A realidade das estradas nacionais portuguesas

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Portugal, tal como tantos outros países, tem um conjunto de vias rodoviárias, denominadas de estradas nacionais, que fazem a ligação entre localidades. Estradas estas, grande parte delas, impreparadas para o enorme fluxo de trânsito e sua tipologia, nomeadamente nas dimensões e peso dos veículos pesados de mercadorias, fugindo aos elevados custos das portagens das auto-estradas, optando pelas estradas nacionais.

Acontece que estas estradas, aquando do BOOM das auto-estradas, ficaram sujeitas a uma ausência de manutenção, cuidados e reenquadramento com a realidade rodoviária. Assim, onde à trinta ou quarenta anos passava um automóvel pesado de mercadorias, com a frequência de dois ou três veículos por dia, hoje a realidade aproxima-se dos quarenta ou cinquenta nesse mesmo dia.

As dimensões do tempo

Se à trinta ou quarenta anos a dimensão desses veículos rondava os 190 cm de largura e os 1.300 cm de comprimento, hoje essas dimensões rondam os 230 cm de largura e os 1.800 cm de comprimento. Já a diferença de pesos é abismal. Se falarmos em diferenças de 10.000 quilos, estamos a ser muito simpáticos, pois será uma diferença bem maior.

Ora, se essas estradas nacionais  não acompanharam a evolução rodoviária,  não sendo sujeitas a uma manutenção de reforço de pavimento e repavimentação, o que vai acontecer é que o pavimento irá entrar em processo de deterioração acelerado, abatendo e criando crateras que irão entrar em conflito com a segurança rodoviária desejável e situações de aquaplanagem em dias chuvosos.

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Consequências do retorno ao passado

Outra das consequências deste fenómeno do regresso do trânsito às estradas nacionais como primeira escolha de circulação, é a da dificuldade de circulação e cruzamento em diversos pontos que atravessam localidades, tudo por culpa das maiores dimensões dos veículos na realidade atual.

Se a esta nova condição somarmos os fatores população envelhecida e todas as condicionantes associadas e as vias sem passeios ou bermas, onde as pessoas saem diretamente de casa para a faixa de rodagem, temos um cocktail explosivo de risco elevado na sinistralidade rodoviária.

Para combater estas eventuais situações, existem municípios, como o de Ovar, que através de sinalização proíbem o trânsito de veículos pesados de mercadorias no atravessamento da cidade,  empurrando-os para a auto-estrada 17  no contorno à localidade.

  • Heitor Santos Bordal

    Estaremos (casal) em viagem de carro partindo de Lisboa (09/06/14) rumo a Sevilha e queremos saber melhor caminho a seguir, preferencialmente evitando estradas com portagem e que estejam em bom estado para circular
    O sentido Lisboa – Beja – Serpa – Vila Verde de Ficalho seria uma boa escolha ?
    Ou seria mais apropriado a Av. Infante pelo Algarve ?
    Agradecido pelo retorno ao questionamento.
    Sds;

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