Barcelona testa modelo de superbairros para ajudar ao trânsito

A reformulação da circulação rodoviária pode levar à poupança de vidas, conclui um estudo que analisou o conceito de “Superblocos” que existe em Barcelona.

Um estudo realizado pelo Instituto de Barcelona para a Saúde Global (Barcelona Institute for Global Health) calcula que a capital da Catalunha poderia evitar 667 mortes prematuras todos os anos se alargasse a teoria dos chamados “Superbairros” ou “Superblocos” ou “Super quarteirões” a toda a cidade.

Essas vidas que seriam poupadas devem-se principalmente à diminuição dos níveis de poluição do ar (NO2), da redução do ruído do tráfego e da mitigação dos efeitos das ilhas de calor.

Esses “Superbairros” são grupos de ruas onde o tráfego é reduzido para quase zero, com o espaço, que anteriormente estava ocupado por automóveis, a ser entregue a peões.

Recuperar espaço público

O modelo de “superblocos” foi desenvolvido com o objetivo de recuperar o espaço público para os cidadãos e resolver os altos níveis de poluição do ar e a falta de espaços verdes em Barcelona. O conceito foi criado pela BCNecologia, dirigida por Salvador Rueda, e a proposta inicial era criar 503 superblocos espalhados uniformemente por toda a cidade.

Desde 2016 que este conceito de superblocos vigora em seis bairros da capital da Catalunha. Esses distritos em que várias ações de reconstrução foram implantadas ao abrigo do projeto são Poblenou, Sant Antoni, Horta, Gràcia, Les Corts e Sants. Este estudo quantifica os benefícios de um possível alargamento da área abrangida.

Os “superbairros” são zonas de cerca nove quarteirões, onde o trânsito automóvel é restrito às estradas principais da periferia desses blocos agrupados. As ruas interiores seriam abertas a residentes, ciclistas e serviços, sendo fechadas a automóveis. Para além dos benefícios para a saúde, haveria uma diminuição da sinistralidade, pela diminuição da circulação de veículos particulares.

As estimativas resultantes indicam ainda que estes “superblocos” poderiam aumentar a expectativa de vida em quase 200 dias em média por pessoa.

Com a implementação do projeto na sua totalidade, os níveis médios anuais de poluição do ar por NO2 seriam reduzidos em 24% e os níveis de ruído do tráfego diminuiriam 5,4%.

Além disso, o transporte automóvel privado seria reduzido consideravelmente e, das quase 1.190.000 viagens que ocorrem todos os dias durante a semana em Barcelona, estima-se que cerca de 230.000 sejam realizadas por transporte público e ativo (de bicicleta e/ou a pé). O estudo estima que essa mudança nos modos de transporte significaria um aumento da atividade física que resultaria em 36 mortes prematuras evitadas.

Foto: Max Pixel