“Solar Roadways” as estradas do futuro?

solar raodways

Muitas vezes olhamos para a estrada que percorremos como algo chato e aborrecido, pois de forma simplista podemos dizer que afinal trata-se simplesmente de alcatrão compactado, um projeto norte-americano denominado “Solar Roadways” pretende mudar essa forma de vermos o revestimento das estradas.

Pelo nome percebe-se que será uma forma de aproveitar a grande área que as estradas ocupam na superfície terrestre, aproveitando a energia solar que estas captam diariamente para a produção de energia, mas vejamos que mais promete esta inovação.

O que é a “Solar Roadways”?

A ideia é trocar o tradicional alcatrão por painéis solares, transformando, assim, todas as estradas que tivessem esse revestimento inovador em fornecedores de energia, os painéis são modulares e tem uma alta resistência, podendo suportar até 110 toneladas, originando “energia suficiente para alimentar as casas e empresas que estiverem ligadas à rede solar”, conforme consta da descrição do projeto.

Para algumas pessoas esta ideia pode parece algo extremamente inovadora, se bem que já não seja a primeira vez que alguém apresenta algo do género, neste caso a diferença é que o projeto pretende criar não só o conceito mas também o protótipo funcional a ser implementado, para já, em parques de estacionamento.

A superfície é feita de vidro temperado altamente resistente, segundo os responsáveis do projeto este pavimento terá uma aderência idêntica ao asfalto, com um aspeto rugoso semelhante a pequenas saliências arredondadas e pode ser aplicado em diversas situações, desde os já mencionados parques de estacionamento até autoestradas.

Quem criou e quem financiou?

Idealizado pelo casal Scott e Julie Brusaw, da cidade Sandpoint, no estado americano do Idaho, que fundou a empresa em 2006, este projeto foi apoiado oficialmente por pelo menos duas vezes, entenda-se financiado, pelo governo dos Estados Unidos da América, através do Departamento de Transportes, numa primeira fase do projeto com 100.000 dólares, atribuídos para a Inovação Tecnológica em Pequenas Empresas, em 2009.

Em 2011 foram 750.000 dólares para a fase 2, e foi construído um pequeno parque de estacionamento, com 3,7 por 11 metros, com painéis solares cobertos de vidro hexagonal assente numa base de cimento. A forma hexagonal permite uma melhor cobertura em curvas e elevações, ou declives.

A empresa conseguiu ainda mais 1.881.359 de dólares, até hoje, 3 de junho de 2014, através de uma campanha de crowdfunding, no site Indiegogo, onde diversos privados pagam pequenos montantes por algo que acreditam que irá funcionar. Estavam a pedir “só” 1 milhão, mas já o ultrapassaram e a campanha ainda tem mais 18 dias de angariação.

Diz-se que esta campanha superou sua meta em parte devido a um Tweet feito por George Takei, que interpretou a personagem Sulu, em Star Trek, o Caminho das Estrelas, devido a seus mais de 8 milhões de seguidores.

A ideia pode parecer utópica ou até digna de um filme de ficção científica, mas o projeto é real e com o apoio estatal americano à pesquisa poderá dar origem, quando estiver 100% desenvolvido, a algo a ser implementado a nível oficial nas terras do Tio Sam.

Outras características da “Solar Roadways”

Para além da componente de geração de energia, este projeto apresenta outras características que tem a segurança como principal intenção, a superfície dos módulos aquece, o que permite eliminar resíduos de neve, impedir a formação de gelo e ajuda ainda a secar mais rapidamente a superfície da estrada.

Outra característica muito importante para a segurança rodoviária é que os painéis incorporarão um sistema de luzes LED que podem fornecer indicações normais tais como a linhas delimitadoras da faixa de rodagem, e ainda, informações adicionais aos condutores como, por exemplo, aviso para situações de acidentes ou desvios temporários.

O projeto menciona ainda que possuirá incorporadas diversas tomadas elétricas onde será possível o carregamento de veículos elétricos. Entre as vantagens apresentadas é mencionado ainda que a água da chuva recolhida poderá ser aproveitada para a agricultura ou para lavagens e rega em residências.

As questões que ainda faltam responder

Falta saber qual o custo da aplicação desta inovação tecnológica por comparação com a que é usada atualmente, sendo necessário verificar, caso este projeto seja aplicado em grande escala se os ganhos anunciados serão efetivamente reais. Para já a empresa “Solar Roadways” apenas adiantou que o investimento paga-se ao longo da vida do produto.

As preocupações dos críticos não derivam só da inadequação das peças, como da própria superfície usada e da sua falta de aderência típica do vidro, especialemente quando molhado, passando pelos altos custos envolvidos, que incluem a infrastura base, que segundo os críticos é demasiado onerosa. Mas a pouca visibilidade da própria iluminação LED que pretendem implementar na estrada, e o curto tempo de vida dos materiais envolvidos não estão fora da polémica. Um assunto a seguir no futuro.

Foto | Scott Brusaw