Por essas estradas de Portugal

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Como grande parte dos portugueses neste mês de agosto e uma boa parte espanhola, rumei a terras algarvias em busca de recarga de baterias. Não das baterias do meu automóvel, mas das baterias da família. E se decidi, assim o fiz e coloquei-me à estrada, não sem antes verificar o estado do meu automóvel, itinerário a seguir e melhor hora para dar inicio à viagem. Não ficaram esquecidos os locais para fazer paragens de repouso.

Com o GPS programado com inicio programado desde a entrada da A1 em Aveiras de Cima, desde o meu ponto de partida até aquele local, resolvi utilizar a Estrada Nacional 109. Como é meu costume, não vou com grandes pressas de chegar e procuro adaptar a velocidade de forma a puder poupar algum combustível também, assim como a distância de segurança.

Numa viagem cujo GPS definia como demorar 5,23 horas, eu realizei-a, já com paragens incluídas, em cerca de 6,30 horas. Para muitos é uma loucura de tempo, no entanto para mim e para a família foi uma viagem que se fez muito bem. Chegámos muito a tempo das férias, da praia, do sol e de umas boas banhocas.

As vias utilizadas

Optei então por circular pela Estrada Nacional 109 até Aveiras de Cima. É uma viagem que conheço muito bem, mas sempre que a faço desejo encontrar o itinerário composto por um pavimento melhor daquele que encontrei na passagem anterior. Acontece que tal continua a não se verificar. principalmente na zona de Rio Maior, local onde podemos encontrar um troço de cerca 10 quilómetros composto por um asfalto colocado nos finais dos anos 80 e que, supostamente, seria o futuro das estradas.

Acontece que esse futuro não se concretizou e, desde sensivelmente o quilómetro 54 que temos um asfalto em estado de degradação bastante avançado, sem manutenção recente, partido, com muitas oscilações, bermas muito sujas… em total abandono e onde apenas se verifica a colocação de um sinal de perigo com um painel com a informação “Pavimento em mau estado“.

Autoestrada Nº1

Aveiras de Cima foi então o acesso à autoestrada nº1 que escolhi. Retirei o título, sabendo que desde ali, apenas iria sair já no Algarve, na Autoestrada nº22. Com paragens programadas, lá fui seguindo as orientações do GPS nos diversos acessos que teria de fazer nos respetivos nós de ligação. Fui circulando a uma velocidade que considero suficiente, dentro dos 100 km/h.

Acontece que muitos dos condutores que por mim iam passando, a velocidades bem superiores ao máximo permitido, com a pressa de chegarem ao seu destino, não percebiam que eu não estava com pressa. Muitos olhavam de lado ao ultrapassarem, outros encostavam-se exageradamente, colocando em perigo todos os que naquele espaço circulavam.  Muitos destes condutores, viria a encontra-los nas áreas de serviço onde realizava as minhas paragens de repouso. É que quem viaja com crianças, tem de fazer paragens mais frequentes.

Circular desde Aveiras de Cima até ao final da A2, percebem-se essencialmente três coisas; Que não encontrei nenhum veículo da Guarda Nacional Republicana em fiscalização, há condutores que não respeitam a segurança alheia, uma vez que mais do que a velocidade excessiva, praticam manobras que não se enquadram no local (ultrapassagem pela direita, pouca distância de segurança) e o pavimento está num estado deplorável, contrariando a necessidade de permitir um bom e continuo atrito dos pneus ao mesmo.

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Autoestrada nº22 (Via do infante)

Circulei na autoestrada nº22, mais conhecida como Via do Infante. Esta é uma via, essencialmente, de apoio a quem trabalha no Algarve e necessita de se deslocar entre pontos mais longínquos. Deste modo, não se percebe o porquê de portagens através de pórticos, muito menos de valor tão elevado e em tão curtos espaços de distância. Menos se percebe como se pode cobrar tanto numa via onde a qualidade do pavimento, também aqui se encontra num estado muito degradado, onde a manutenção passa apenas pela colocação de uma cola que una as quebras derivadas de uma má construção do mesmo.

