Auditorias de segurança rodoviária: para que se destinam e que vantagens trazem?

Planear uma via e executá-la para a colocar ao serviço das populações pressupõe também a realização de auditorias de segurança rodoviária. Do que se trata? Tem reais vantagens ou é um mero custo que inflaciona o projeto de uma obra?

A infraestrutura rodoviária constitui o elemento central do sistema de transporte rodoviário.

A infraestrutura rodoviária envolve o planeamento do território e da rede viária, a (re)construção e conceção de troços de estradas e intersecções, a colocação de sinais e indicações de trânsito e a manutenção. Mas também envolve processos de garantia de qualidade tais como auditorias, avaliação do impacto de segurança e inspeções de segurança.

Neste entendimento, uma auditoria de segurança de estradas é um processo formal de avaliação independente do teórico potencial de acidentes que se pode verificar num determinado lanço de estrada e do comportamento previsível em termos de segurança de determinado traçado de estrada ou fluxo de trânsito. Uma auditoria é passível e desejável de ser posta em prática tanto para novas construções como para alterações no traçado, pavimentação ou sinalização de uma estrada construída.

Explica a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária que a ideia da auditoria de segurança rodoviária surgiu pela primeira vez na Grã-Bretanha e hoje encontra-se instituída em vários países.

As auditorias são uma das ferramentas de intervenção em segurança rodoviária previstas no âmbito da Diretiva 2008/96/CE do Parlamento e do Conselho Europeu.

As auditorias seguem listas de verificação que enumeram os diferentes elementos a analisar. Incluem recomendações técnicas específicas.

As auditorias de segurança rodoviária são normalmente encaradas como uma primeira etapa na execução de um sistema completo de gestão da qualidade das estradas, permitindo corrigir anomalias detetadas.

As auditorias de segurança das estradas são executadas pelos auditores. Cabe ao auditor – que, como se mencionou anteriormente, deve ser independente da entidade responsável pela conceção da estrada como garante de transparência e rigor na análise que vier a ser feita – indicar potenciais pontos fracos de segurança do traçado num relatório enviado ao cliente. O cliente (uma concessionária, por exemplo) deve seguir as recomendações do auditor ou, se insistir no desenho original, deverá fundamentar por escrito os motivos da sua insistência. Naturalmente, que para desempenhar a sua função, os auditores têm uma formação específica.

Aliás, a legislação relativa a auditorias de segurança rodoviária, publicada em agosto de 2014, criou o regime de acesso e de exercício da profissão de auditor de segurança rodoviária, de emissão dos respetivos títulos profissionais e do exercício da atividade de formação profissional. Essa legislação estabelece como requisito de atribuição do título profissional de auditor ser engenheiro civil ou engenheiro técnico civil, inscrito na respetiva Ordem.

Os grandes benefícios da realização de auditorias de segurança das estradas consistem em reduzir o risco de ocorrência de acidentes no futuro (em resultado da implementação de novos esquemas de sinalização e de soluções em termos do traçado da via), bem como de efeitos não pretendidos do traçado das estradas. A diminuição dos custos a longo prazo de possíveis colisões é o objetivo último deste tipo e análise que visa assegurar que as estradas sejam mais seguras.

Em geral, as estimativas nos diferentes países indicam que os custos das auditorias, associados ao tempo despendido com estas, são inferiores a 1% do custo de construção do projeto completo.

Fotos: ottawa.ca, wkyufm.org, equipmentworld.com, kullabs.com