O que é e para que serve o eixo traseiro direcional?

Ines Carmo

30 March, 2020

Os fabricantes de automóveis estão em contínua melhoria de cada um dos sistemas que incorporam nos seus veículos, investindo grandes quantidades de dinheiro para os implantar. Um bom exemplo disso são os eixos traseiros direcionais, de que lhe falamos neste artigo.

A direção compreende um conjunto de elementos que, desde o início do século XIX, evoluiu muito até chegar aos sistemas sofisticados de hoje em dia. Muitos fabricantes de veículos, no desenvolvimento de alguns dos seus modelos, começaram a incorporar direção no eixo traseiro, passando a chamar-se “eixo traseiro direcional ou autodireccional”.

Um pouco de história

Nos anos 90, os primeiros eixos traseiros rígidos direcionais ou autodireccionais estavam ancorados em sinoblocos. Tinham um certo ângulo de viragem quando o veículo fazia uma curva, orientando assim a roda correspondente.

Passados 15 anos, o sistema evoluiu e saiu para o mercado um verdadeiro eixo direcional que girava para um lado e para outro em função das necessidades da condução, sendo a Citroën uma das marcas que começou a incorporar no seu ZX um eixo traseiro rígido suspenso em sinoblocos.

Atualmente, o eixo traseiro direcional coloca-se em muitos modelos, mas não está ainda generalizado devido ao excesso de peso que pode causar e à complexidade do sistema. Incorpora-se para conseguir maior segurança, ao poder ser modificado o ângulo de viragem das rodas traseiras, conseguindo também, desta forma, mais agilidade e mais estabilidade.

Uma das marcas que introduziu a tecnologia mais avançada e controlada eletronicamente (chamada de 4control) foi a Renault, no Laguna GT, mas marcas como a Audi, Porsche e Mercedes, entre outras, já o têm.

Como é constituído um eixo traseiro direcional e como funciona?

O sistema pode ser formado por um ou por dois motores situados no eixo traseiro, de acordo com cada modelo e marca do veículo. Assim, no Porsche 911 Carrera, podemos encontrar dois motores elétricos, um para cada roda de trás. O modelo Volkswagen Touareg incorpora um motor elétrico no eixo traseiro que atua sobre ambas as rodas.

A uma velocidade inferior a 35 km/h, o sistema é muito útil. As rodas posteriores giram em sentido oposto às rodas dianteiras num máximo de 5 graus, fazendo com que os raios de viragem de ambos os eixos venham a convergir num ponto mais próximo da carroçaria. O diâmetro de circunferência que o veículo descreve é muito menor, o que torna o traçado da curva ou a viragem mais eficaz e ligeira.

O ângulo de viragem das rodas posteriores vai variar em função da velocidade. Além disso, todo o sistema é gerido por uma unidade eletrónica que faz 100 cálculos por segundo. Quando aumenta a velocidade para entre os 60 e os 80km/h (consoante os modelos), as rodas traseiras viram na direção oposta às rodas dianteiras e, quando esta é ultrapassada, as quatro rodas giram no mesmo sentido.

A unidade de controlo recebe informação sobre a velocidade do veículo, ângulo de viragem e aceleração transversal e longitudinal. Com esta informação, a unidade determina qual o ângulo de viragem adequado para as rodas traseiras.

Quais as vantagens e inconvenientes de um eixo traseiro direcional?

As vantagens que este sistema proporciona ao veículo e à condução são: maior agilidade, redução do ângulo de viragem, melhor manobrabilidade a baixa velocidade, facilidade a estacionar e um desgaste mais compensado dos pneumáticos do eixo traseiro.

Pelo contrário, temos o inconveniente de ser um sistema que, se o queremos ter no nosso veículo, geralmente não vem de série e tem que ser opcional, aumentado o seu custo final. Outro dos inconvenientes está nas possíveis avarias do/dos motores elétricos que supõe um gasto extra comparado com um veículo que não incorpore um eixo direcional.

Fotos: Porsche e Volkswagen

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