Carros elétricos: preços e autonomia

Os automóveis elétricos são cada vez mais amigos do ambiente, pelo menos em relação às emissões diretas de gases poluentes. Com um consumo de energia mais reduzido e a autonomia aumentada. Este resultado é conseguido através da maior eficiência energética dos motores, mas essencialmente pela maior autonomia das baterias.

Devido às limitações que cada vez mais cidades europeias colocam aos veículos de combustão os elétricos começam a ganhar terreno. Mas o nosso país não é exceção, as vendas começam a ganhar volume. Vejamos então os preços e autonomia dos modelos disponíveis em Portugal.

A Associação Europeia de Fabricantes Automóveis destaca que a opção por veículos movidos a energias alternativas na União Europeia tinha aumentado no primeiro trimestre 26,9%. Mas analisando de forma mais detalhada, constatamos que as vendas de carros elétricos cresceram 34,3% e no caso dos híbridos plug-in o aumento foi de 60,2%.

A Alemanha encabeçou o aumento de veículos movidos a energia alternativa com mais 73,4%, seguindo-se a Espanha com mais 53,4% e a França com 15,3%. Assim, nos 28 Estados-membros da União Europeia foram vendidos quase 140 mil carros híbridos elétricos, representando uma subida de 25,7%.

Os mais vendidos em Portugal

Em Portugal, nos primeiros três meses de 2018, foram vendidos 726 carros elétricos, quase duplicando o valor do ano transato. Mas o total de carros movidos a energias menos poluentes foi de 3.777, uma subida de 75,2%. Analisando o tipo de veículos 794 foram híbridos plug-in, com um incremento de 104,1%, apoiado por medidas governamentais e 1.664 híbridos, que subiram 64,3% as suas vendas.

No topo dos mais vendidos em Portugal estão as marcas consideradas tradicionais. Pois estas conseguem, aproveitando as suas sinergias, modelos atrativos com um preço mais módico, adequado ao “bolso mais pequeno” dos portugueses. Assim, na liderança encontramos o Renault Zoe, seguido do Nissan Leaf, fechando o pódio está o Citroen C-Zero.

Depois segue-se o Smart ForTwo EQ e o BMW i3. Como curiosidade o modelo da Renault consegue vender mais que as outras quatro marcas juntas. Este é um fato de relevo pois as vendas têm registado um aumento significativo de ano para ano, desde o lançamento. Mas ainda assim, de acordo com os dados da Associação Automóvel de Portugal, os carros elétricos representaram apenas 0,7% das vendas totais de automóveis ligeiros no ano passado.

Preço dos elétricos

Como já foi referido atrás o preço dos modelos influencia no volume de vendas em Portugal. Por isso este fator é um dos pontos essenciais para conseguir concretizar vendas no nosso país. A seguir está a lista dos 10 carros elétricos mais baratos à venda em Portugal, a ordenação é crescente consoante o valor de venda:

Modelo                                              Preço de venda

1. Renault Twizzy…………………………….8.040€
2. Smart ForTwo EQ……………………….19.650€
3. Volkswagen E-UP!………………………27.769 €
4. Nissan Leaf………………………………..29.300 €
5. Peugeot I-ON………………………………30.390€
6. Renault Zoe………………………………..30.410 €
7. Citroen C-Zero…………………………….30.647 €
8. KIA Soul EV……………………………….30.890 €
9. Peugeot Partner Tepee Electric……..31.765 €
10. Hyundai Ioniq Electric……………….39.500 €

A venda de carros elétricos tem subido em toda a Europa e Portugal segue a tendência do mercado europeu. O Governo de Portugal manteve para este ano os incentivos para a aquisição de carros elétricos, mas agora abrange também os veículos de duas rodas. As candidaturas podem ser feitas no portal do Ministério do Ambiente.

O Estado oferece 2.250€ no caso dos automóveis e 20% para os veículos de duas rodas, mas limitado a um máximo de 400 euros. Porém a oferta é limitada aos primeiros 1.000 pedidos. Se pondera a aquisição dum veículo elétrico informe-se sobre a disponibilidade desta oferta.

Mas o mais certo é que este ano já não tenha direito à mesma. Mesmo assim, tenha atenção que as candidaturas só podem ser submetidas depois da compra do carro, ou da mota, já que é preciso um comprovativo de matrícula em nome do proprietário. Pelo que nunca terá 100% de certeza de o obter.

