Os novos sistemas infotainment continuam a provocar acidentes

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Um dos pilares fundamentais da segurança num automóvel é, precisamente, o próprio automóvel. A indústria automotiva avança a um ritmo vertiginoso e dentro dos seus objetivos está, claro, o aumento da segurança e a redução dos acidentes. No entanto, nem todos os avanços tecnológicos são favoráveis para a segurança. Este é o caso dos sistemas de infotainment.

A integração das funcionalidades dos smartphones nos veículos é notável. Já não é necessário a utilização de um terminal, pois os novos modelos trazem sistemas que os substituem. Ainda assim, apesar de o uso do telemóvel ser totalmente proibido enquanto conduzimos, usar os sistemas do carro não é. Isto não quer dizer que a sua utilização ao volante não seja perigosa.

A Associação Automobilística dos Estados Unidos (AAA, no original), quis ir mais além neste assunto. Para identificar o impacto dos sistemas de infotainment de última geração, realizou um estudo analisando 30 novos modelos no mercado norte-americano.

Uma atenção que não podemos dar

Desta maneira, a AAA encarregou o trabalho à Universidade de Utah. O objetivo era perceber qual a demanda visual e cognitiva dos sistemas de infotainment de cada um dos 30 novos carros. Para isto, foi utilizado um grupo de estudo, que tirou o máximo partido destes sistemas enquanto conduzia, utilizando o ecrã tátil ou comandos de voz para diferentes funções, como realizar uma chamada, ativar o rádio ou a navegação. Entre os parâmetros valorizados estava o tempo necessário para completar qualquer uma destas atividades.

Os resultados foram pouco animadores no que toca à segurança rodoviária. Nenhum dos sistemas pedia pouca atenção aos utilizadores. Pelo contrário: 23 dos sistemas de infotainment requeriam atenção elevada ou muito elevada, divididos da seguinte forma:
– 12 sistemas pediam atenção elevada.
– 11 sistemas pediam atenção muito elevada.
– 7 sistemas pediam atenção moderada.

A navegação, o maior perigo

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O estudo aponta ainda um culpado maior. Programar a navegação nos sistemas de infotainment deveria ser, em teoria, mais simples do que fazê-lo, por exemplo, num GPS. Esta presunção não é de todo certa. Esta tarefa roubou a todos os sujeitos do estudo uma média de 40 segundos nos modelos que traziam este opcional.

A queixa da AAA sobre isto está mais do que justificada:

Os sistemas que permitem fazer uma chamada ou trocar de estação de rádio são mais complicados, pois requerem que os condutores naveguem através de menus complexos, em ecrãs táteis ou comandos de voz, em vez de carregar em botões.

Até há já sistemas que permitem realizar tarefas que nada têm a ver com a condução em si, como navegar na internet, utilizar as redes sociais ou enviar mensagens de texto, algo que não faz sentido fazer ao volante.

Uso responsável dos novos sistemas de infotainment

Tal como referimos, é uma contradição que a tecnologia que permita que conduzamos um veículo de forma mais segura e que, ao mesmo tempo, nos tente com possibilidades que aumentam o risco.

Como tem vindo a acontecer com o telemóvel e com outros dispositivos que acabam no habitáculo do veículo, recai sobre nós fazer um usos responsável dos sistemas de infotainment.

Não nos podemos esquecer de que as distrações ao volante são motivo, de quase um terço dos acidentes de viação. Para manter a atenção permanente durante a condução implica evitar tudo o que nos faça afastar o olhar da estrada.

No caso dos sistemas de infotainment, dependendo de cada veículo e do tipo de prestação, temos de ser capazes de os utilizar quando não aumentem o risco, como por exemplo, quando estamos com o veículo estacionado.

Imagens | AAA e iStock/ChamilleWhite

Fonte: www.circulaseguro.com