Os drones que transportam pessoas são (quase) uma realidade

Para além dos veículos autónomos, que começam a ser uma realidade séria e presentes, agora é a vez dos drones que transportam pessoas passarem a ser notícia. O Circula Seguro traça-lhe uma panorâmica sobre o que aí vem e que não deve demorar muito tempo. As soluções que se apresentam ao mercado são variadas e começam a crescer como “pop-ups” na vida quotidiana. Aqui ficam algumas soluções do presente para o futuro.

O CEiiA – Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produto anunciou que está a desenvolver um “drone-carro”, que tanto pode circular pelo ar como pela estrada, e que pode transportar passageiros ou mercadorias. Segundo Helena Silva, diretora-executiva do CEiiA, “sempre que pensamos num carro, imaginamos um veículo único, que incorpora um habitáculo, onde estão os passageiros, e um conjunto de sistemas – motor, eixos, rodas – que permitem ao veículo deslocar-se pela estrada. O que fizemos foi desconstruir este conceito, distinguindo e separando o habitáculo do sistema de locomoção. Desta forma, podemos ter vários sistemas de locomoção, adaptados aos diferentes meios, e que podem ser utilizados em estrada ou pelo ar”. O projeto-piloto do “carro-drone” português chama-se “Flow.me” e irá ser testado numa primeira fase em processos logísticos em zonas industriais para, no futuro, poder estar associado ao transporte de pessoas em serviços de sharing e on-demand nas cidades.
O veículo resultou de um trabalho de cerca de 10 anos levado a cabo pela equipa do CEiiA e outros parceiros e espera-se que seja lançado em 2022.

Como funciona?

O drone é acoplado ao veículo, permitindo a sua descolagem e voo em áreas reservadas para o efeito, e estará conectado em tempo real com uma plataforma de gestão de mobilidade concebida pelo CEiiA, para que possa vir a ser integrado de forma eficaz com outras formas de transporte de uma cidade onde coabitarão, num futuro próximo, veículos autónomos e não autónomos.
O Flow.me tem três componentes principais: um habitáculo – onde o passageiro e a mercadoria são transportados – um sistema de locomoção rodoviário e um drone. O sistema de locomoção rodoviário é autónomo e funciona como doca para acoplar o habitáculo, estando preparado para circular de forma independente de acordo com as solicitações dos serviços. O habitáculo poderá, assim, ser transportado por estrada ou, se necessário, libertar-se do sistema de locomoção rodoviário e ser acoplado a um drone semelhante a um helicóptero, passando a deslocar-se pelo ar.
O veículo estará conectado em tempo real com uma plataforma de gestão de mobilidade concebida pelo CEiiA, para que possa vir a ser integrado de forma eficaz com outras formas de transporte de uma cidade onde coabitarão, num futuro próximo, veículos autónomos e não autónomos.
Este projeto conta com um investimento global estimado de 18 milhões de euros e está a ser desenvolvido por um consórcio liderado pelo CEiiA, em parceria com entidades brasileiras e empresas portuguesas especializadas nos setores automóvel e aeronáutico. A fase de testes com protótipo funcional em ambiente reservado está prevista para a primeira metade de 2019.

Volocopter fará o transporte de passageiros e mercadorias

A Daimler, Grupo automóvel ao qual pertence a Mercedes-Benz, investiu em táxis voadores autónomos. O grupo automóvel alemão participou na mais recente ronda de investimento da Volocopter, uma startup que está a desenvolver táxis elétricos voadores autónomos, com capacidade para duas pessoas. As primeiras demonstrações desta tecnologia já arrancaram no Dubai.
A Volocopter está desenvolver um conjunto de veículos elétricos, os multicópteros, como táxis voadores/drones, permitindo o transporte de passageiros e de mercadorias. Até 2030, um quarto do transporte de passageiros nos Emirados Árabes Unidos poderá ser feito nestes veículos, refere a startup em comunicado. O investimento, assumido pela Daimler, juntou outros investidores individuais, gerando um encaixe de mais de 25 milhões de euros.
A Volocopter considera a Daimler um parceiro estratégico pelo interesse das empresas automóveis na condução autónoma e na mobilidade elétrica. Com esta verba, a startup alemã pretende “acelerar o desenvolvimento técnico, atingir a maturidade de produção e obter licenças comerciais de voo junto das autoridades de aviação a nível mundial”.

Uber vai lançar serviço de transporte aéreo em Los Angeles

A Uber anunciou, durante o Web Summit, que em 2020 irá começar a operar um serviço de transporte aéreo partilhado na cidade de Los Angeles. O serviço uberAIR consiste numa rede de aeronaves elétricas que vão permitir voos urbanos com um máximo de quatro passageiros. “Estes veículos elétricos de descolagem e desembarque verticais (VTOLs) diferem dos helicópteros por serem mais silenciosos, seguros, acessíveis e respeitadores do meio ambiente”, revela a Uber. Utilizando os dados das rotas mais populares em viagens com a Uber, e procurando dar uma alternativa aos trajetos rodoviários mais congestionados, o uberAIR será projetado para ajudar a reduzir os congestionamentos de tráfego e os tempos de deslocação, contribuindo a longo prazo para a redução das emissões poluentes nas cidades. Jeff Holden, Chief Product Oficcer da Uber declarou durante o Web Summit que “Los Angeles é a maior área urbana dos Estados Unidos e 40% do espaço é utilizado para estacionamento” e que a aposta em veículos de mobilidade urbana aérea pode significar que a aquisição de automóvel próprio pode ter os dias contados. Jeff Holden assegurou ainda que os serviços do uberAIR não serão caros e serão acessíveis a todas as carteiras: «não íamos apostar neste negócio se não fosse para toda a gente. Queremos que seja mais barato do que conduzir o nosso próprio carro».
Entretanto, a empresa americana anunciou ainda que assinou um acordo de colaboração com a NASA para o desenvolvimento de novos conceitos de gestão de tráfego (UTM – Unmanned Traffic Management) não tripulado e sistemas aéreos não tripulados (UAS, Unmanned Aerial Systems). Esta colaboração possibilitará a operação segura e eficiente de UAS a baixas altitudes. A participação da Uber no Projeto UTM da NASA ajudará a empresa a iniciar os primeiros voos de demonstração do uberAIR num conjunto de cidades norte-americanas selecionadas em 2020. Esta é também a primeira colaboração da Uber com uma agência governamental com o objetivo de operar uma rede aérea de ridesharing a nível global.

Fontes: CEiiA, Volocopter, Uber
Fotos: CEiiA, Volocopter, Uber
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