O que é a massa do veículo?

Massa? É de comer? Mas este site não é de segurança rodoviária? Ou afinal será que este é mais um destes sites da moda, um site de culinária? Com receitas de massa fresca para fazer em casa e outras delícias que tais?

A massa que aqui tratamos não é pasta, ou outra massa alimentícia. A massa do veículo é geralmente descrita como sendo o peso que este possui. Porém na física, massa e peso são propriedades diferentes. Vejamos a sua influencia na segurança rodoviária.

A massa é uma medida da inércia de um corpo, uma grandeza escalar que mede a oposição que um corpo apresenta a mudanças na sua velocidade quando observado a partir de um referencial inercial. Enquanto o peso, uma grandeza vetorial é a força resultante da interação gravitacional entre este corpo e algum outro a seu lado.

Assim, o peso depende das massas dos corpos envolvidos na interação gravitacional bem como da distância que os separa, mas os conceitos de peso e massa são bem distintos. Também existe alguma confusão entre massa e a quantidade de matéria. Estas grandezas que, apesar de estarem quase sempre relacionadas, têm definições bem distintas.

O peso de um corpo é a força com que a Terra o atrai. Massa é uma grandeza escalar e o peso é vetorial, a massa é medida pela balança e o peso num dinamômetro. A massa não muda de acordo com a gravidade do planeta, já o peso muda. A unidade de massa é dada em quilogramas (kg) e o peso é dado em Newtons (N).

Qual a evolução da massa ao longo dos anos

O objetivo é que os carros fiquem cada vez mais leves e todos os anos essa tendência tem vindo a aumentar, ainda que seja difícil de conquistar. Apesar disso os carros novos são mais eficientes. Possuem uma economia de combustível média mais baixa e as emissões de dióxido de carbono caíram ao longo dos últimos 30 anos.

Esses ganhos chegaram através de motores mais eficientes e da adoção de novas tecnologias, como por exemplo o “Start/Stop” e a desativação de cilindros. Mas poderia ser ainda melhor se tivessem uma massa menor.

Esse aumento vem dos motores e maiores, apesar de serem mais eficientes. Mas também do aumento da segurança, com o reforço de estruturas, talvez o único ponto positivo no ganho de massa. E ainda, com o aumento de comodidades e gadgets a bordo.

Implicações de uma maior ou menor massa do veículo

Aumentar o peso e a potência dos veículos aumenta as emissões e tem um impacto relevante na segurança rodoviária. Em relação aos automóveis de passageiros, uma análise de colisões em França concluiu que os condutores do sexo masculino, com idade inferior a 30 anos, conduziam veículos com maiores índices de potência/peso.

Continuando a análise, apurou-se que estes estavam envolvidos em colisões mais graves do que os outros jovens sinistrados que circulavam em veículos menos potentes e com uma menor massa. Uma conclusão a merecer reflexão.

Colocar limites nos rácios de potência para o peso do veículo pode produzir benefícios de segurança significativos. Esta foi uma das conclusões da OCDE em 2004. Reduzir estes índices é também uma das formas mais eficazes de reduzir o consumo de combustível do veículo.

Os custos do aumento da massa do veículo

O consumo de combustível dum veículo ligeiro, com uma massa de 1000 kg, aumentará 7% de cada vez que um veículo aumentar 100 kg. Se a massa diminuir 300 kg, o consumo de combustível seria reduzido em 21%.

Assim, pagamos um custo oculto pela “obesidade” dos nossos veículos. Eles podem estar sorvendo menos combustível, reduzindo a degradação do meio ambiente e o aquecimento do planeta.

O aumento de peso, por motivos estruturais é mais seguro para os seus ocupantes e mais perigoso para outros veículos e pessoas na estrada. Não é preciso ser doutorado em física para saber que, numa colisão de um ligeiro mais leve com um mais pesado, normalmente os mais afetados serão os ocupantes do veículo leve.

Qual o custo do aumento de massa nas colisões

Um documento de trabalho divulgado por dois economistas da Universidade da Califórnia, Berkeley, Maximilian Auffhammer e Michael Anderson, aborda esta questão, tentando apurar o preço nas mortes associadas aos carros grandes.

Analisaram dados de acidentes de oito estados americanos, identificando o tipo e peso de veículos envolvidos em colisões. Os pesquisadores confirmam que os carros mais pesados matam mais. De fato, “para o peso do veículo próprio, sendo atingido por um veículo com mais 500kg de massa resulta num aumento de 47% na probabilidade de um acidente fatal.

Os pesquisadores então estabeleceram um calculo do “risco externo” causado pelos veículos mais robustos. Em primeiro lugar, eles consideraram um cenário em que um condutor escolheu entre um carro com o peso médio do ano modelo de 1989 de 1350 kg ou o peso de 2005 de 1.650 kg.

O carro mais pesado aumentou a expetativa de fatalidades em 0,00027 por carro. Parece pouco, mas dizendo que são 27 mortes por 100.000 desses veículos, já parece algo mais fácil de perceber. “Resumindo isso se traduz num custo externo total de US $ 35 mil milhões por ano”, usando o valor estatístico do Departamento de Transporte dos EUA de uma vida “custar” US $ 5,8 milhões.

Extrapolaram a simulação para os casos em que o condutor escolheu o menor carro disponível no mercado, o custo aí sobe para US $ 93 mil milhões por ano. O custo ultrapassa os US $ 150 mil milhões por ano, se incluirmos o custo das mortes de peões e motociclistas e os casos de colisões múltiplas.

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