O que são as Autobahn?

Os alemães inventaram um tipo de estrada onde podem andar livres de todas as proibições (ou quase) que causam demoras e obrigam a andar lentamente. Fizeram-no retirando os cruzamentos, entroncamentos, semáforos, ciclistas e pedestres nesse tipo de via, tornando-a numa via reservada.

Chamaram-na de Autobahn. Na verdade o termo completo oficial é Bundesautobahn que se traduz em “autoestradas federais”. A primeira estrada deste género começou a ser construída em 1929, entre Colónia e Bona, sendo inaugurada em 1932. Saiba mais aqui.

O nome Autobahn é um termo alemão que surgiu junto com este tipo de via, é a conjunção de Auto, que significa automóvel, com Bahn, que significa caminho, ou estrada. O termo foi criado na época por Robert Otzen, um engenheiro de infraestruturas alemão.

Como surgiram as autobahn

O conceito para a construção do que seriam as primeiras autoestradas foi concebido pela primeira vez no final da década de 1910. Iniciaram as obras em 1913 e foram chamadas de inicialmente de “Estradas de Trânsito e Testes de Automóveis”. Com o início da Primeira Guerra Mundial, as obras foram interrompidas. Mas na verdade não progrediram muito além da fase de planeamento devido a problemas económicos e falta de apoio político.

Depois de terminada a guerra, recomeçaram a construção das autoestradas em meados da década de 1920. O novo projeto denominava-se HaFraBa, e foi uma iniciativa privada. O plano era criar estradas rápidas que atravessassem a Alemanha a partir de Hamburgo, passassem por Frankfurt am Main, terminando em Basileia na Suíça.

A primeira autoestrada pública desse tipo foi terminada a 6 de agosto de 1932. Tinha cerca de 20 km e ligava as cidades de Colônia e Bona. Tinha quatro faixas de rodagem e tinha 12 metros de largura. Cada conjunto de duas faixas foi reservado para cada sentido, existiam ainda 2 metros em cada lado para as bermas.

A construção de uma via de quatro faixas era um conceito muito inovador à época. Foi justificada com o fundamento de que a segunda faixa de cada sentido seria utilizada para ultrapassagens. Essa ideia era baseada no fato que os pesados circulavam a uma média de 40 km/h, provocando muito volume de tráfego lento.

Essa estrada é a A 555, mas na época ainda não era denominada de Autobahn, mas uma Kraftfahrstraße, traduzindo, estrada de veículo a motor. Foi considerado a via mais movimentada da Alemanha na época, com um volume de tráfego superior a 1.800 veículos por hora.

Recordes de velocidade

As diversas autobahns formaram o primeiro sistema federal alemão de estradas de acesso controlado, a maior rede de estradas de “alta velocidade” do mundo até então. As estradas eram recheadas de longas retas e foi utilizado para tentativas de obtenção de diversos recordes de velocidade.

As equipas de corrida alemãs da época utilizaram-nas frequentemente, até a ocorrência de um acidente fatal envolvendo o popular piloto de corridas germânico Bernd Rosemeyer, no início de 1938.

O recorde mundial de 432 km/h, obtido por Rudolf Caracciola foi obtido numa destas vias. Por curiosidade, foi conseguido momentos antes do acidente de Rosemeyer. Hoje em dia continua sendo uma das mais altas velocidades já alcançadas em estrada pública. Atualmente essa estrada é a A 9, no sul de Dessau.

A autobahn não tem limites?

O fato mais atrativo da Autobahn para os amantes de automóveis é a velocidade, ou melhor a falta de limite de velocidade. Legalmente, a Autobahn não têm limites de velocidades para algumas classes de veículos.

De fato a sua fama por serem uma das poucas vias públicas no mundo sem limites de velocidades para carros e motos tornou-se um importante marco da cultura alemã. Mas existem exceções, em áreas urbanizadas, em áreas propensas a acidentes ou em construção. Prudentemente, em caso de mau tempo, passam a existir limites de velocidades, mais, nesses casos são frequentes os controles de velocidades.

Mesmo assim em trechos sem restrições de velocidade aplica-se um limite recomendado de 130 km/h. Embora não seja ilegal conduzir acima da velocidade recomendada em trechos sem restrições, há um aumento da responsabilidade em caso de acidente.

De acordo com o Conselho Europeu de Segurança de Transportes, 52% da rede Autobahn tinha “apenas” o tal limite de velocidade recomendado. Em 15% existem limites temporários por causa das condições meteorológicas, ou devido à intensidade do trânsito. Mesmo assim em 33% existem limites permanentes.

Alguns limites são impostos a algumas classes de veículos:
60 km/h, para pesados com dois reboques, veículos agrícolas e motas com reboque, e autocarros com reboque ou com passageiros em pé;
80 km/h, para veículos com peso bruto superior a 3,5 toneladas, exceto automóveis de passageiros, automóveis de passageiros com reboque, pesados, e autocarros sem reboque ou com bagagem;
100 km/h, para automóveis de passageiros com reboque certificados para alcançar 100 km/h, e autocarros sem reboque certificados para alcançar 100 km/h.
Os limites de velocidades também podem ser temporariamente indicados por meio de sistemas dinâmicos de orientação de tráfego que exibem a mensagem de acordo com a regulamentação local.

