Sabe decifrar a nomenclatura SAE do óleo do motor?

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Quando vamos à oficina para trocar o óleo do carro, delegamos nas mãos do mecânico a escolha do lubrificante correto para o motor, porém quando optamos por ser nós a escolher, o óleo essa simplicidade desaparece por completo.

E fica a dúvida: Que óleo escolho? Tantos tipos de óleo nas prateleiras das lojas, qual será o indicado para o motor do seu veículo? Serão todos iguais? Será que é a mesma coisa utilizar qualquer óleo, independentemente da nomenclatura SAE? Saiba as diferenças aqui.

Mas o que é lubrificar? Na verdade trata-se de aplicar uma substância entre duas superfícies em movimento relativo um ao outro, formando uma película que evita o contato direto entre essas superfícies, diligenciando uma diminuição do atrito e, naturalmente, do desgaste e da produção de calor.

Os primeiros lubrificantes utilizados foram de origem animal. Os lubrificantes evoluíram e passaram a ter como base elementos de diversas origens: a saber, vegetal, mineral e sintética.

Os óleos utilizados atualmente são uma mistura de lubrificantes e de alguns aditivos, geralmente polímeros que proporcionam o reforço, ou ganho de algumas características específicas. Geralmente os lubrificantes utilizados presentemente são obtidos a partir do petróleo, portanto de base mineral, ou criados em fábricas de química, os de base sintética.

Decifrando o SAE

Estabelecida pela Sociedade dos Engenheiros de Automóveis dos Estados Unidos, esta sigla classifica os óleos lubrificantes pela sua viscosidade, que é indicada por um número. Trata-se da classificação mais antiga de lubrificantes para automóveis, definindo somente as faixas de viscosidade, mas não leva em conta os requisitos de desempenho.

Quanto maior este número, mais viscoso é o lubrificante, a viscosidade mede a dificuldade com que o óleo escorre, quanto mais viscoso for um lubrificante, mais difícil de escorrer, portanto será maior a sua capacidade de manter-se entre duas peças móveis fazendo a lubrificação das mesmas. Mas existe um pormenor, a viscosidade dos lubrificantes não é constante, ela varia com a temperatura, quando esta aumenta a viscosidade diminui e o óleo escorre das peças com mais facilidade.

Para ajudar a classificar essa viscosidade, existe o Índice de Viscosidade que mede a variação da viscosidade dos óleos com a temperatura. Quanto maior o índice, menor será a variação de viscosidade do óleo lubrificante quando submetido a diferentes valores de temperatura.

A análise dos índices de determinado óleo indica a massa de um certo volume de óleo a uma certa temperatura, a verificação da sua evolução é crucial para indicar se houve contaminação ou deterioração de um determinado lubrificante, a partir daí delimitar tempo de uso e quilometragem máxima a ser percorrida em condições ideais de utilização do lubrificante.

Classificação SAE

Como já vimos anteriormente existe um Índice de Viscosidade e quanto maior este for mais viscoso é o lubrificante, mas os lubrificantes ainda são catalogados em três categorias, resumidamente podem ser chamados de óleos de verão, os SAE 20, 30, 40, 50, 60, etc.

Depois temos os óleos de inverno que são os SAE 0W, 5W, 10W, 15W, 20W, 25W, etc., e ainda, os mais conhecidos, os óleos multiviscosos, que servem tanto para o inverno como para o verão as suas denominações são SAE 20W-40, 20W-50, 15W-50 e outras, a letra “W” provém do inglês “winter”, que significa inverno.

O primeiro número indica a viscosidade com o motor frio, basicamente a temperatura ambiente, quanto mais baixo esse número, menor será o esforço do motor para iniciar o seu funcionamento. Este valor é crucial em países onde a temperatura ambiente fica abaixo de zero com frequência.

Nestes casos o óleo deve ser capaz de se manter fluído, sem se solidificar, para assim garantir que o motor consegue girar e arrancar. Depois conforme o motor vai aquecendo a viscosidade muda, subindo para o valor indicado pelo segundo número.

Os óleos monoviscosos normalmente são usados em lubrificação de engrenagens, como caixas de velocidades e transmissões, por exemplo o lubrificante com o Índice de Viscosidade SAE 90 é usado nas caixas de velocidades manuais de automóveis ligeiros e em diferenciais, é ainda o índice recomendado para lubrificação de correntes, especialmente as que possuem retentor.

Os óleos lubrificantes multiviscosos servem tanto para o verão como para o inverno, com atenção especial á temperatura mínima como já foi indicado anteriormente, estes óleos servem geralmente para lubrificação de motores, tanto de automóveis como de motociclos.

Que outras siglas existem

Se está atento às embalagens de óleos de motor já deve ter reparado que existem outras nomenclaturas, são siglas de entidades internacionais que são responsáveis pela elaboração de uma série de normas, baseadas em testes específicos, que não só a viscosidade, e permitem a classificação dos lubrificantes, de acordo com seu uso.

Desta forma, o consumidor tem como identificar se o lubrificante responde às exigências, a partir da consulta do manual do veículo, o mais relevante é a classificação API, criado pelo American Petroleum Institute em conjunto com a American Society for Testing and Materials, definiu especificações de níveis de desempenho para os óleos lubrificantes.

Essas especificações funcionam como um guia para a escolha por parte do consumidor. Para carros ligeiros a gasolina, por exemplo, temos os níveis API SJ, SH e SG. No caso de motores diesel, a classificação é API CI-4, CG-4, CF-4, CF e CE.
O “C” representa Commercial, e o “S” significa Service Station, e a outra letra define o desempenho.

O primeiro nível foi o API SA, obsoleto há muitos anos, tratava-se de um óleo mineral puro, com a evolução dos motores, os óleos sofreram remodelações, através da acrescento de aditivos, para atender às exigências dos fabricantes dos motores no que se refere à proteção contra desgaste e corrosão, redução de emissões e da formação de depósitos.

Existe ainda a ACEA, iniciais que representam a Association des Constructeurs Européens de l´Automobile, antigamente denominada de CCMC, esta classificação europeia associa alguns testes da classificação americana API a ensaios de motores de fabricantes europeus, como por exemplo da Volkswagen, Peugeot e Mercedes Benz. ainda incorpora resultados de ensaios em laboratório.

A JASO, da Japanese Automobile Standards Organization define uma classificação de lubrificantes para motores a dois tempos, a suas siglas funcionam com as da API em ordem crescente de performance, iniciam-se com a letra F seguida da letra da performance, FA, FB e FC.

Só por curiosidade para motores marítimos existe a escala da NMMA, National Marine Manufacturers Association, que veio substituir a BIA, Boating Industry Association, classificando os óleos lubrificantes que satisfazem suas exigências com a sigla TC-W, Two Cycle Water, aplicável somente a motores de popa a dois tempos. Atualmente estão no nível TC-W3, pois os níveis anteriores estão em desuso.

Além destas especificações, termos e siglas, o mais importante é verificar que tipo de lubrificante é recomendado para o seu motor, para isso verifique o manual do proprietário do seu veículo para garantir a durabilidade deste e uma eficiência ótima na utilização diária.

Foto | US Navy