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Muito se tem falado e escrito sobre e da Estrada Nacional 125 que liga Vila Real de Stº. António a Vila do Bispo, dos seus perigos e sinistralidade rodoviária. Nestes meus 1 505 quilómetros de férias percorridos, parte deles foi a desenvolver esta tão má afamada via de circulação. E do que observei nessa minha travessia, é que a Estrada Nacional 125 está “partida” em duas secções diferentes, ou seja, Vila Real de Stº. António – Faro é um setor e Faro – Vila do Bispo, um setor com uma realidade bem diferente.

Se de Vila Real de Stº. António a Faro encontramos uma via de grande intensidade de tráfego composto por uma diversidade de matriculas onde, no mesmo espaço circulam condutores portugueses, espanhóis e franceses, já de Faro a Vila do Bispo é maioritária a circulação de veículos com matricula portuguesa. Outras importantes diferenças de que me apercebi, foram os comportamentos, nomeadamente as velocidades praticadas e manobras realizadas.

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Entre Vila Real de Stº. António e Faro, sensivelmente, e fiz parte este troço diversas vezes em trânsito de visita de diversas praias, constatei que a velocidade praticada estava dentro das velocidades permitidas, que variam entre os 40 km/h e os 70 km/h, distância de segurança de cerca de quatro viaturas e não vi acontecerem ultrapassagens fora do contexto de segurança. A única manobra menos segura que vi acontecer e foi diante de mim, tratou-se de um quadriciclo que, circulando em sentido contrário ao meu, mudou de direção à esquerda, obrigando-me a uma colocação de travão ligeiramente mais forte.

No troço que percorri entre Faro e Vila do Bispo, constatei que o asfalto é melhor, mais tratado, há menos trânsito entre o itinerário de Lagos e Vila do Bispo, mas a velocidade praticada, as distâncias de segurança e as manobras, principalmente a de ultrapassagem, não são respeitadas. Tristemente, verifiquei a realização de manobras de ultrapassagem em curvas de má visibilidade, em vias onde foi violentada a linha continua a separar sentidos de trânsito e uma das vezes a necessidade de um veículo ter de “fugir” para a berma para evitar um eventual choque frontal.

Pode falar-se em sinistralidade rodoviária na Estrada Nacional 125, porque como em todas as outras vias do país existe e porque, tal como tantas outras vias também esta atravessa pelo interior de localidade. No entanto, se se respeitar as normas de segurança, esses acidentes não acontecerão. Tem de haver, essencialmente, um bom comportamento por parte de todos os utentes da via. Das irregularidades que assisti, à exceção do quadriciclo, que era conduzido por um senhor de maior idade, todos as outras eram viaturas conduzidas por indivíduos do sexo masculino a rondar os vinte e poucos anos de idade.

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Esta Estrada Nacional 125, ao atravessar diversas localidades, muitas delas fortemente ligadas a atividade agrícola, faz com que haja também um elevado número de veículos que, tendo de respeitar as normas de trânsito, não necessitam de habilitação legal para serem conduzidos, logo não necessitam os seus condutores de formação. Isto faz com que o risco de acidente rodoviário aumente. A EN 125 é uma estrada fortemente turística, mas de modo algum uma solução para quem se tem de deslocar para trabalhar.

O regresso a casa foi feito um dia antes do previsto. Tal aconteceu porque previmos que se regressássemos no dia inicialmente programado iriamos estar sujeitos a encontrar uma intensidade de tráfego elevada. Desta feita, ao optarmos por vias secundárias e sem pressa de chegar, conseguimos poupar dinheiro em portagens e mantive mos o mesmo gasto em combustível.  A todos os que vão de férias até ao Algarve, sugerimos a utilização da EN 125, para se deslocarem, pois desta forma poupam muito dinheiro ao não estarem sujeitos às absurdas portagens da A22 – Via do Infante. Faça boa viagem.

Foto | Sicnoticias, marafado, cmjornal