Ser civico com os pesados

Veículos pesados

Na estrada existe um grupo de veículos que por suas características são designam por pesados. São camiões rígidos, autocarros e veículos articulados. As suas características relativamente a peso, altura e comprimento fazem-nos mais vulneráveis e muito mais complicados de conduzir. O seu centro de gravidade está mais alto e permite assim que capote mais facilmente. Mas acima de tudo, estão expostos às transgressões cotidianas dos restantes condutores.

Não tem comparação conduzir um carro ou pilotar um camião que leva 35 Ton de tomate. As suas respostas são mais lentas e necessitam de mais espaço para travarem, muitos metros de estrada para ganharem velocidade e um amplo espaço para circularem. A nossa forma de circular bem pode ser estritamente de acordo com as normas e ao mesmo tempo perigosa e danosa para os profissionais da estrada. Independentemente dos motivos de cada um e de quanto mal sejamos tratados pelos camionistas, deveríamos seguir certas orientações a fim de não provocarmos acidentes nem obriga-los a manobras arriscadas. E por acréscimo, certamente que evitaremos mais do que um susto ao encontrarmo-nos com eles.

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Início e retomada da marcha nos veículos pesados

Sair de um STOP para nós é relativamente fácil. Esperamos que não venha ninguém ou se estiver vindo que estejam ainda distantes o suficiente para efetuarmos a travessia com segurança e de igual modo entrar de novo na via. Para um veículo profissional e daqui para a frente vou referir-me aos articulados, é uma proeza conseguirem entrar na via. Devido às suas características não têm tanta visibilidade periférica como nós no nosso carro, pelo que pode ser-lhes difícil ver que veículos se aproximam lateralmente.

A isto tem que se somar ainda que dependendo de virem ou não carregados, a sua velocidade de arranque é muito pequena, o que significa que terão que esperar muito mais até estarem confiantes de poderem partir sem danificarem nada. Como condutores temos de ter em conta e entender que no curso que vai desde o ponto de paragem até á faixa onde vai entrar, o camionista terá que fazer de uma a duas mudanças de marcha (o que nos dá a ideia o quanto curtas elas são) e obstruir consideravelmente a nossa visibilidade.

Neste caso não podemos ajudar de nenhuma forma, exceto evitando gestos de desespero, buzinadelas ou explosões de humor. Não o ajudam a despachar-se mais rápido, muito pelo contrário. Partindo do princípio que eles estão a trabalhar e que é um dos trabalhos mais duros e exigentes que existem, qualquer ajuda que lhe prestemos será recompensada e servirá de ajuda para que o seu mau humor acumulado não provoque situações de risco.

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Portanto, se circulas numa via em que tenta entrar um veículo pesado e se atrás não vêm outros utilizadores que possas prejudicar tenta, na medida do possível ceder-lhe a passagem. Reduz a velocidade e mostra-o, para que saiba que pode entrar, ele e os carros que vêm atrás dele agradecer-te-ão.

Uma coisa que temos de ter sempre presente quando haja camiões em faixas ou em cruzamentos onde tenham que respeitar um STOP ou Aproximação de Estrada com Prioridade, é que podem passa-los sem aviso prévio. Parar um trailer que pesa quarenta mil quilos e logo de seguida pô-lo em movimento precisa de tempo e esforço, pelo que muitos aceleras impacientes e incivilizados optam por passa-los. Cuidadinho com isto.

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Ultrapassagens, descidas acentuadas e entradas

Em primeiro lugar deve lembrar-se que, ainda que o pesado (e nesse caso com dupla razão) esteja ocupando a faixa central e atrapalhando a circulação, nunca o devemos ultrapassar pela sua direita, pois se já é arriscado fazê-lo com carros, é-o muito mais no caso dos articulados. Os seus espelhos não lhes permitem vernos e poderíamos terminar muito mal o dia…ou nem acabá-lo.

Na hora de ultrapassar um veículo pesado temos de ter em conta, em primeiro lugar, a sua largura. Isto aplica-se especialmente em vias de dois sentidos de circulação onde tenhamos que utilizar o outro sentido para efetuar a manobra. Repare se ele leva na sua parte traseira a placa ou placas (assinalada na foto com uma flecha negra) de veículo largo, o qual indicaria que mede mais de doze metros. É também importante, mais por nossa segurança do que pela deles neste caso, ter em conta o potencial efeito de túnel de vento que pode produzir-se durante os dias de vento forte e que nos puxará em direção às rodas do camião.

Uma vez efetuada ultrapassagem temos de ser respeitadores e ter em conta as suas capacidades de reação e travagem. Para um de turismo travar não é necessário mais do que pisar outro pedal, sem maior esforço ou perigo. Para um articulado travar é suposto exercer muita mais força sobre o pedal, calcular bem a travagem para evitar derrapagens e provavelmente atuar em mais de um comando de cada vez (retardador, travão do motor, travão independente ou travão elétrico, entre outros).

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Portanto, temos de ser nós que devemos procurar a distância de segurança entre ele e nós, mais por solidariedade do que por obrigação. Que o camionista veja que não pensamos voltar à pista até estarmos bem distantes dele, isso o tranquilizará e fará com que a sua condução seja mais relaxada. É provável que algum nos dê com os máximos após a ultrapassagem; avaliar bem a situação pois nem sempre se estão a queixar, às vezes estão agradecendo-nos.

