O inverno e as tecnologias ADAS

Ines Carmo

3 December, 2020

A assistência à condução que as novas tecnologias ADAS (Advanced Driver Assistance Systems) nos fornecem contribuirá, em poucos anos, para a redução da sinistralidade nas estradas. Estes sistemas, que estão na antecâmara da condução autónoma, vão ampliando as suas funções e melhorando com os anos.

Ainda assim, os condutores continuam a ter dúvidas sobre o seu funcionamento, questões como que comportamento tem os ADAS com más condições climatéricas. Para resolver grande parte das dúvidas que o assaltam no momento, por exemplo, de comprar um carro, a Fundação MAPFRE coloca à disposição de todos um espaço de divulgação onde é explicado as vantagens na segurança que cada um dos sistemas oferece. Em Espanha, a DGT revela que a sua implantação massiva poderia evitar ou suavizar as consequências de cerca de 51 mil acidentes anuais. Até 15 destas tecnologias serão incorporadas de série nos veículos novos a partir de 2022. Por isso, os fabricantes centram-se em aperfeiçoá-los, ao passo que organismos como o Euro NCAP os analisa com novos protocolos.

Como conjugar o inverno e as tecnologias ADAS

ADAS

Dentro da aposta que toda a indústria faz com a segurança rodoviária, está a melhoria da relação entre o inverno e as tecnologias ADAS. A estação do frio aumenta a perigosidade somando fatores de risco. Daí que seja crucial ter em conta diferentes recomendações em função do tipo de evento com que nos deparemos na estrada: neblina, chuva, neve ou vento. Passar por eles com a segurança devida dependeu, sempre, tal como outras partes da condução, do denominado fator humano. De acordo com a Fundação MAPFRE, este é responsável por mais de 90% dos acidentes rodoviários.

Os sistemas ADAS incidem nesta percentagem de maneira a baixá-la. Agora, o seu desenvolvimento atual mostra alguns limites. Se a nossa visão está alterada devido a uma chuvada o mesmo acontece com a efetividade das câmaras dos ADAS. A boa notícia é que cada vez existem mais soluções para que as tecnologias de assistência não sejam afetadas pelas más condições climatéricas. Além disso, é um ponto fundamental para a consecução da condução autónoma, o que alimenta a motivação e o investimento da indústria.

Quais os dispositivos ADAS mais afetado pelo mau tempo?

A Alberta Motor Association (AMA), no Canadá orienta-nos sobre o inverno e as tecnologias ADAS. A experiência, baseada na latitude deste território e no seu inverno mais persistente, serve para analisar quais os dispositivos mais afetados.

Detetor de ângulo um morto

De acordo com a AMA, a chuva e a neve podem confundir os sinais do radar do sistema de deteção do ângulo morto, limitando a sua efetividade. Além disso, muitos destes sistemas avisam o condutor com um sinal luminoso no espelho retrovisor. Num nevão, é preciso confirmar se este sinal está visível.

Alerta de saída e de manutenção de faixa

Um nevão abundante ou a formação de gelo costumam complicar a eficácia dos sistemas que ajudam a não sair da faixa de rodagem. Este fenómeno agudiza-se face à aparição nas estradas do chamado gelo negro.

Alerta de travagem de emergência

Os sistemas ADAS que utilizam como último recurso a travagem de emergência para evitar uma colisão frontal também reduzem a sua versatilidade. O gelo, as temperaturas muito baixas e a neblina dificultam o trabalho de radares e câmaras. Além disso, se a estrada estiver molhada ou gelada, a distância de travagem aumenta o que reduz o tempo de reação disponível, tanto para o condutor como para o sistema.

Câmaras de visão traseira

Algo semelhante acontece com as câmaras de visão traseira ou 360º, em que se baseiam os sistemas de alerta de cruzamento ou de estacionamento automático. É aconselhável rever o estado e limpá-las, se for preciso.

A tecnologia já tem muitas soluções para estes problemas

Para resolver as complicações mencionadas, muitos fornecedores têm-se concentrado em melhorar a capacidade das câmaras. Nessa linha, os últimos anos proliferaram os sensores de vídeo em estéreo. Quer dizer, a integração de duas câmaras em vez de uma. Isto permite elevar o raio de deteção em três dimensões em mais de 50 m.

A empresa Algolux desenvolveu uma aplicação específica com o propósito de salvar as falhas invernais dos sistemas ADAS. O Atlas Camara Optimization Suite baseia-se na aprendizagem automática (disciplina chave da inteligência artificial) para implementara a visão digital da câmara.

Ao aplicar a IA neste campo, implica que os ADAS podem reduzir tempos e aumentar a eficácia no momento de medir distâncias, reconhecer outros utilizadores da estrada ou ler a sinalização. Um rendimento semelhante oferecem dispositivos como as câmaras laser Outsight, que identificam objetos ou alterações na superfície da via.

Os pilotos automáticos não se coadunam com condições climatéricas extremas

Tal como acontece com os sistemas ADAS, os chamados pilotos automáticos ou aquelas tecnologias que facilitam uma condução semiautónoma, também são afetados por condições extremas. Este é um exemplo captado por um condutor que faz uso do piloto automático de um modelo Tesla.

Ainda que o piloto automático melhore a segurança nestas conduções, pode-se constatar que não parece preparado a 100% para salvar todas as possíveis incidências derivadas do inverno. Daí que a principal recomendação seja não esquecer, em nenhum momento, que os condutores continuam a ser os únicos responsáveis pela condução do veículo. Isto é algo que há vários anos é assinalado pelo Euro NCAP.

Contudo, a irrupção das tecnologias que permitem a automatização progressiva da condução trará novos dispositivos que prometem aliviar e remediar qualquer interferência entre o registo digital da área que rodeia o veículo.

Radares, sensores ultrassons e, sobretudo, os sensores LIDAR. Estes últimos proporcionam uma deteção espacial em 3D superior. O seu aperfeiçoamento e baixa de preços depende em boa medida da velocidade do desenvolvimento do carro autónommo.

Antes de tudo isto, os ADAS já estão a contribuir para a segurança ao volante. Ainda que a relação entre o inverno e estas tecnologias possa causar algumas das complicações que já vimos, é inegável que a sua presença nos ajuda e muito.

Fonte: CirculaSeguro.com

Imagens | iStock/Maren WinteriStock/Toa55iSTock/Anton Minin y Volvo

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