Está consciente dos riscos de se automedicar e conduzir?

Ines Carmo

11 March, 2020

Como já referimos em várias ocasiões, os fármacos na condução não produzem apenas sonolência. Alguns alteram em maior ou menor grau as capacidades e habilidades necessárias para se sentar ao volante com total segurança. Reflexos lentos, instabilidades, indisposição ou visão turva são alguns dos sintomas que podem aparecer e por isso é sempre imprescindível consultar o médico ou o farmacêutico sobre as advertências em caso de condução.

O problema maior é quando se faz uma utilização irresponsável dos medicamentos de venda livre sem nenhum tipo de controlo e debaixo da falsa premissa de que os seus sintomas serão mais suaves. Ainda que não necessitem de receita, dado que tratam de uma patologia menor, não estão livres de efeitos secundários que podem supor um verdadeiro risco no carro, mais ainda se forem misturados com outros medicamentos ou com álcool.

Por que é que automedicar-se se transformou num hábito de risco

Definimos a automedicação como a ingestão de medicamentos por iniciativa própria e sem qualquer intervenção por parte do médico, ou seja, sem ter havido um diagnóstico, prescrição e, fundamentalmente, sem supervisão do tratamento. Precisamente por este último motivo, automedicar-se tem riscos, mais ainda quando se parecer ter transformado num hábito social a que se recorre de forma frequente quando nos dói a cabeça, o estômago, quando temos tosse, sintomas de alergia ou simplesmente para baixar a tensão e o stress.

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Desde logo que a automedicação responsável é necessária para evitar problemas menores e poder continuar com o nosso dia a dia, por exemplos, em caso de febre alta, acidez no estômago ou os sintomas chatos de uma gripe tão comuns nesta altura do ano (não falamos, claro, do Corona Virus). Mas é importante sublinhar que o deve fazer por um período de tempo limitado. Estes medicamentos sem receita médica são os mais correntes: ibuprofeno, paracetamol, analgésicos, antipiréticos, descongestionantes, alguns antihistamínicos, antiácidos.

Sem serem estes, é necessário ter a prescrição de um médico. No caso de não dispor de uma, a sua ingestão está absolutamente desaconselhada apesar de acontecer mais frequentemente do que parece. Um exemplo claro é o uso de antibióticos quando existe uma suspeita de infeção, sem ter ido a uma consulta.

Os efeitos adversos de alguns destes fármacos são muito perigosos e, além disso, 80% dos seus consumidores diários, desconhece qual o seu grau de compatibilidade com a condução. Na opinião dos especialistas, a relação entre os medicamentos e os acidentes de trânsito tem-se vindo a intensificar de forma drástica e, de acordo com a Fundação espanhola CNAE, se nenhum condutor se drogasse, o  número total de vítimas em acidentes de trânsito em Espanha reduzir-se-ia em 400 mortes por ano.

Que fármacos são os mais solicitados e de que forma afetam a condução?

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A depressão e a ansiedade, assim como as alergias e as doenças cardiovasculares transformaram-se numa epidemia que se expande pela sociedade devido ao nosso estilo de vida. Os tratamentos farmacológicos que tratam estas doenças, em muitos casos, são complexos e impedem a condução de veículos. Analgésicos, antidepressivos, antihistamínicos, antitússicos, relaxantes musculares são alguns dos que se podem comprar sem receita médica, mas que têm uma influência direta nas capacidades para a condução. Conhecer os efeitos adversos é o primeiro passo.

  • Analgésicos: produziu-se uma exposição em massa das pessoas de todos os grupos etários a este tipo de fármacos e, caso se abuse ou se tome de forma indiscriminada, sem controlo profissional, pode causar alterações graves do aparelho digestivo e dos rins, que pode provocar náuseas e diarreias durante a condução.
  • Antibióticos: Ainda que hoje em dia seja necessário ter uma receita, são os mais pedidos em consulta pelos pacientes, até mesmo quando não há um diagnóstico de infeção que exija o seu uso. A pior parte é quando além de se automedicar, fá-lo com embalagens guardadas anteriormente sem ver a data de validade. Mais do que provocar resistências, a febre pode não baixar e os sintomas podem aumentar ao volante.
  • Antihistamínicos: normalmente usam-se para reduzir os sintomas de alergia, tosse, catarro, ou pingo abundante, visão turva, comichões e inchaços. O seu uso indiscriminado é prejudicial, ainda para mais porque o paciente se coloca em risco na estrada, uma vez que causa sono, falta de coordenação de movimentos e sedação.
  • Antihipertensivos e vasodilatadores: necessários para a regular e baixar a tensão arterial em pacientes com hipertensão. Se se fizerem tomas fora de hora ou irregulares, pode acontecer haver sintomas como tonturas ou tensão baixa, o que provoca lentidão nos movimentos e uma diminuição dos reflexos no carro.

Outros medicamentos também utilizados como para automedicação: Antiséticos tópicos, suplementos vitamínicos e minerais, antigripais e antitússicos, digestivos, laxantes e antiácidos.

Se tomar um medicamento e tiver que conduzir…

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Tenhamos em conta que nem todas as pessoas reagem de forma igual à ingestão de medicamentos, existem muitos fatores como a idade, o peso, os hábitos de consumo e o físico, que podem alterar sintomas de paciente para paciente. Mas é sempre conveniente tomar determinadas precauções caso tenha de se automedicar e conduzir:

  • Consultar sempre o médico ou o farmacêutico sobre os possíveis efeitos na condução.
  • No tomar álcool ou drogas.
  • Seguir de forma estrita as indicações sobre doses e horários.
  • Ler com atenção a bula para comprovar as incompatibilidades.
  • Evitar conduzir nos primeiros dias de uma nova medicação ou depois de uma alteração de dose.
  • Seguir recomendações em caso de ter que ingerir outros fármacos.
  • Alguns medicamentos sem receita e medicinas naturais também podem ter efeitos negativos.

Caso tenha mesmo que conduzir, deve prestar atenção a quando iniciou o tratamento ou se modificou a dose, podendo ainda esclarecer com um especialista se há alternativas com fármacos mais compatíveis. Ao volante procure manter uma maior distancia de segurança e reduzir a velocidade para ter mais tempo de reação perante imprevistos.

Fonte: CirculaSeguro.com

Imagens | iStock Jeffrey Schreier juefraphoto Motortion Photobuff

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