A segurança rodoviária em números

Duarte Paulo

10 March, 2020

A segurança rodoviária deixa de ser somente números quando implica alguém próximo

Cerca de 1.300.000 pessoas morrem nas estradas do mundo e 20 a 50 milhões são feridas todos os anos. Os acidentes de trânsito são uma das principais causas de morte entre todas as faixas etárias. Mas é a principal causa de morte de crianças e adultos jovens de 5 a 29 anos. Saiba mais sobre a segurança rodoviária em números.

O risco de morrer num acidente de trânsito é três vezes maior em países com baixos rendimentos do que em países de rendimentos mais altos. Este é um dos dados apurados pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Essa base de dados apresenta valores das mais recentes estimativas de saúde globais da OMS e do relatório de status global sobre segurança no trânsito.

Milhões de vidas podem ser salvas e os ferimentos evitados com leis de segurança rodoviária bem aplicadas sobre velocidade, bebida, uso de cintos de segurança, sistemas de retenção para crianças e capacetes para motociclistas. Sem dúvida que projeto de estradas, padrões aprimorados de veículos e melhores cuidados de emergência também salvam muitas vidas.

Fatores que agravam os números da falta de segurança

Peões, ciclistas, condutores e passageiros de veículos motorizados de 2 e 3 rodas são conhecidos coletivamente como sendo os utilizadores mais vulneráveis da estrada. Estes utilizadores representam metade de todas as mortes no trânsito no mundo. Associando este fato ao de sabermos que existe uma proporção maior de utilizadores vulneráveis em países cujos rendimentos são mais baixos. Atendendo a este fato  é inteligível o estado geral dos números da segurança.

Esse fato deve-se ao preço de compra dos veículos de quatro rodas ser mais elevado que os de duas rodas, associado á segurança dos veículos de duas rodas, que naturalmente são menores. Isto culmina num desfasamento de condições de mobilidade entre os diversos países. Nos países mais pobres a própria rede viária geralmente é mais deficitária e o tráfego por vezes mais caótico e sem respeito pelas regras básicas de circulação.

À medida que a velocidade média aumenta, também aumenta o risco de ter um acidente de trânsito. Assim como a gravidade das consequências em caso de acidente. Por cada aumento de 1% na velocidade média, há um aumento de 4% no risco de acidente fatal. Um peão atingido por um carro a 65 km / h enfrenta mais de quatro vezes o risco de morte do que se o carro estivesse dirigindo a 50 km / h.

Outro fator por demais conhecido da segurança rodoviária é o álcool. A sua ingestão e a condução não são compatíveis, pois aumenta drasticamente o risco de um acidente. A OMS recomenda um limite de álcool no sangue de ≤0,05 g/dl para a população geral de condutores. Todavia coloca em ≤ 0,02 g/dl para condutores jovens e iniciantes. Apenas 45 países têm leis que limitam a estes valores o álcool no sangue. É necessário implementar estas medidas na legislação.

O que para alguns países é básico, noutros ainda é necessário implementar

Use capacete. De preferência de boa qualidade, pode reduzir o risco de morte em 42% e lesões graves em aproximadamente 70%. Apenas 44 países, representando 17% da população mundial, têm leis que obrigam ao uso de capacete. É necessário apelar a que todos os países tenham leis que apelem às melhores práticas de segurança rodoviária. Incluindo a estipulação de padrões de qualidade dos capacetes.

Usar um cinto de segurança reduz o risco de ferimentos e mortes entre os ocupantes dos bancos da frente. Garantindo em 45-50% e os ocupantes dos carros do banco traseiro em 25-75%. 105 países, representando 71% da população do mundo, têm leis de cinto de segurança que incidem sobre os ocupantes da frente e de trás, de acordo com as melhores práticas.

O uso do telefone enquanto conduz (seja de mãos livres ou não) aumenta o risco de acidente em 4 vezes, enquanto as mensagens de texto aumentam o risco em cerca de 23 vezes. Os tempos de reação do condutor são 50% mais lentos ao usar um telefone do que sem esse gadget.

A colocação de crianças em sistemas de retenção para crianças, vulgo cadeirinhas, reduz o risco de morte em pelo menos 60%, principalmente para crianças com menos de 4 anos. Para crianças de 8 a 12 anos, os assentos elevatórios podem reduzir o risco de lesões em 19% em comparação ao uso de cinto de segurança sozinho. As leis de melhores práticas restringem as crianças sentadas no banco da frente e exigem restrições apropriadas consoante o trinómio idade / altura / peso.

Assistência e tecnologia garantem melhoria da segurança

A segurança dos veículos desempenha um papel crucial na redução da gravidade dos ferimentoe e fatalidades

Algumas vidas podem ser salvas com atendimento oportuno no local, transporte imediato ao hospital para atendimento de emergência e cirúrgico e acesso antecipado a serviços de reabilitação. Analogamente, os “espectadores” podem ajudar a salvar vidas, ativando o sistema de atendimento de emergência e realizando ações simples de atendimento até que a ajuda médica profissional chegue.

A segurança dos veículos desempenha um papel crítico na prevenção de acidentes e na redução da probabilidade de ferimentos graves em caso de acidente. O Fórum Mundial das Nações Unidas para a Harmonização dos Regulamentos de Veículos recomenda 7 padrões de segurança para veículos, incluindo controle eletrónico de estabilidade, proteção contra impactos dianteiros e laterais e proteção frontal para peões. Mas apenas 40 países, novamente os de maiores rendimentos, adotaram todos os padrões nos seus regulamentos nacionais.

Finalmente, as estradas devem ser projetadas para a segurança de todos os utilizadores. Isso significa garantir instalações adequadas para peões, ciclistas e motociclistas. Principalmente medidas como passeios, ciclovias, pontos de passagem seguros e medidas de acalmia do tráfego são críticas para reduzir o risco de ferimentos entre esses utilizadores da via pública.

Fonte | Organização Mundial de Saúde
Fotos | NettoFigueiredo, Hurlburt Field

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