Choques em cadeia

Choques em cadeia

Muitas, mais do que as desejáveis ou expectáveis, são as vezes em que somos confrontados nos meios de comunicação social com situações conflituosas de tráfego em grupo, nomeadamente os choques em cadeia. Grande parte das vezes a responsabilidade de tal ter acontecido é imputada às condições atmosféricas que se verificavam na ocasião, ou às condições de conservação da via.

Com o avançar dos anos, o parque automóvel português aumentou consideravelmente. Aumentou e melhorou. Com a tecnologia automóvel a evoluir, a segurança ativa com que as marcas equipam os seus veículos são publicitadas, quase, como se de algo mágico estivesse dentro do veículo que protegesse os condutores do acidente rodoviário. Acontece que essa ideia é errada, uma vez que essa tecnologia serve, apenas, para apoiar o condutor na sua atividade de conduzir.

A condução e os sistemas de segurança

Vejamos então do que estamos a falar. É verdade que cada vez mais os automóveis veem equipados com sistemas eletrónicos de segurança, sistemas esses que irão auxiliar o condutor na sua atividade de conduzir. TPMS, direção assistida, ABS, BAS, entre outros. Acontece que estes sistemas, só por si, não desenvolvem a condução, estando esta determinada ao condutor.

Quando ligamos a televisão e verificamos que aconteceu mais um choque em cadeia, primeiro ficamos estupefactos, depois atentamos ao que o jornalista descreve e por fim escutamos as testemunhas do ocorrido, quando as há. E é aqui que devemos dar especial atenção, uma vez que é com o testemunho destes participantes que tentamos visualizar o pré do acidente.

Normalmente escuta-se o(s) envolvido(s) a dizer que vinham a conduzir e de repente caiu um nevoeiro enorme que lhe retirou a visibilidade para a via e restante trânsito. Não se aperceberam que haviam automóveis parados na estrada e quando tentaram parar, já não o conseguiram fazer a tempo de evitar o acidente. Outro fator foi a via estar molhada.

Se pararmos para pensar um pouco, facilmente concluímos que o nevoeiro não cai vindo do nada sobre os condutores. O nevoeiro é perceptível à distância. O problema é que os condutores não adaptam a sua velocidade ao facto de terem avistado a presença de nevoeiro e, quando o abordam, ao se aperceberem que é demasiado denso, travam com alguma precipitação e demasiada intensidade, por vezes, não observando quem transita atrás.

Outras das vezes, apesar de travarem com alguma serenidade, esquecem-se os condutores que os pneus que equipam os seus veículos já não se encontram nas melhores condições, que o pavimento está molhado e eventualmente sujo de gorduras que não vão permitir uma travagem desejada e com a dissipação de energia necessária.

Para que possamos fugir à possibilidade de nos virmos envolvidos numa situações de choques em cadeia, devemos perceber o estado das condições atmosféricas, adaptar a velocidade, diminuindo-a muitas das vezes, aumentar a distância de segurança em relação aos outros veículos, sinalizar a nossa presença com a utilização das luzes de cruzamento e nevoeiro quando justificável. E sempre que se imobilize, utilize as luzes de perigo para alertar os outros condutores.

Foto¦ Sic