Qual a autonomia dos elétricos

Na ponderação para avançar para a compra dum veículo elétrico um dos fatores que preocupa o potencial comprador é a autonomia… ou melhor, a falta dela! Mas, para conseguir ser imparcial, nesta análise será usado o WLTP (Worldwide harmonized Light-duty vehicles Test Procedures). O que em português significa “Procedimento de teste global harmonizado para veículos ligeiros”. Este teste foi criado para demonstrar valores de consumo mais próximos da realidade do dia-a-dia.

Os fabricantes são legalmente obrigados a informar os valores de consumo, porém este é influenciado pelas condições de utilização, velocidade e gadget’s ou acessórios ligados. Assim, com base nos dados oficiais podemos organizar uma tabela com os veículos que apresentam, teoricamente, a maior autonomia. Estes são os 10 carros elétricos com mais autonomia no mercado, a saber:

Modelo                                             Autonomia WLTP
1 – Tesla Model S 100D…………………..…..505 km
2 – Jaguar I-Pace SUV………………………..480 km
3 – Hyundai Kauai Electric 204 CV…..….470 km
4 – Tesla Model 3 “long range”………….…460 km
5 – Tesla Model X 100D……………..……….425 km
6 – Opel Ampera-e……………………..………390 km
7 – Audi e-tron………………………….………..375 km
8 – Nissan LEAF 2018 E-plus…..………….360 km
9 – Renault ZOE ZE40 R90……….………..300 km
10 – BMW i3……………………………..……….255 km

Novidades em catadupa

Cada vez mais construtores apresentam propostas neste nicho cada vez mais competitivo e apetecível. As evoluções tecnológicas que os veículos apresentam são um trunfo de venda, assim como a diferenciação em relação aos demais. Porém com a mudança de paradigma em relação aos automóveis já no horizonte não é claro como será a evolução.

Mas as novidades são quase diárias, com novos modelos, até de marcas desconhecidas, já a circular nas estradas de todo o mundo. O leque de escolha é variado, desde os preços, as versões e os níveis de equipamento. Porém a banalização da compra de automóveis está se aproximando daquela que se sente ao comprar um smartphone.

Mas a evolução pode ser mais “radical” com a prevista chegada dos veículos autónomos. Os diversos fabricantes e outros “players”, especialmente os da área tecnológica, estão a apostar forte para ficarem bem posicionados neste mercado que está a ser criado. Ninguém sabe com 100% de certeza o que o futuro reserva, mas deverá passar por algo autónomo e pago por utilização. Mas esperemos para ver.

Custo do carregamento em locais públicos

O assunto relativo aos pagamentos dos carregamentos nos postos públicos dos carros elétricos não é recente. Recentemente, o secretário de Estado do Ambiente, José Gomes Mendes, anunciou que os carregamentos rápidos de veículos elétricos na rede pública Mobi.E vão começar a ser pagos a partir de 1 de novembro. Isto depois de terem falhado os últimos dois prazos avançados pelo Governo. A saber, 1 de julho e 1 de outubro de 2018.

Os atrasos deveram-se a dúvidas sobretudo tecnológicas e de comunicação entre os intervenientes. Mais especificamente entre os operadores dos pontos de carregamento, quem os comercializa e a entidade gestora da rede de mobilidade, a Mobi.E. Há vários meses que os operadores de pontos de carregamento elétrico reclamam a introdução dos pagamentos na rede.

Mas agora a grande questão  é a cobrança de uma taxa adicional no valor de 2,85€. A conhecida “taxa da RTP”, cujo nome correto é “Contribuição para o Audiovisual”. Esta taxa poderá ser adicionada à fatura mensal dos contratos de mobilidade elétrica. A taxa foi criada para financiar o serviço público de televisão e rádio.

Mas esta medida é muito mal acolhida junto das empresas e associações de proprietários de veículos elétricos. Caso seja aplicada onera o uso deste tipo de veículos. Como exemplo, a EDP revelou que “carregar 80% da bateria de um BMW i3 custa entre 2,3 e 3,1 euros”. No caso de um Nissan Leaf, o custo variará “entre 3,5 e 4,8 euros”. Mas isto é ainda sem a comissão do operador do ponto de abastecimento, sem a taxa da Mobi.e e sem a famigerada “taxa da RTP”.

Foto | Wikimedia, MaxPixel, Richard Uten