Investimento em estradas salva vidas? Grécia dá exemplo

Na Grécia, a transformação de um perigoso troço de montanha numa autoestrada permitiu fazer cair no espaço de dois anos os acidentes em 70%.

Falar de segurança rodoviária implica pensarmos num complexo e interligado ecossistema assente em diferentes agentes e vetores, de que os condutores, os veículos e as infraestruturas são pilares basilares. Se um destes elementos não estiver saudável, os outros ficam prejudicados, comprometendo-se o equilíbrio do que deveria ser uma estratégia de segurança rodoviária.

Trazemos aqui no Circula Seguro o exemplo de uma situação passada na Grécia que demonstra como o investimento num destes pilares – neste caso das infraestruturas – leva a ganhos imediatos em matéria de poupança de vidas em acidentes de viação.

Na Grécia, uma das estradas mais perigosas desta nação do Mediterrâneo, pelos numerosos acidentes mortais que ali aconteciam (em 2014, só num acidente, 21 pessoas perderam ali a sua vida), transformou-se, há dois anos, numa das vias mais seguras do país, já que este eixo rodoviário entre Atenas a Tessalónica, e que passava no Vale de Tempi, foi convertido numa autoestrada com três novos túneis e pontes.

A estrada de curvas de montanha deu lugar a uma via rápida, de muito maior segurança.

Túneis de Tempi. Foto: Aegean Motorways

O projeto foi apoiado pelo fundo de coesão da União Europeia, tendo já permitido reduzir o número de acidentes na ordem dos 70%. A nova infraestrutura da A1 integra a Estrada Europeia E75, que une a Noruega ao sul da Grécia.

Apesar dos atrasos da construção, também devido à crise económica do país, a nova infraestrutura melhorou a mobilidade e reduziu os tempos de viagem.

Como parte dos trabalhos, uma nova secção de 30 km entre Evangelismos e Skotina foi construída, incluindo 11 km de túneis. Isto inclui 6 km de túnel em Tempi que se tornou no mais comprido túnel no sudeste da Europa, bem como outros dois túneis de menor dimensão.

Nesses 11 km de extensão dos três túneis, o tráfego rodoviário é monitorizado 24 horas por dia, sete dias por semana, com câmaras de vídeo, entre outros equipamentos obrigatórios neste género de infraestrutura.