Porque é que os cruzamentos colocam todos os nossos sentidos em alerta?

Ricardo Carvalho

1 June, 2020

Cruzamentos, esse ponto crítico onde se encontram automóveis em diferentes trajetórias. Um local no asfalto onde surgem constantemente dúvidas acerca da prioridade, velocidade, zona de travagem e segurança.

Qualquer decisão deve ser tomadas sempre em condições de visibilidade ótima, como é lógico, e a zona não tem semáforos, espaço ou sinais de trânsito, a complexidade pode ser ainda maior. Para enfrentar um cruzamento sem sinalização, devemos preparar-nos, observar e reagir em poucos segundos, seja para parar ou arrancar e seguir caminho.

Numa intersecção não sinalizada, siga os nossos passos

Antes demais devemos clarificar que este é um dos pontos em que mais acontecem acidentes mortais. Um cruzamento com pouca visibilidade ou atravessado sem precaução pode ser fatal, sobretudo se falarmos de uma colisão lateral com outro carro. Sabe então como o atravessar corretamente?

1 – A aproximação: este é o momento da preparação e da observação. Antecipar qualquer problema de trânsito é o primeiro passo para a prevenção. Travar de forma progressiva e com tempo suficiente, olhar pelos retrovisores e ouvir os restantes veículos a chegar vai dar-nos a informação necessária para decidir o que fazer a cada instante. A seguir devemos sinalizar corretamente os nossos movimentos com os intermitentes, mantendo o controlo do nosso veículo.

2 – A entrada: se não tiver visibilidade, não entre. Aproxime-se o máximo possível da via até ter espaço suficiente para observar quem vem em cada direção. A regra é clara: ceder sempre passagem aos veículos que se aproximam pela nossa direita, ainda que existam exceções que vamos analisar mais à frente.

3 – Virar: existem diferentes forma de o fazer corretamente. Se vai virar para a esquerda, os veículos deste lado devem ceder a prioridade e poderá manobrar o veículo a velocidade moderada e em ângulo reto. Se virar para a direita, faça-o sempre qu não exista risco de colisão. Se, pelo contrário, vai continuar a direita, deverá ceder passagem aos veículos que vêm da sua direita antes de invadir a intersecção. Se vierem veículo de frente e ambos vão virar para a nossa esquersa, sempre virar sempre pela parte de trás de cada veículo e nunca pela frente.

Bola extra: posicionar-se corretamente na via é indispensável. Como regra geral, se virarmos à direita manteremos o lado direito da estrada. Se viramos, vamos fazê-lo pelo lado esquerdo da estrada, sempre sem invadir o sentido contrário. Muito importante, especialmente em cidade: ao aceder à nova via, devemos aumentar a atenção e ceder passagem a todos os peões que encontrarmos a atravessar a estrada, existam ou não passadeiras.

E se o cruzamento estiver sinalizado?

Neste caso, a via estará regulamentada por sinais verticais (STOP, cedência de passagem…), horizontais ou semáforos que vão estabelecer a prioridade de passagem em cada situação. Por outro lado, o sinal de perigo “prioridade a quem vem da direita”, é um forma de lembrar a regra que prevalece acima de todas as outras.

Neste caso, a manobra ao estar sinalizada parece que já tem instruções a seguir, mas cuidado, pode ser igualmente perigosa. Os ciclistas são nestas circunstância o coletivo mais vulnerável pois circulam a uma velocidade muito menor e, por isso não lhe é possível reagir a tempo como faria outro veículo. Por isso, devemos insistir que as regras gerais da prioridade são iguais para todos e que, no caso de existirem ciclistas, devemos respeitá-las. Se para além disso existir uma faixa para bicicletas, a prioridade é sempre do ciclista.

Se virarmos num cruzamento em estrada, devemos prestar atenção à velocidade. Se o fizermos dentro da cidade, o foco posiciona-se nos restantes utilizadores da via, sinais e fatores ambientais que podem ser uma importante distração.

Quais são os mais perigosos e os mais comuns?

Cerca de 40% dos acidentes e 20% dos mortos acontecem neste tipo de local, o que indica a sua enorme perigosidade em comparação com outros locais e zonas da estrada, como as retas ou as curvas.

O cruzamento em forma de “X” e´o mais perigoso entre todos os tipos de cruzamento e no qual acontecem 43% dos sinistros. Mas outros, como os cruzamentos em “T” e as entradas nas autoestradas também são arriscadas com até 29% dos acidentes rodoviários com vítimas. As rotundas não têm um elevado índice de sinistralidade, ainda que sempre dependa da sua localização: 35% dos mortos acontecem em rotundas de zonas interurbanas, principalmente devido à maior velocidade de circulação.

E que tipos de acidentes acontecem neste tipo de cruzamentos? Dois são os tipos de acidentes mais preocupantes. Por um lado as colisões por alcance, ou seja, aquelas em que por distração um veículo bate por trás num automóvel que está parado antes do cruzamento. Mas mais perigoso é o embate frontolateral, mais comum quando se está dentro do cruzamento e que provoca danos severos aos passageiros de ambos os veículos, sobretudo vítimas de impactos laterais.
Para atravessar um cruzamento sempre em segurança é importante moderar a velocidade do veículo, valorizar a boa visibilidade, respeitar os sinais, olhar correta e repetidamente para os dois lados da estrada e nunca agir de forma precipitada.

Fonte: Circula Seguro.com

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