Symbio, o projeto da Michelin e da Faurecia para a mobilidade a hidrogénio

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O caminho para a mobilidade a hidrogénio pode estar mais próximo graças à Michelin e à Faurecia. As duas uniram-se no projecto Symbio, um dos líderes no fabrico de sistemas de pilha de combustível. Assim, a Michelin compromete-se a ir mais além na mobilidade sustentável e a Faurecia poderá ampliar as possibilidades das suas fábricas em Espanha e no resto do mundo.

Michelin e Faurecia, líderes em hidrogénio

Até agora, a empresa Symbio FCell já era 100% propriedade da Michelin. Trata-se de um fabricante, que desenvolve e integra sistemas de pilha de combustível de hidrogénio (kits desde 5 kW até mais de 300 kW). Os seus produtos são utilizados como fornecedores de energia em muitos setores, ainda que o mercado principal seja a automoção e o transporte. Em conjunto, foram responsáveis pelo desenho e produção dos sistemas, tendo a Symbio FCell tornado-se uma referência para o setor a nível europeu. A Michelin apoiou a empresa como investidor, o que foi uma grande ajuda na Investigação + Desenvolvimento e fabrico, assim como o acesso à Comissão de Energias Alternativas de França (CEA).

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Por outro lado, a Faurecia é uma empresa francesa dedicada ao fabrico e fornecimento de componentes para a automoção. Os produtos que disponibiliza vão desde bancos e tabliers até sistemas de escape ou módulos acústicos. Em 2018 foi o nono maior fornecedor de componentes a nível mundial e o primeiro em tecnologias de controlo de emissões. A sua participação na Symbio é possível graças à sua ampla experiência em tecnologias baseadas em hidrogénio. A Faurecia é propriedade do Grupo PSA (Peugeot, Citroën, Opel…), que conta com 57,4% das suas ações. O certo é que este fornecedor francês trabalha com absoluta independência, tendo entre os seus clientes um sem fim de fabricantes como a SEAT e a Nissan (que se viram afetados recentemente por um incêndio na fábrica de Abrera, em Barcelona).

Symbio acelera a chegada do carro a pilha de combustível

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Com a nova associação empresarial (em forma de joint venture), a Michelin, através da filial Spika, e a Faurecia passan a liderar o projeto com cinquenta por cento. Decidiu-se chamá-la de Symbio, a Faurecia Michelin Hydrogen Company para aproveitar o nome das marcas no mercado. A operação, pela grande envergadura, teve que ser aprovada pela Comissão Europeia, que deu luz verde em novembro.

O objetivo da nova sociedade é continuar com o desenvolvimento, fabrico e comercialização de sistemas de pilha de combustível de hidrogénio. Ainda que continue a fornecer a diversos setores da chamada “eletromobilidade”, grande parte da produção da Symbio será para carros e veículos comerciais de grande consumo. Desta forma, quer ser um acelerador na implantação do carro de hidrogénio, como alternativa complementar do elétrico puro.

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A Michelin e a Faurecia investirão inicialmente cerca de 140 millhões de euros na Symbio. Assim, vão colocar em marcha, numa primeira fase, até três fábricas industriais na Europa, Estados Unidos e Ásia. Esta última, apesar da grande concorrência que existe no continente, abastecerá principalmente o mercado chinês, onde a Symbio já conta com sócios locais como o fabricante BYD. O objetivo a longo prazo é alcançar uma quota de mercado de 25% e uma faturação anual em redor dos 1.500 milhões de euros.

O hidrogénio como alternativa sustentável para o futuro

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Ainda que na Ásia a tecnologia do hidrogénio conta já com um grande desenvolvimento e aceitação na indústria, a situação na Europa é bastante diferente. Para os fabricantes europeus, a grande prioridade é o carro híbrido (plug-in ou não) e o elétrico puro. O veículo de pilha de combustível é para muitos, no entanto, apenas uma alternativa como complemento do futuro. Apesar disso, a UE tem tentado dar prioridade à investigação desta tecnologia. Os responsáveis consideram-na uma das seis tecnologias de maior interesse comum para os seus cidadãos a longo prazo.

A pilha de combustível a hidrogénio tem grandes vantagens. Por um lado, as ambientais, pois o hidrogénio é o componente mais abundante do universo. Além disso, os veículos de pilha de combustível emitem como resíduo unicamente água pura (em forma líquida ou vapor). Por outro lado, oferece aos utilizadores deste tipo de carros uma experiência muito semelhante à de um carro com motor de combustão. A autonomia é parecida e os carros podem ser abastecidos em poucos minutos, o que elimina a necessidade de carregar em casa, como os carros elétricos.

A tecnologia conta atualmente com algumas barreiras que colocam em dúvida a sua conveniência, mas que estão no caminho para serem resolvidas. Recentemente foi apresentado um processo alternativo para a extração de hidrogénio, que reduzirá em muito os custos de produção. Fazendo uso de poços petrolíferos já existentes (incluindo os já abandonados), pode-se cortar em 75% dos custos, situando-se entre 0,9 e 45 cêntimos de euro por quilo de hidrogénio. O outro grande inconveniente, que é a escassez de bombas de hidrogénio para abastecer, poderia resolver-se aproveitando a infraestrutura já existente.

Symbio, sócia-chave para os fabricantes na Europa

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Alguns fabricantes de automóveis já apostam neste tipo de veículos há algum tempo. O mais conhecido é o Toyota Mirai, que já circula em serviço de táxi em França. Mas o primeiro a chegar a Espanha foi o Hyundai Nexo, um crossover que oferece até 500 km de autonomia. Fabricantes europeus como a Audi, a Mercedes ou a BMW já estão a preparar o lançamento dos seus modelos a hidrogénio e a Symbio pode fornecer todos eles. O objetivo da European Hydrogen Energy Conference é que em 2030 haja 5 milhões de veículos de pilha de combustível de hidrogénio a circular nas estradas europeias.

Fonte: CirculaSeguro.com

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