O que são e para que servem as zonas de velocidade reduzida?

As zonas de velocidade reduzida têm ganho crescentes adeptos nas cidades. Circular a 30 km/h ou mesmo menos, lado a lado com peões e ciclistas, traz algum tipo de vantagens?

Para restringir o uso do transporte individual nas cidades, sobretudo em zonas históricas, onde a malha urbana é muito compacta e o espaço público reduzido, e em bairros residenciais, onde é necessário garantir condições de coexistência pacífica entre os utentes da via e, assim, evitar acidentes com peões e ciclistas, têm vindo a ser criadas zonas de velocidade reduzida em cada vez mais cidades.

O que motiva esta decisão são preocupações com a segurança rodoviária.

Os especialistas em urbanismo defendem mesmo que, para efeitos de segurança, as velocidades reduzidas são essenciais em zonas em que os veículos motorizados circulam próximo de peões e ciclistas, por exemplo, utentes considerados como vulneráveis. Em muitos países, foram introduzidas zonas de velocidade reduzida em áreas residenciais, na proximidade de escolas e junto a zonas comerciais. Na Europa, as zonas de velocidade limitada a 30 km/h são frequentes.

Em zonas residenciais, a velocidade máxima até chega a ser menor, de 10 km/h ou de 15 km/h. “Em ambos os casos não basta fixar sinais de limite de velocidade. São necessárias medidas físicas para assegurar o cumprimento da velocidade reduzida, tais como estreitamento das vias, lombas e curvas. Bancos, canteiros com flores, espaços lúdicos e árvores permitem melhorar a experiência estética. As zonas de velocidade reduzida são apenas um elemento entre outras actividades mais gerais que ajudam a serenar o trânsito”, explica a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR).

A acção de serenar o trânsito visa não só instituir velocidades mais reduzidas, como também reduzir o fluxo de veículos automóveis em zonas específicas ou urbanas em geral ao desincentivar o tráfego de passagem e promover a marcha (de peões), o ciclismo e os transportes públicos.

Tradicionalmente a implementação de zonas residenciais ou de 30 km/h cabe às autoridades (rodoviárias) urbanas, como é o caso das câmaras municipais. Os especialistas em urbanismo defendem que “com a participação dos residentes no processo de planificação é possível angariar maior apoio público”. Esta proliferação de zonas de velocidade reduzida tem ainda levao a que, cada vez mais, sejam os próprios residentes a tomarem a iniciativa de fixar zonas de velocidade reduzida, com base nas orientações das organizações de segurança rodoviária.

Qual a sua eficácia e custo?

A ANSR refere que os resultados de um estudo realizado no Reino Unido apontam para uma redução de 27% dos sinistros, de 61% das colisões com ferimentos e de 70% dos acidentes graves em zonas com limite de velocidade de 30 km/h.

A ideia central sé que a velocidade de colisão influencia directamente a probabilidade de morte do peão, aumentando exponencialmente a partir dos 30 km/h.

 

Outros benefícios incluem uma maior circulação pedonal e de bicicletas e uma acessibilidade melhorada para os deficientes motores.

Os custos de execução e manutenção dependem da dimensão da zona e das características instaladas. Os custos ambientais em termos de emissões de carbono podem ser reduzidos, evitando-se a necessidade de mudanças repentinas de velocidade (acelerar e desacelerar) e reduzindo o uso do automóvel através do desincentivo ao cruzamento do tráfego.

Fotos: dekra-solutions.com, flickr.com, contrepoints.org, cyclinginedmontonfromtheeyesofateen.blogspot.pt, irishtimes.com