Gasóleo, gasolina, híbrido ou elétrico. Qual me convém?

Ines Carmo

10 September, 2020

O ovo ou a galinha? Até onde lava a cara um careca? Que tipo de carro compro? Estas são algumas das perguntas que a quem quer que faça obterá uma resposta diferente e pode ou não ser a correta, para um caso concreto.

Centremo-nos na questão final que, no fundo, é a que a priori nos interessa. Se é um dos sortudos que se pode dar ao luxo de trocar de carro (ou se estiver obrigado a isso, claro), e vai comprar uma viatura nova, de certeza que em algum momento terá de fazer contas para saber que tipo de veículo lhe interessa.

gasóleo

A diferença que faz o tipo de combustível

Para os que fazem 50.000 quilómetros por ano deve ser óbvio. Mas para quem faz números mais normais, terão que analisar que tipo de condução têm e quais são as estradas pelas quais andam. Porque não é o mesmo fazer maioritariamente percursos urbanos ou, pelo contrário, fazer apenas auto-estradas e nacionais.

Em função disto, o mercado atual oferece inúmeras combinações graças à integração das motorizações elétricas. Cada vez mais condutores pensam se lhes será conveniente adquirir um modelo de motor convencional, cujas últimas gerações são mais eficientes, ou passar para uma solução híbrida ou 100% elétrica. Uma das chaves principais é a que se refere ao custo total de propriedade. Quer dizer, é comparar quanto é que nos custará um ou outro modelo quando acabar a sua vida útil.

Qual é o custo do preço total ao longo da sua vida

O custo do carro não é apenas a sua aquisição, a gasolina que lhe pomos e o seguro que temos. Tudo se soma, até o gasto mínimo, como a lavagem do mesmo. Lembra-se de um artigo publicado no Circula Seguro de Espanha sobre os gastos reais de um carro particular? Pois, atualmente, já quase com 210 mil quilómetros, o gasto por quilómetro mantém-se em 0,16 euros e o total de dinheiro gasto no carro é de: 33.907,89 € em seis anos e nove meses. E não está tudo aqui.

Passemos agora a dados, elaborados pela empresa de gestão de frotas Leaseplan. Em termos de custo diário puro, os elétricos e híbridos são os que aparentemente apresentam menores gastos. Mas, nem tudo é o que parece.

Gasóleo: a rentabilidade do passado

Podia poupar em apenas sete anos uma média de 600€ face a um equivalente a gasolina, 2 mil com um híbrido e 20 mil com um elétrico. Por exemplo, se o seu percurso é aproximadamente 70% de autoestrada, 20% cidade e 10% em estradas convencionais, um veículo com motor Diesel era boa opção.

Segundo a OCU, Organização dos Consumidores e Utilizadores, estas diferenças na atualidade fazem com que os custos do gasóleo sejam 5,7% menores do que um carro a gasolina, 5% maiores do que os de um híbrido e 5,8% mais do que um 100% elétrico.

No entanto, o panorama atual inverteu as suas possibilidades. Autoridades e fabricantes estão a deixar de apostar neste tipo de motorizações, relacionadas com emissões mais poluentes. Deste modo, as restrições estão a aumentar para os modelos diesel. Por isso, as vendas de modelos a gasóleo estão a decair há alguns anos.

Gasolina: o combustível do presente

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A alternativa mais atual e eleita por muitos são os motores alimentados a gasolina. Esta tendência pode ver-se algo desvirtuada durante estes meses complicados e excecionais, em que o mercado se viu afetado em pleno pela Covid-19.

Neste momento são uma alternativa mais acessível do que os carros híbridos e elétricos e trata-se de uma boa opção se o nosso percurso habitual implicar 65% de cidade, 30% de estrada e 5% de autoestrada.

As emissões também são menos nocivas, com duas exceções. Não emitem menos dióxido de carbono que o gasóleo e que alguns motores de última geração de injeção direta que precisam de um sistema de filtragem de partículas e que oferecem emissões ainda mais elevadas do que um modelo Diesel. Em qualquer caso, são cada vez mais os fabricantes que resolvem esta situação.

Híbridos e elétricos: o futuro já está aqui

A oferta de modelos elétricos, em todas as suas variedades, multiplicou-se em tempo recorde, como também está a acontecer com as vendas. As marcas de automóveis estão a oferecer muitas opções, desde os híbridos tradicionais (HEV) até aos modelos 100% elétricos (BEV), passando por híbridos Plug-in e outras opções algo mais extravagantes, como os elétricos de autonomia estendida (REX).

A autonomia e o preço destes modelos continua a ser um fator decisivo para eles. Ainda assim, estamos perante uma geração superior que oferece soluções muito inteligentes tanto para a mobilidade urbana como para nos movimentarmos para norte e sul na nossa geografia.

Além disso, têm um sem número de vantagens na condução ou o menor custo total ao longo da vida. Isto deve-se entre outros motivos, ao facto de que 100 quilómetros em modo elétrico tenham um custo de 1,30 euros, enquanto que para percorrer a mesma distância a gasolina gastaremos 6,5 euros: cinco vezes mais.

Há que ter muito em conta o longo prazo

Não devemos pegar nestes dados todos juntos, porque desconhecemos, por exemplo, qual foi o cálculo de tempo de vida do veículo e a quilometragem anual. É lógico que a um ano, um elétrico ou híbrido perdem, mas a dez anos, por exemplo, o número de avarias é menor, pelo que encurtará a distância face à gasolina ou ao gasóleo.

O melhor que podemos fazer é calcular os quilómetros que percorremos num ano e com isso calcular o custo do combustível. Visitar fóruns especializados ou as páginas dos fabricantes e assim conhecer o preço médio das revisões e, por último, somar o preço de compra (com ajudas no caso dos elétricos ou híbridos, não se esqueça).

Ou, por exemplo, conduzir um veículo híbrido ou elétrico implica uma forte carga subjetiva ecológica que nos fará conduzir mais eficientemente já que o próprio carro incita a tal com dados sobre o consumo, recompensas em forma de gráficos por uma condução ótima, etc.

Igualmente, muitas cidades espanholas já oferecem vantagens comparativas únicas. É o caso dos veículos com etiqueta CERO da DGT em Madrid e a possibilidade de estacionar na zona SER de forma gratuita e sem restrições horárias. Isto, com o passar do tempo, também é dinheiro.

Com estes dados terá um valor aproximado, sem falar nas avarias que podem surgir, ainda que agora todos os carros contem com uma garantia alargada que supõe que dentro desse tempo estamos cobertos.

E, por último, pense que compre o que compre, se analisar os gastos, vai sempre ter vontade de o deixar estacionado na garagem. Ou não, porque até ali continua a ser um poço sem fundo. Quer dizer, o que há no fim de um poço sem fundo?

Fonte: CirculaSeguro.com

Imagens | iStock/ViktorCapiStock/supergenijalaciStock/Elektronik-Zeit

 

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