Esta última poderia aplicar-se do mesmo modo para as entradas nas autopistas e autoestradas ou estradas que possuam faixa de aceleração. Às veze, ainda que tenhamos tempo de sobra, é preferível demonstrar com suficientemente antecedência que vamos ceder-lhe a passagem e assim evitar incômodos desnecessários. Civismo, ao fim ao cabo. Não é nada fácil mudar-se de faixa com um monstro de muitas toneladas em apenas alguns segundos: as suas manobras são mais lentas e deveriam ser, por segurança, muito mais progressivas.

Se pode e cumpre, decididamente facilite a entrada; mas em qualquer dos casos, se decidirmos não esperar e sair, é recomendável fazê-lo com uma velocidade elevada, de maneira que a nossa entrada aconteça vários metros depois dele, lembrando sempre que as pressas são más conselheiras e que, se nos atrapalharmos, estaremos obrigando o condutor a realizar uma travagem que pode ter consequências dramáticas para ele e para os outros utilizadores da via, incluindo nós próprios.

Quanto às descidas acentuadas, temos de ter em conta a mesma problemática de travagem de que já falamos no parágrafo anterior. Um bom profissional do volante evitará por todos os meios o constante uso do travão, porque caso contrário poderá ocorrer o temido “fading“, que não é outra coisa senão o sobreaquecimento dos travões dito isto de uma forma muito kitsch. Normalmente empregará de maneira correta as mudanças e trabalhará com o travão do motor (que no caso dos pesados não é apenas o apoio do motor, mas também borboletas de isolar e similares) e outros sistemas de retenção que não estão expostos a desgastes nem atrito.

Além disso, devido ao seu peso, necessitará de muitos mais metros do que nós para pararem, pelo que mais vale não interferirmos na sua trajetória. Temos um exemplo disto em troços de montanha com muitas curvas nos quais a velocidade é limitada a 100 dentro das autoestradas: se quisermos ser bons condutores e respeitar isto, é preferível mantermo-nos atrás do camião (que aliás nos cortará a resistência ao ar em larga escala) do que na sua frente e obriga-lo a ir calculando distâncias de segurança.

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Cruzamentos, rotundas e mudanças de direção e de faixa

Convém prestar especial atenção a como circulam os veículos longos nas rotundas. O normal e correto é que evoluam pelo exterior, já que que o interior têm um raio de viragem insuficiente e pouca visibilidade. A esse respeito convém lembrar qual é a forma correta de circular nas rotundas a fim de não nos expormos a nenhum perigo (para além do perigo que representam todas as rotundas). Provavelmente o trator ocupará uma parte diferente da faixa ou faixas que o atrelado traseiro, o qual se irá acomodando pela zona interior. Além disso, muito cuidado com aqueles autocarros ou camiões rígidos nos quais o rabo sobressaia um pouco mais que o eixo traseiro, por nas viragens bruscas poderiam acabar por dar-nos uma boa pancada.

Na hora de virar nos cruzamentos temos de ter em conta que é provável que necessitem de alargar a sua trajetória. Isto significa que apontarão para o lado direito e evoluirão para o lado esquerdo. E que, por não usarem espelho interior, uma vez que iniciem a manobra, um dos lados será sempre praticamente cego. Portanto muito cuidado ao tentares dar-lhes a volta e ultrapassá-los, porque poderás acabar debaixo do seu chassis. Também é possível que tenham que realizar mais do que uma manobra e algumas com dificuldade acrescida devido a circular em marcha atrás. Sê paciente e não o atrapalhes nem o apresses; mantêm-te no teu lado da faixa e permite que ele faça o seu trabalho com a maior velocidade possível. Tal como no caso do STOP ficar-te-á muito agradecido.

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Se o cruzamento dificulta a visibilidade, pode ser que repares que salta os traços da via e adota posições indefinidas que, sem permitir concluir para onde ele vai virar (exceto pelos seus piscas, logicamente), lhe permitem ganhar visibilidade. Mantêm uma boa distância para evitar sustos com o atrelado uma vez mais e se tens possibilidade de ajudá-lo, porque vais para outro lado e tens melhor visibilidade da estrada, nem duvides.

Se circulas por uma via com uma faixa especial para veículos lentos e vês que a mesma vai acabar onde circula o camião, mostra-lhe como vai agir. Se vais reduzir a velocidade e deixá-lo entrar na tua faixa, se vais mudar de faixa para facilitares a sua entrada ou se vais aumentar a tua velocidade para te afastares-te o mais possível. Olha sempre muito bem pelos espelhos para calcular os teus próximos movimentos no caso em que o camião ligue o pisca e inicie as manobras. Cuidado com isto, porque uma vez que te tenhas colocado mais ou menos, pela metade do camião e ai por diante, será sumamente difícil ele ver em todos os ângulos mortos, por isso tome cuidado não vá ele pisá-lo.

Finalmente lembra-te que não és o único na estrada e que, se fores profissional o que menos gostarias que te acontecesse era deixarem-te em pelo no teu posto de trabalho; que é muito agoniante ter de ir todos os dias trabalhar, e ainda por cima acabar assim. E esquece-te desse camionistas antipáticos e mal-educados que aplicam aquela do grande burro, entrando de empreitada onde lhes agradar. Colabora na estrada com civismo e boa vontade e verás como pouco a pouco, compreendendo a sua forma de circular parece-te também que vais mais seguro.

Apenas atuando bem individualmente podem-se obter resultados coletivamente.