Quando as Autobahns tiveram limites de velocidade

Até 1973, na Alemanha, na Suíça e na Áustria, não havia restrições de velocidades nas autoestradas. Durante a crise petrolífera, como em outras nações, a Alemanha impôs restrições temporárias de velocidades nas Autobahns. O limite foi colocado em 100 km/h, a partir de 13 de novembro de 1973.

O limite em território alemão durou 111 dias. Após a crise, nos outros dois países foram impostos limites permanentes de velocidade de 130 km/h. O Instituto Federal de Pesquisas Rodoviárias alemão realizou uma experiência de vários anos, avaliando a alternância de limites obrigatórios e recomendados em dois trechos de testes da Autobahn.

No relatório final, emitido no ano de 1977, o Instituto declarou que o limite obrigatório de velocidade poderia reduzir o número de fatalidades nas estradas. Porém haveria impactos económicos, portanto, uma decisão política tinha que ser tomada em razão dos compromissos envolvidos.

Naquela ocasião, o governo federal recusou impor um limite obrigatório de velocidade. Para fundamentar tal decisão baseou-se na análise das taxas de mortalidade nas Autobahns alemãs. Para tal comparou-as com os das autoestradas de outros países que impunham um limite geral de velocidade.

Mortalidade tem vindo a diminuir

De 1970 para 2010, a taxa global de mortes em todas as estradas alemãs reduziu-se em quase 80%. Passando de 19.193 mortos para 3.648. Nas Autobahns as mortes diminuíram de 945 para 430.

Em 2012,” a principal causa de acidentes nas Autobahns era o excesso de velocidade”, que como sabemos é a velocidade inadequada para as condições existentes. Ocorreram 6.587 acidentes relacionados com a velocidade, provocando a morte de 179 pessoas. Ou seja, 46,3% das 387 mortes registadas nas Autobahns naquele ano.

Em 2015, as Autobahns receberam 31% do tráfego e responderam por 11,97% das mortes de trânsito da Alemanha. A taxa de mortalidade por acidentes de condução nas Autobahns correspondia a 1,7 por mil milhões veículo por quilómetro. Um valor bem menor que nas outras estradas nacionais e áreas rurais onde atingem 6,9 mortes por mil milhões veículos por quilómetro.

Dimensões e construção da autobahn

Em julho de 2017, na Alemanha as estradas do tipo Autobahn estendiam-se por 12.996 km. Este valor colocava-a entre os países com uma das redes de autoestradas mais densas e extensas do mundo. A rede representa apenas 6% de todas as estradas no país, mas quase um terço do tráfego rodoviário total depende das Autobahns.

Por curiosidade, os sistemas mais longos são da China com 96.000 km, dos Estados Unidos da América com 76.334 km e da Espanha com16.205 km. Em Portugal a rede de autoestradas tem uma extensão de cerca de 3.100 km. No Brasil são cerca de 14 mil km com 1,3 mil km em construção.

A nível de construção, as Autobahns receberam uma camada mais grossa de asfalto e concreto, em relação às suas congéneres, com cerca do dobro do usado nas autoestradas normais. Os pisos das Autobahns foram construídos com cerca de 68 cm. Na época da sua construção, a velocidade máxima permitida era a de aproximadamente 160 km/h. Os projetos foram concebidos para poderem suportar velocidades de até 150 km/h nas curvas.

Identificação das Autobahns

O atual sistema de identificação das Autobahns foi iniciado em 1974. Passando a usar a letra maiúscula A, o que simplesmente significa “Autobahn“, seguida por um espaço em branco e um número. As principais estradas que percorrem todo o território da Alemanha têm um único dígito numérico.

As Autobahns mais curtas, têm um número de dois dígitos. O sistema é como se segue:
• A 10 a A 19, em Berlim, Brandemburgo, Saxônia, Alta Saxônia e Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental;
• A 20 a A 29, ao norte do país;
• A 30 a A 39, na Baixa Saxônia, Renânia do Norte-Vestfália e, em menor medida, na Turíngia, Saxônia e Alta Saxônia;
• A 40 a A 49, em Rhine-Ruhr e Frankfurt Rhine-Main;
• A 50 a A 59, na Região Baixa de Rhine e Colônia;
• A 60 a A 69, em Renânia-Palatinado, Sarre e no sul de Hesse;
• A 70 a A 79, em Francônia, Turíngia e Saxônia;
• A 80 a A 89, em Baden-Württemberg; e
• A 90 a A 99, em Altbayern e na região do Lago de Constança.

As autoestradas norte-sul são geralmente numeradas com números ímpares de oeste para leste, isto é, as estradas mais orientais têm números mais altos. Da mesma forma, as rotas leste-oeste são numeradas usando até mesmo números de norte, números inferiores, para sul, números mais elevados.

Fonte |
Fotos |