Para-brisas, a defende-lo desde 1903

para-brisas

Hoje é algo dado como comum e à exceção de modelos exóticos e de produção limitada todos possuem para-brisas, mas antes de 1910 a maioria dos poucos veículos automóveis existentes não tinha para-brisas, deixando o condutor e ocupantes à mercê das intempéries, insetos e outros perigos.

Os primeiros modelos com “para-brisa” tinham um sistema composto por duas secções horizontais com uma dobradiça, que servia para dobrar a parte superior para baixo quando estava sujo. Naqueles tempos era relativamente normal o vidro estalar, pois a torção existente no aro que suportava o vidro era muito grande, assim, quando ocorria a quebra do vidro os pedaços grandes de vidro e os estilhaços geralmente provocação ferimentos ao condutor e aos passageiros.

Os fabricantes de automóveis cedo perceberam as desvantagens de não possuir para-brisas, mas também, os perigos apresentados pelo vidro até então usado, assim, já no século XX, dois cientistas europeus, separadamente, desenvolveram uma solução idêntica para os perigos representados pelo para-brisa feitos de uma simples placa de vidro.

Em 1903, o químico Edouard Benedictus, francês, desenvolveu de um para-brisa que consistia de duas camadas de placa de vidro com uma camada de celulose entre elas, o inventor britânico John C. Wood criou um tipo similar de para-brisa laminado e produzido e comercializado com a marca Triplex.

Em 1927, Henry Ford começou a incorporar a invenção britânica, o Triplex, nos para-brisas dos seus carros. Mas mesmo assim continuava a existir um problema, a camada de celulose que unia o vidro fica amarelado e descolorido com o tempo, devido aos raios ultravioleta.

Em 1934 a Chrysler apresentou um modelo de carro de luxo, custava à época mais de 5.000 dólares, o seu nome era Imperial Airflow CW, foi o primeiro carro de produção com um para-brisa curvo de uma só peça, até então existiam com o truque de diversos planos de vidro a formarem um arco, ou o mais comum, uma divisão a meio.

Foi o maior carro feito pela Chrysler, e não era só o para-brisas curvo que o distinguia dos demais, também contava com bancos rebatíveis, luzes e isqueiros a bordo, uma inovação à época. No final dos anos 40 surge o para-brisa de vidro temperado, este tipo de vidro em caso de impacto fragmentava-se em muitos pedaços, hoje este tipo de vidro é encontrado somente nas janelas laterais.

Agora, depois de mais de 60 novos tipos de invenções sintéticas que são usadas para fazer para-brisas, atingimos algo que é quase vidro inteligente, actua como protector solar e está integrado na estrutura de tal forma que serve para isolar térmica e acusticamente o habitáculo do carro.

Limpa vidros, uma invenção feminina

A americana Mary Anderson observou que, no decorrer de um passeio, o condutor interrompeu a viagem várias vezes para remover a neve que se acumulara no para-brisa, impedindo a visibilidade para o exterior. Foi então que a norte-americana idealizou uma lâmina de borracha presa a um braço metálico, movimentado por uma haste.

O equipamento foi concebido em 1903 mas só foi patenteado dois anos depois, em 1905. O projeto surgiu do estudo de Anderson sobre um recurso para melhorar a visibilidade durante um passeio de elétrico pelas ruas de Nova Iorque. O invento foi adotado por Henry Ford, então proprietário da Ford, e passou a equipar o modelo T. Oito anos mais tarde, todos os veículos dos EUA já saiam de fábrica com o limpador de para-brisa.

Mary Anderson foi a primeira mulher a criar um dispositivo indispensável para o automóvel. Por isso, é considerada incentivadora para a participação feminina na indústria automobilística. De acordo com a publicação norte-americana Women’s Bureau Bulletin, em 1923 existiam registradas 345 invenções femininas na área automobilística, entre as quais um carburador, um mecanismo de embriaguem e um motor de arranque elétrico.

O temporizador do limpador de para-brisas foi criado e desenvolvido pelo inventor americano Robert Kearns em 1964, porém só foi mundialmente comercializado a partir de 1969 pelo fato do inventor ter passado por um turbulento processo contra a Ford Motor Company pela patente do produto de sua autoria.

Voltando aos para-brisas, nos EUA, a partir de 1966, todos os veículos fabricados ou importados tiveram que possuir para-brisas laminado, por lei, medida que só em 01 de janeiro de 1983 foi internacionalmente adotada, impondo o uso obrigatório de para-brisas laminados por razões de segurança.

 

Foto | Sea Turtle