Sono e consumo de álcool: dois problemas ao volante na Europa

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Certos fatores de risco parecem perpetuar-se nas nossas estradas. Ainda que a sociedade europeia esteja cada vez mais consciente dos perigos que podemos encontrar ao volante, a estatística prova que ainda há muito trabalho pela frente. Assim o demonstram relatórios como o Eurobarómetro da Fadiga 2019, que revela que 14% dos condutores espanhóis conduz depois de consumir álcool e que o fazem de forma recorrente.

O estudo é promovido pela RACE e pela Associação de Bebidas Refrescantes (ANFABRA), com o apoio da DGT espanhola. Em relação a estes últimos, não é casual que o trabalho de investigação se tenha centrado na fadiga e, sobretudo, no consumo de álcool. É que, dada a natureza dos refrescos, estes podem chegar a ser bons aliados contra o cansaço. Agora bem, a própria DGT, no seu guia «Comer bem, conduzir melhor», explica quais os líquidos recomendados:

O consumo habitual de bebidas estimulantes é uma prática relativamente comum durante e depois da comida. Apesar de manterem a mente desperta, não aumentam a concentração nem a memória do condutor, nem dos seus acompanhantes. Os sumos de frutas ou legumes, a água ou as infusões relaxantes são uma opção mais saudável e nutritiva.

O perfil do condutor cansado

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Uma das vantagens do estudo é a sua amplitude geográfica. Consistiu em quase 3400 entrevistas em 15 países do nosso continente. Isto ajuda-nos a ter uma ideia dos hábitos na Europa e a comparar dados por país.

Quando falamos de sonolência, descobrimos que 5,2% dos europeus admite que quase sempre se deixa dormir numa viagem grande. Claro que 27% destes reconhecem que não param para descansar antes de decorrerem 4 horas de condução.

O perfil do condutor que conduz sem descansar e em risco de adormecer é muito concreto. Quase 35% costuma ser por motivos profissionais, enquanto que o maior número de acidentes acontece em condutores mais jovens.

A sonolência nas estradas europeias

Por seu turno, a Finlândia, Suécia, Itália, Noruega e França são os países com maior incidência do cansaço na condução. Entre 24% e 18% dos condutores inquiridos admite ter pelo menos uma vez sofrido um acidente como consequência da fadiga ao volante.

É bastante interessante ver que os países com os melhores dados de acidentalidade por culpa do cansaço costumam ser também os que apresentam melhores hábitos de condução (com a curiosa exceção da Áustria). Por exemplo, os condutores portugueses são os que param mais cedo durante uma viagem longa (após 1h45) e, os que menos acidentes sofrem por culpa do cansaço.

Os dados da vizinha Espanha não são maus quando comparados com o resto dos países. A fadiga como causa de um acidente afetou mais de 10% dos inquiridos. Igualmente, os espanhóis costumam parar ao fim de 2h07 durante uma viagem longa.

O álcool continua, infelizmente, muito presente

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As bebidas alcoólicas, concorrência dos refrigerantes nas estantes dos supermercados, constituem um flagelo quando se combinam com a condução. O Eurobarómetro destapa um dato negro: a média dos que consomem álcool e conduzem na Europa é de 43,6%, similar a Espanha. Aqui ao lado, os condutores que fazem disso um hábito chegam a ser 14%.

Contudo, a situação é pior em países como a França. Lá, 54% reconhece conduzir após beber álcool. Áustria, Suíça e Itália acompanham os gauleses num grupo em que mais de 50% dos condutores inquiridos bebem álcool e conduzem. Destaque para o facto de que o estudo incide no consumo de álcool, independentemente da quantidade. Em qualquer caso, certo é que o álcool influencia o modo como se conduz, ainda que se ingira em quantidades limitadas ou escassas.

A sonolência combate-se antes de entrar no veículo

Combater a sonolência ao volante implica controlar uma série de variáveis. Tanto a DGT como a Fundación MAPFRE oferecem recomendações e guias muito uteis para nos orientarmos e aperfeiçoarmos os hábitos de condução.

Os fatores que influenciam são vários. Não só afetam a planificação, horas de sono, descanso ao volante, mas também a alimentação. Como já referimos anteriormente no Circula Seguro, uma má escolha culinária leva a uma redução do rendimento cognitivo em 10%.

É possível que as rotinas diárias não nos facilitem as coisas na hora de nos pormos ao volante. Ainda assim, a boa condução passa também por estender os bons costumes mais além do tempo que passamos no veículo.

Imagens | iStock/nicoletaionescu, iStock/Rawf8 e iStock/anyaberkut

Fonte: CirculaSeguro.com