Os excessos dos motoristas profissionais

Longas horas na estrada, cansaço e necessidade de cumprir horários para entrega de encomendas e mercadorias levam a que os motoristas profissionais cometam infrações e excessos.

Os motoristas profissionais passam horas da sua vida ao volante. O facto de a sua atividade laboral ser passada na estrada faz com que tenham um risco maior de vir a estar envolvido num acidente de viação.

Entre os fatores de risco que enfrentam, contam-se:

  • longos períodos de condução (particularmente acentuados no transporte de longa distância, como é o caso dos transportes internacionais);
  • tempos de descanso reduzidos;
  • condução noturna e condução sob condições atmosféricas adversas;
  • trânsito intenso, monotonia da estrada e do ambiente rodoviário;
  • fadiga e sonolência;
  • stress;
  • deficiências ao nível da manutenção e equipamentos do veículo;
  • imperativos de cumprimento de horários, bem como existência de sistemas de prémios de desempenho que podem incentivar a prática de velocidades mais elevadas e de menores tempos de descanso.

Em Espanha foi feito um levantamento já este ano, durante uma semana, às atitudes ao volante destes profissionais que podem também servir de pistas de reflexão para o que se passa em Portugal. A Guardia Civil controlou nessa ação 67.090 veículos comerciais, como camiões e furgões, dos quais 8.995 foram apanhados nalgum tipo de transgressão.

Entre essas infrações, as mais numerosas foram o excesso de horas de condução e as relacionadas com o tacógrafo. Em concreto, a polícia espanhola registou 1.963 contraordenações por estas razões (1.562 por desrespeito aos tempos de condução e descanso e 401 por questões relacionadas com o tacógrafo). É sabido que um excesso nos tempos de condução pode gerar fadiga e distrações, incrementando o risco de sofrer ou provocar um acidente.

O excesso de velocidade foi outra das infrações mais frequentes: 1.725 condutores foram sancionados por circularem a uma velocidade superior a permitido para o local ou para o veículo em questão.

No que diz respeito à utilização de cinto de segurança, outro dos pilares básicos da segurança rodoviária, 434 motoristas foram apanhados por não fazer uso deste dispositivo de segurança passiva.

Não obstante as repetidas mensagens da incompatibilidade de conduzir sob o efeito do álcool e de substâncias estupefacientes, o facto é que nesta operação de uma semana, a Guardia Civil espanhola apanhou 116 condutores profissionais por algum destes motivos.

As infrações associadas à documentação do veículo, ao condutor ou às matérias transportadas, ascenderam a 2.463 situações, ao passo que as sanções impostas devido ao excesso de carga ou mau acondicionamento dos produtos transportados foram em número de 722.

 

Em resumo: apesar de terem uma formação mais exigente do que os demais condutores, os motoristas profissionais não escapam a excessos e infrações. Entre eles os mais evidentes são os excessos de horas de condução, de velocidade, de carga transportada e seu respetivo acondicionamento, de álcool e falta de utilização de cinto de segurança e de documentação legal, do veículo, do condutor ou das matérias transportadas.

Fotos: truckerslogic.com, blog.c1training.com, truckerstraining.com, cttransportation.com, alcoholproblemsandsolutions.org