Cuidado com as primeiras chuvas

Com as primeiras chuvas chega a “época” dos toques e pequenos acidentes. Analisando os dados disponíveis existem dois fatores para estas ocorrências: a redução da aderência aliada a uma distância de segurança incorreta são duas das condições para estes acidentes acontecerem.

Se as causas são fáceis de apurar porque é que as medidas de prevenção são tão difíceis de implementar? Qual é razão para que não exista uma condução com cautelas redobradas? Porque é que os condutores não gerem de forma adequada os meios que dispõem? Saiba mais aqui.

Incidência de acidentes devido a piso escorregadio

A derrapagem por falta de aderência contribui para a ocorrência de acidentes rodoviários. Segundo um estudo realizado no Reino Unido, de um total de 4 milhões de acidentes. mais de 53 000 acidentes tiveram na sua origem estradas escorregadias. Admitindo que a percentagem é baixa, aproximadamente 1,3 %, tudo muda de figura quando nos toca a nós surgir nas estatísticas. E quando analisamos os dados constatamos que muitos dos acidentes deste tipo estão concentrados nesta altura do ano, percebemos que algo deverá ser feito para evitar este tipo de incidentes.

Uma pequena mudança na capacidade de aderência do piso pode ter um efeito drástico na fricção superficial. Ao ser mais reduzida deixa de ter a capacidade de “segurar” os pneus, impedindo-os de efetuarem a sua tarefa. Quando um dos componentes dum veículo deixa de ter possibilidade de efetuar a sua tarefa, a segurança fica comprometida.

A aderência do piso pode estar comprometida…

A maioria das estradas é projetada com uma curvatura convexa para garantir escoamento das águas, permitindo assim a saída, por gravidade, da água da superfície da estrada. Os problemas surgem nas entradas e saídas de curvas externas, onde a inclinação transversal é próxima de zero.

A menos que essas seções de estrada tenham uma inclinação de cerca de 0,5% a água não escoa. Nestes casos resta o pavimento permeável, que permite que a água seja absorvida pelo material do pavimento, sendo conduzida para o subsolo. Permite reduzir a acumulação na superfície, até determinado ponto, antes de atingir o ponto de saturação.

Como vimos, o derrapar da estrada pode ser reduzido pelo desenho adequado do pavimento, mas não só. O agregado betuminoso utilizado no pavimento também desempenha um papel importante neste tema. Mas os agregados tendem a ficar polidos sob a ação dos pneus.

Uma vez perdida a textura do pavimento a aderência torna-se precária. Pode ser restaurada com procedimentos de raspagem e texturização da superfície. A sujidade também representa um perigo para o tráfego rodoviário devido à redução da aderência. A limpeza, por varredura ou outro meio, permite que todo o material solto seja removido, aumentando a segurança.

… outro fator é a aderência dos pneus…

Nem todos os problemas podem estar no piso, podem estar nos pneus. É fácil fazer uma verificação visual do estado geral da integridade da borracha e se o piso existente no pneu é no mínimo acima que a lei exige.

Mas verifique também as paredes laterais dos pneumáticos, procure por fendas, ou cortes na parede lateral, caso existam dirija-se a uma loja da especialidade para apurar a gravidade das mesmas.

Verifique a pressão dos pneus e utilize a pressão recomendada pelo fabricante do veículo e pelo fabricante dos pneus. Lembre-se que, por norma, pneus mais estreitos tem menos tendência á aquaplanagem e os pneus com bom piso menos tendência á derrapagem.

… mas o principal fator está atrás do volante!

O fator mais importante da segurança rodoviária são as pessoas, sejam condutores, peões, ciclistas, ou outra qualquer forma de intervir na estrada. Neste caso em concreto, quando um veículo entra em derrapagem, ou aquaplanagem é complicado conseguir recuperar o controlo do veículo, em segurança.

A melhor estratégia é evitar os fatores que contribuem para a ocorrência da aquaplanagem. A velocidades reduzidas a probabilidade de ocorrer qualquer destes fenómenos é inferior.

O pneu tem capacidade de uma capacidade limitada de escoar a água, se circular excessivamente depressa não o consegue fazer adequadamente, sendo separado do solo pela pressão da água. De qualquer forma, evite passar sobre lençóis de água.

Os veículos mais recentes possuem sistemas de controlo eletrónico de estabilidade que funcionam aplicando, de forma seletiva, os travões em cada roda. Porém sem contacto com a estrada, nenhum sistema funciona, assim, só quando um veículo recupera a tração é que os sistemas conseguem voltar a operam.

Sempre que circular em estradas onde a acumulação de água seja visível não utilize o cruise control. Pois não terá controlo sobre a aceleração do veículo e este poderá tentar acelerar no momento menos oportuno.

Todas as ações dum veículo dependem do seu condutor. Por isso se as condições não são as ideais, sejam atmosféricas ou da via, após ponderar todos os fatores, depende sempre de cada um de nós decidir a forma de agir. Conduza em segurança.

Foto | PexelsGeorge Hodan