Teste á condução autónoma

Os veículos autónomos estão cada vez mais na ordem do dia, cada vez mais considerados como o futuro do automóvel e da própria mobilidade. Criando novos desafios para as marcas, os vendedores e agentes económicos envolvidos. Até a nível fiscal cria desafios inéditos.

Pela primeira vez, o Euro NCAP (European New Car Assessment Programme), um programa de segurança automóvel fundado em 1997, pelo “Transport Research Laboratory” para o Departamento de Transportes do Reino Unido testou os sistemas de condução autónoma. Mas como estará o balanço entre a realidade e a expectativa, será superada a expectativa?

“Testing Automation”

Mais de 70% dos condutores acreditam que já é possível comprar um carro que possa se conduzir sozinho. Estas são as conclusões duma nova pesquisa ao consumidor, chamada “#TestingAutomation”, encomendada pela Euro NCAP, Global NCAP e Thatcham Research1.

Publicado para coincidir com a primeira avaliação da Euro NCAP da tecnologia de condução automatizada, os resultados da pesquisa contrastam com as capacidades atuais de tais sistemas e destacam a confusão significativa que existe entre os consumidores quando se trata da realidade da condução automatizada ou autónoma.

Como parte de seu compromisso contínuo de avaliar independentemente os benefícios das novas tecnologias de segurança automóvel. A Euro NCAP testou o desempenho comparativo dos chamados sistemas “Highway Assist” (Assistência em auto-estrada) em dez carros. Foram eles o Audi A6, o BMW Série 5, o DS 7 Crossback, o Ford Focus, Hyundai NEXO, Classe Mercedes-Benz C, Nissan LEAF, Modelo Tesla S, Toyota Corolla e Volvo V60.

Estes sistemas combinam os sistemas de Cruise Control Adaptativo, Permanência na Faixa e Sistemas de Assistência de Velocidade. Estes servem para apoiar o condutor em situações de condução nas autoestradas. Estes sistemas apoiam-se na Travagem Automática de Emergência (TAE). As principais conclusões do Euro NCAP destes testes concluem que nenhum carro atualmente no mercado, oferece automação completa ou autonomia da condução.

Ilusão comercial

Hoje são vários os carros no mercado que podem fornecer assistência ao condutor, mas isso não deve ser confundido com uma verdadeira condução autónoma. O condutor continua a ser totalmente responsável pela condução desse veículo, tanto civil como criminalmente, mas também moralmente.

Usada corretamente, a tecnologia atual ajuda o condutor a manter uma distância segura, velocidade e ficar dentro da faixa de rodagem. Consegue em determinadas circunstancias ser “autónomo”, mas não em todas as situações. Mas é necessário cuidado na forma como estes sistemas são “vendidos” ao público em geral.

O consumidor não deve ser induzido em erro, pois pode causar graves incidentes. Esses sistemas não devem ser usados em situações para as quais não foram projetados e não devem ser considerados como uma alternativa à condução controlada por humanos. Pelo menos por enquanto. Por isso é essencial analisar este teste á condução autónoma.

As diferentes alternativas

Diferentes fabricantes implementaram diferentes abordagens para a aplicação de tecnologias de assistência ao condutor. Tanto em forma como em termos do nível de assistência prestado. Estes testes, anteriormente mencionados, da Euro NCAP, avaliaram e destacaram essas diferenças e o grau variado de suporte que cada fabricante oferece.

Michiel van Ratingen, Secretário-Geral do Euro NCAP, afirmou que “A mensagem do Euro NCAP a partir desses testes é clara – carros, mesmo aqueles com sistemas avançados de assistência ao condutor, precisam sempre de um condutor vigilante e atento ao volante. É imperativo que sistemas de segurança passiva e ativa de última geração permaneçam disponíveis em segundo plano como um backup de segurança vital ”.

Teste á condução autónoma

Os testes pretendem dar aos consumidores uma visão realista das capacidades dos atuais Sistemas de Assistência ao Condutor. Para tal efeito a Euro NCAP desenvolveu uma série de testes para avaliar o seu desempenho em cenários críticos de tráfego simulados numa pista de testes.

O Adaptive Cruise Control (ACC) é um sistema que ajusta automaticamente a velocidade de cruzeiro de em resposta a um veículo mais lento em movimento, mantendo uma distância segura. O ACC opera de forma independente e adicional aos outros sistemas de assistência ao condutor. Esses sistemas adicionais podem ser a assistência da AEB e das faixas, que continuam funcionando em segundo plano.

O elemento ACC do Highway Assist é testado numa versão alargada do teste TAE do Euro NCAP. Neste teste foram usadas velocidades de aproximação que correspondem às normalmente encontradas nas autoestradas europeias.

