Semáforos: Como passar todos com verde?

passar com verde

Não há nenhum truque na manga, nem segredo milagroso para chegar aos semáforos e encontrar «autorização» para passar. No entanto, a tecnologia pode vir a dar uma mãozinha neste âmbito.

Estamos num período revolucionário da história da mobilidade e do transporte. Da perspetiva da segurança rodoviária, a aplicação de novas tecnologias permite pensar num panorama de futuro em que os acidentes de trânsito se reduzam a praticamente zero.

Estes avanços tecnológicos estão, na atualidade, concentrados em desenvolver as diferentes fases prévias até à consecução da condução autónoma plena. O caminho inclui a introdução e integração de diferentes sistemas que irão ajudar antes de chegar à mencionada meta do carro autónomo. Entre as tecnologias estão as várias soluções que procuram otimizar a relação entre o trânsito e os semáforos.

Há vários fabricantes na indústria automotiva a trabalhar nesse sentido. O último a anunciar novidades foi a Ford. A marca está a testar um novo tipo de aplicação para automóveis, batizada como Green Light Optmal Speed Advisory, que se pode traduzir como Assistente de velocidade ideal para passar os semáforos com luz verde.

O sonho de chegar a todos os semáforos com verde

O sistema promete realizar por si próprio uma gestão em tempo real dos semáforos e dos tempos que demoram abertos. Esta função permitiria analisar dados e regular a velocidade para passar com verde todos os sinais que encontremos na rota que escolhemos.

Para já, existe um projeto piloto para aplicar a tecnologia em condições de condução reais. Será testado nos carros conectados com sistema de condução autónoma do organismo britânico UK Autodrive. Trata-se de um consórcio de empresas, apoiadas pelas autoridades do Reino Unido, que tem como objetivo a integração da condução autónoma nas estradas desse país. Para tal, já foram investidos 25 milhões de euros.

Smart driving, nas smart cities

As vantagens de um sistema assim estendem-se a diferentes campos. Segundo o supervisor de tecnologias de assistência à condução do departamento de Pesquisa e Desenvolvimento da Ford nos Estados Unidos, Christian Ress: Uma das coisas mais incómodas ao conduzir é encontrar invariavelmente os semáforos vermelhos, ainda mais quando a condução é para ir ou voltar do trabalho após uma jornada de stress. Por isso, permitir aos condutores passar os semáforos com verde, também equivale a ter uma rota mais agradável e fluida que ajudará a melhorar o trânsito e a oferecer uma redução significativa de dióxido de carbono e de consumo de combustível.

A promoção da Ford do seu novo sistema culmina com a quantificação do tempo que passamos parados durante a nossa vida em engarrafamentos: até 72 dias em média, por volta de 40 minutos diários, graças ao trânsito lento.

É necessário um sistema inteligente para os semáforos?

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Em papel, a introdução de um sistema assim seria muito benéfica. Por aqui já falámos sobre as horas de condução e o que isso significa em termos de stress, economia ou impacto urbano. Deste modo, os estudos mostram que cerca de 1% do PIB europeu se perde em engarrafamentos.

Por isso, este não é um tema irrelevante. Mais do que isso, a projeção do crescimento dos engarrafamentos não é, na maioria das grandes cidades, esperançosa. Pelo contrário, é de esperar que o tempo que se perde em consequência do trânsito lento continue a aumentar.

Um sistema assim concorda com a ideia de smart city para permitir uma gestão mais eficiente do trânsito que poupe tempo, combustível e stress, beneficiando consequentemente em termos de segurança rodoviária.

Seria ainda uma grande ajuda para reduzir os níveis de poluição que se estão a tornar num grave problema para todo o planeta.

A evolução do trânsito urbano

Veremos oque o futuro nos reserva para esta nova tecnologia que ainda está a nascer A verdade é que esta já não é a primeira vez que estamos perto de um sistema assim. Em 2014, o MIT (Instituto Tecnológico de Massachussetts) desenvolvia um algoritmo que tinha em conta todas as variáveis globais que ocorrem no trânsito das cidades. O objetivo era o mesmo, estabelecer sequências de passagem ideais dos semáforos por parte dos veículos.

O que parece claro é que este  tipo de tecnologias ser vão suceder nos próximos anos, com margens de introdução em intervalos cada vez mais breves. A condução autónoma, no final de contas, será apenas mais um aspeto que nos espera na próxima década no campo da automoção. O objetivo final não é apenas a nossa comodidade, mas também que o acidente passe a ser uma exceção.

Imagens | iStock/snvv e iStock/RossHelen

Fonte: CirculaSeguro.com