O seu futuro carro terá DSRC / WAVE (1/3)

DSRC WAVE prius connect

Após anos e anos de pesquisa, a tecnologia de comunicações entre veículos está a chegar à fase de comercialização, este é o momento em que os carros que comunicam entre si começam a ser comercializados e chegam às estradas por onde circula.

Este sistema é denominado de Dedicated Short Range Communications (DSRC)\Wireless Access for Vehicular Environments (WAVE) traduzindo para português, trata-se simplesmente de um sistema dedicado de comunicações de curta distância / acesso sem fios em ambiente automóvel. Descubra mais sobre esta tecnologia.

DSRC / WAVE um velho conhecido dos portugueses

Provavelmente até já usa um sistema DSRC / WAVE no seu carro no dia-a-dia, mas para outro fim, pagar as portagens eletrónicas e via verde, sim a tecnologia é a mesma que é empregada nos identificadores eletrónicos da Via Verde que usamos, mas agora com uma funcionalidade diferente.

A Via Verde é um sistema de portagem eletrónica utilizado em Portugal, atualmente permite pagamentos em 18 Concessões e Subconcessões de autoestradas nacionais, totalizando mais de 2.100 quilómetros de autoestradas e pontes, estando presente em 300 portagens, 108 postos de abastecimento de combustível e 111 parques de estacionamento em todo o país.

Utilizado em Portugal, desde 1991, em 2009, a Via Verde atingiu os 2,3 milhões de clientes em 2010, quando iniciou-se o pagamento de portagens em algumas SCUTS portuguesas, o que levou ganho cerca de 700 mil novos utilizadores em dois anos, atualmente já ultrapassou os três milhões e quatrocentos mil clientes.

Como sabe ao passar pela via exclusiva a utentes, por exemplo numa portagem, um identificador DSRC colado ao para-brisas do veículo dialoga com uma antena presente na via e a importância da portagem debita-se diretamente na conta bancária do cliente. No caso das portagens electrónicas o processo é idêntico, independentemente da faixa onde circule.

Este sistema está preparado para funcionar com um bom fluxo de tráfego, as vias reservadas a utentes do serviço têm geralmente um limite de velocidade de 40 a 60 km/h, embora se tenha demonstrado que o sistema pode funcionar corretamente a velocidades acima de 200 km/h.

Na última contabilização anual foram efetuadas 298 milhões de transações, o que prova que o sistema é abrangente e muito usado, pois apresenta uma média de 88 transações por utilizador.

A regulamentação do sistema

O IEEE 802.11p é uma alteração aprovada na União Europeia (UE) para especificamente para oferecer acesso sem fio em ambiente automóvel, basicamente é um sistema de comunicação entre veículos. Ele define melhorias para na base de produtos comercializados com Wi-Fi normais, essas melhorias são necessárias para suportar aplicações de “Sistemas inteligentes de transporte”(ITS). Só por curiosidade as frequências são 5,9 GHz, mais especificamente entre os 5,85 e os 5,925 GHz.

Na Europa, esta é a base para o padrão ITS-G5, que suporta o protocolo GeoNetworking que efetua a permuta de dados a alta velocidade entre veículos e entre os veículos e a infraestrutura rodoviária. Tanto a ITS G5 como a GeoNetworking estão a ser desenvolvidos e regulamentados pelo grupo Instituto Europeu de Normas de Telecomunicações para o Sistemas de Transportes Inteligentes, da UE.

Nos EUA os reguladores vão começar em breve a trabalhar em regulamentações que exigem que os novos veículos ligeiros vendidos nos Estados Unidos sejam equipados com os sistemas DSRC, segundo anunciou o Secretário de Transportes dos Estados Unidos, Anthony Foxx, durante uma conferência de imprensa na sede do Departamento de Transporte.

O contexto que levou à necessidade de mais segurança

Nos últimos anos, as estradas europeias tornaram-se substancialmente mais seguras. Se analisarmos o período entre 2001 e 2009 o número de mortes nas estradas da UE diminuiu em 36%, para isso muito contribuiu o Terceiro Programa de Acão Europeu para a Segurança Rodoviária que decorreu durante essa década.

Pormenorizando um pouco mais, desde 2001, cerca de 80.000 vidas foram salvas como resultado dos progressos realizados, embora a meta de reduzir pela metade o número anual de mortes na estrada não foi cumprida, os números foram muito animadores. Acima de tudo, no entanto, eles são um convite para novas ações.

Em 2009, o número de pessoas mortas nas estradas da Europa ainda era de 35.000 e o número gravemente ferido foi de 1,5 milhões, com muitos deles sendo deixados inválidos. O custo humano é imensurável, mas a nível social e económico apurou-se que esses acidentes rodoviários custaram cerca de 130 mil milhões de Euros, só em 2009).

A perda humana envolvida, o sofrimento e drama experimentado pelos familiares e amigos das vítimas, o sofrimento dos feridos e as comoventes mudanças na vida das vítimas de acidentes representam ainda mais qualquer custo que possa ser apurado.

Foto | Bart