O que é a relação peso/potência?

Quando alguém está interessado num carro geralmente pergunta pela potência, pela velocidade que é capaz de alcançar ou a sua rapidez para alcançar os 100km/h. Raramente conseguem ter a perceção que, para um carro andar bem, não precisa de ter uma potência elevada, mas sim uma boa relação peso/potência.

Naturalmente, a potência é importante para atingir uma velocidade elevada e conseguir mantê-la por um bom período de tempo. Mas não é tudo! Algumas marcas especializaram-se em nichos de mercado, e para conseguirem grandes performances, alicerçaram os seus modelos em outros parâmetros. Saiba quais aqui.

A relação peso/potência ajuda a ter uma noção das performances que o carro será capaz de cumprir. Se o que procura é um carro desportivo, com muito “instinto” para realizar curvas, opte por um com pouco peso e com um rácio peso/potência relativamente baixo.

Claro que este dado por si só não é suficiente para determinar um automóvel. Existem outros fatores que contam, como um baixo centro de gravidade, uma boa aerodinâmica, um motor com binário elevado e relações de caixa bem escalonadas.

Vamos às contas, começando pelo motor…

Considerando só o próprio motor, podemos chegar imediatamente a algumas conclusões. Se o motor for um V8 com 300 kg, mesmo que tenha 400 cv, terá logo um rácio inicial de 0,75 kg/cv. Isto sem sequer ter em conta a carroçaria onde será instalado.

Mas, caso se trate de um motor pequeno, de baixa cilindrada, e elevada performance o caso muda de figura. Vejamos o novo motor da Nissan DIG-T R, com 3 cilindros e só 1.500cc, mas com 400 cavalos. Atenção que se trata de um motor de competição.

Este motor tem uma relação peso/potência absolutamente fabulosa, pois pesa somente 40 quilos. Com estes números o rácio cai para 0,10 kg/cv, um valor abaixo dos atuais da Fórmula 1.

Na modalidade rainha da velocidade, com os motores 1.6 turbo e a unidade elétrica, o peso mínimo obrigatório é de 145 kg, sendo estimada a potência em cerca de 1000 cv. Apesar de impressionante, o rácio peso/potência situa-se nos 0,15kg/cv.

No mundo dos automóveis podemos ver um exemplo interessante partindo de um veículo de estrada “normal”. O Seat Leon Cupra (ainda que com um cheirinho desportivo) cujo motor pesa cerca de 170 kg e debita 300 cv, possui uma relação de 0,57kg/cv.

Mas caso o comparemos com a versão de competição do mesmo modelo, o motor já debita 350cv. Com esta potência, a relação peso/potência baixa para 0,49kg/cv, representando uma superioridade extraordinária em relação à versão de estrada. Mas o veículo completo, o Seat Leon Cupra Cup, pesa 1.119kg, o que no representa um rácio de 3,20kg/cv.

…e os automóveis do dia-a-dia, que valores apresentam?

Já agora aqui fica uma lista com alguns rácios peso/potência de alguns carros. Optámos por colocar alguns dos mais conhecidos e vendidos em Portugal, mas também alguns outros que vemos com alguma frequência nas estradas.

Os veículos normais apresentam valores entre os 15 e os 9kg/cv, os pequenos desportivos situam-se entre os 9 e os 5kg/cv. Os veículos que apresentam valores abaixo de 5kg/cv normalmente são já considerados desportivos a sério. Abaixo de 3kg/cv geralmente são chamados de superdesportivos.

Existe ali um “intruso”, o Tesla, que devido à sua motorização elétrica aparece sempre bem classificado em tudo o que implique potência e velocidade de arranque, mas depois fica um pouco mais para trás em agilidade, devido ao excesso de peso! São 2.100kgs!!!

Compare os modelos e os valores e perceberá que para ser um desportivo de elite tem que apresentar um valor baixíssimo. Mas depois, na estrada, existem mais alguns fatores que desequilibram a balança. Aqui ficam os valores:

Volkswagen Beetle 1.2 TSI Cabrio – 12,57 kg/cv
Opel Adam 1.0 EcoTec – 12,01 kg/cv
Renault Clio 1.5 DCi – 11,89 kg/cv
Volkswagen Golf 1.6 TDI – 11,26 kg/cv
Audi A4 2.0TDI – 10,35 kg/cv
Range Rover Evoque TD4 – 9,25 kg/cv
Volkswagen T-Roc 2.0 TSI 190 – 7,86 kg/cv
Volkswagen Golf GTD 2.0 TDI – 7,17 kg/cv
Abarth 124 Spider – 6,24 kg/cv
Ford Fiesta ST – 5,44 kg/cv
Porsche 911 4S – 4,14 kg/cv
BMW M3 V8 – 3,76 kg/cv
Mercedes-Benz C63 AMG V8 – 3,70 kg/cv
BMW M5 V8 Biturbo – 3,52 Kg/cv
Tesla P85D – 3,04 kg/cv
Lamborghini Gallardo LP 560M V10 – 2,73 kg/cv
Ferrari 488 GTB– 2,20 kg/cv
Ferrari LaFerrari – 1,67 kg/cv
Koenigsegg One:1 – 1,00 kg/cv
Formula 1 2017 – 0,73 kg/cv

Os números apresentados são dos carros quando vazios, porém, é possível somar ao peso do carro o peso aproximado dos ocupantes e das bagagens e dividi-lo pela potência para se ter uma ideia de seu comportamento quando cheio.

Tomemos o exemplo do Audi A4 2.0 TDI. Partindo de um valor inicial de 10,35kg/cv, ao adicionarmos o peso referente a 4 passageiros e carga equivalente a bagagem de férias dessas mesmas 4 pessoas, o rácio altera-se dramaticamente. Dispara para 13,50kg/cv.

A marca “especialista” no baixo peso dos modelos

Modelos como os desportivos da marca inglesa Lotus, possuem uma potência relativamente baixa. Um dos modelos mais vendidos da marca, o Elise “nasceu” originalmente só com 118cv, na sua versão menos musculada, mas graças aos seus 725kg, e mais alguns atributos, era muito rápido.

Em zonas sinuosas era veloz rápido e eficaz, viaturas com até 4 vezes mais cavalos não lhe ganhavam. A sua relação peso/potência era de 6,14kg/cv, excelente valor para 1996, quando o modelo foi lançado e mantém-se como recordista nos dias de hoje.

O fundador da Lotus, Colin Chapman, era aficionado em reduzir o peso ao mínimo em todos os seus carros. Quer fossem de competição ou de produção. Conseguiu ganhar na Fórmula 1 com motores menos potentes que a concorrência, mas com carros mais leves.

Fotos | Koenigsegg, Nissan, WikiMedia