Esses sistemas são projetados para adaptar a velocidade ao aproximar-se de um veículo mais lento ou que esteja em travagem e, em geral, eles têm um desempenho muito bom nesses testes. No entanto, nem todos os sistemas funcionam igualmente bem em testes em que o veículo se aproxima de um veículo que está totalmente imobilizado.

Testes mais complexos

Os testes mais desafiadores para esses sistemas de assistência ao condutor são os cenários de entrada na faixa e de saída de faixa por emergência, tecnicamente denominado de “cut-in” e “cut-out”. No teste de entrada, um carro da faixa adjacente se funde na pista em frente ao carro de teste.

Isso é algo que acontece no tráfego cotidiano e um condutor normalmente antecipa a manobra e adequa a sua velocidade. Para o cenário de “cut-out”, um carro na frente deixa a faixa abruptamente para evitar um veículo parado à frente. Este caso deixa ao sistema apenas um curto período de tempo para identificar e responder à situação.

O segundo conjunto de testes foi desenvolvido para avaliar a função “Lane Centering” que continuamente ajuda o condutor para manter o carro no meio da faixa. A força de suporte fornecida por cada sistema é determinada num teste chamado “S-bend” em várias velocidades.

…e ainda mais testes

Outro teste mede a quantidade de esforço na direção que o condutor precisa de efetuar para se desviar de um pequeno obstáculo na estrada, como, por exemplo, um buraco. Um bom sistema continuará a apoiar a condução durante a manobra e não resistirá ao condutor ou se desativará.

Todos os testes de condução automatizados são realizados em uma pista de teste com faixas bem marcadas. Para os testes de “cut-in” e “cut-out”, fazem uso de um veículo controlado remotamente para garantir a segurança dos testes. A assistência de controlo de velocidade é outra função que será necessária para que os carros se tornem totalmente autónomos.

Os sistemas atuais variam do muito simples, em que o condutor define a velocidade a que o carro deve ser limitado, aos mais sofisticados, onde são usados dados de mapas digitais em conjunto com interpretação de dados visuais obtidos pelo veículo através de camaras e radares.

Os resultados do teste

Cada sistema foi analisado de forma independente. O Cruise Control Adaptativo dos DS e BMW ofereceram um baixo nível de assistência, com o condutor quase sempre no controle. Nos casos da Audi, Ford, Hyundai, Mercedes, Toyota, Nissan e Volvo ofereceram um equilíbrio entre a assistência do condutor e do sistema.

O caso do Tesla é o exemplo do problema principal que estes veículos têm. De fato o condutor corre o risco de confiar excessivamente no sistema de assistência. Mas a capacidade de resolver os todos os problemas reais é algo reduzida.

No teste de manuseio do volante, o “S-bend”, os resultados apresentaram uma variedade de diferentes níveis de assistência ao condutor. Mas o sistema Tesla criou o potencial de dependência excessiva. Este sistema não permite que o condutor se desvie do caminho previsto, com a centralização da faixa.

Nos casos que o condutor altera o percurso previsto o sistema do Tesla desliga-se. Neste teste, de desvio de pequenos buracos ou obstáculos, os sistemas portaram-se bem. Todos os carros testados permitiram ao condutor orientar e gerenciar cooperativamente a situação. Contudo há exceção do Tesla, como mencionado acima.

Os cenários de “cut-in” e “cut-out” são os mais desafiantes dos testes da Euro NCAP. Dito isto, a conclusão é que todos os carros falharam seriamente os objetivos destes dois testes. Nenhum dos sistemas foi capaz de ajudar e travar.

O acidente só poderia ser evitado se um condutor alerta travasse ou desviasse o veículo atempadamente. Esses cenários desafiadores destacam como é importante que o condutor permaneça atento e não confie demais nos sistemas autónomos atuais. São uma ajuda e por enquanto só isso.

Informações erróneas das marcas

Os manuais dos veículos geralmente indicam claramente quais são as capacidade e limitações do mesmo. E no caso dos sistemas de segurança indicam como, e onde, podem e devem ser usadas. Nenhum dos sistemas analisados restringe o uso por delimitação geográfica.

Geralmente, o conteúdo oficial de marketing das marcas é claro em qual é o papel do condutor. Mas no caso da BMW, um vídeo promocional para a série 5 é enganoso. Nele o condutor tira as mãos do volante, presumindo que o veículo se possa conduzir autonomamente.

Na americana Tesla o cenário é também enganador, pois usa vários vídeos promocionais que também sugerem a autonomia do veículo. Isso cria uma incompatibilidade entre informações mais precisas incluídas no manual do utilizador e informações enganosas em materiais de marketing.

Fotos | Jaguar MENA, Euro NCAP