A estrada chinesa do futuro

estrada solar

É ambiciosa, mas faz parte dos planos da China para deixar de ser o país mais poluente do mundo. Inclui painéis solares, carregamento sem fios e assistência para carros autónomos. O Circula Seguro conta-lhe tudo!

A China está a transformar-se aos poucos num laboratório de testes e cenário para inúmeras invenções e novas tecnologias. É cada vez mais notícia pela dimensão do país e também pelo potencial económico do governo, podendo ter repercussão global. A mais recente novidade até pode parecer ficção, mas já está cada vez mais próxima da realidade: a estrada do futuro.

Uma autoestrada solar

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O país mais poluente do mundo quer ser campeão do meio ambiente e das energias renováveis (já e líder em energia solar) e não hesita em investir em projetos que ainda distam muito de qualquer conceito de rentabilidade.

Em concreto, um troço de autoestrada de 1,2 milhas (menos de 2km), coberta inteiramente de painéis soares, custa cerca de 3 000 yuan (390 euros) por metro quadrado.

Este troço encontra-se na autoestrada que circunda Jinan, uma importante cidade do Este da China. Segundo a promotora do projeto, cada quilómetro terá a capacidade de gerar até um milhão de kW por ano, o suficiente para abastecer 800 casas, ainda que a sua finalidade seja fornecer a iluminação da estrada, câmaras de segurança, sinais de trânsito, etc.

Os painéis solares serão apenas uma das capas desta estrada. Tudo estará coberto por uma capa de cimento transparente, que permitirá a passagem da luz solar e que, de acordo com o fabricante, oferece as mesmas prestações de aderência que o asfalto comum, com dez vezes mais de resistência ao peso dos veículos. A última capa, mais profunda, servirá como isolamento da humidade do terreno.

Quilómetros de recarga sem fios

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Gerar energia não é a única função que esta estrada terá. Também vai servir para carregar sem fios, através de indução magnética, os carros elétricos que nela circulem. Isto por meio de uns painéis de carregamento dispostos na segunda capa, junto aos painéis solares.

Por último, também se afirma que as funções automatizadas do automóvel possam aproveitar os dados oferecidos pela própria estrada, pensando principalmente no carro autónomo.

Primeiros problemas

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Em qualquer caso, a autoestrada solar de Jinan já teve o primeiro contratempo. Apenas uma semana depois da inauguração, houve quem «subtraísse» 1,8m da infraestrutura.

As autoridades acreditam que se trate de um caso de espionagem industrial, pois o material roubado só pode servir para quem queira copiar a tecnologia.

Não é a primeira estrada solar

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Este projeto não é o primeiro já desenvolvido com estas caraterísticas. Há uns anos falou-se na empresa norte-americana Solar Roadways, que propunha precisamente o desenvolvimento em grande escala de uns painéis solares especiais capazes suportar o tráfego rodoviário.

Desde então, a Solar Roadways conseguiu mais de 2 milhões de dólares em crowdfunding e abriu sua primeira unidade piloto em Idaho.

Na mesma cidade de Jinan apresentou-se no ano passado um troço de via urbana com 160m de comprimento, com 660 metros quadrados de painéis solares. Ao gerar energia e às outras funções que já vimos, podia juntar-se também, neste caso, a criação de calor para derreter a neve e evitar a formação de gelo. Em qualquer caso, este é um sistema algo mais rudimentar.

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Mas não é preciso ir muito longe para encontrar antecedentes desta estrada solar. A sempre comprometida Holanda foi pioneira ao desenvolver desde 2014 carris de bicicleta (tinha de ser) com painéis solares integrados. E em França não é menos conhecida (nem isenta de polémica pelo seu elevado custo) a estrada solar da localidade de Tourouvre-au-Perche, na Normandia, que dispõe de 2800 metros quadrados de painéis solares ao longo de um quilómetro.
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Imagens |Governo de Ningbo | Solar Roadways |
Fonte: CirculaSeguro.com