotada já em 2018. Fica, no entanto, a faltar um dos maiores mercados automóveis do mundo, a China, que se aproxima a passos largos do que mais de moderno se faz em todo o mundo, e este progresso chines não é só na área automóvel.

Fabricantes pedem, fornecedores adaptam-se

Como resultado destas alterações legais prevista no Japão, e a procura dos clientes por automóveis equipados com esta tecnologia, levaram os construtores a pressionar os fornecedores a mostrarem soluções. A Ichikoh Industries, o principal fornecedor japonês deste tipo de tecnologia e a alemã Bosch, comprometeram-se a fornecer todos os construtores automóveis presentes no mercado japonês com soluções de monitorização por câmara digital e dispositivos de vídeo para a visualização.

Uma marca que está a apresentar variações dos seus modelos de produção atuais já com esta tecnologia é a BMW, na feira de tecnologia CES, mostrou em 2015 um i8 sem retrovisores, propositadamente apelidado BMW i8 Mirrorless, a solução apresentada é muito tradicional e simplista, pois apenas os substitui por câmaras colocadas em dois pequenos suportes nos locais dos retrovisores.

Mas apresenta uma inovação, pois as imagens dessas duas câmaras, em combinação com uma terceira câmara na retaguarda, são depois utilizadas para criar uma imagem interativa que é projetada num ecrã de 30 por 7,5 centímetros que substitui o retrovisor interno.

Este sistema é capaz de monitorizar constantemente a posição dos outros carros ao redor do i8 e a marca garante que a nova tecnologia elimina completamente os ângulos mortos do carro, aumentando consideravelmente a segurança.
As lentes das câmaras do BMW i8 são feitas com um tipo de vidro chamado Gorilla Glass Type 2, semelhante ao usado em alguns smartphones. Portanto a tecnologia está disponível, a indústria está disposta a apostar nela e os legisladores estão a adaptar a lei, pelo que a chegada ao mercado será muito rápida.

Foto | BMW