Internet das coisas: pode ajudar na segurança rodoviária?

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O desenvolvimento frenético das novas tecnologias permite a aparição de novos conceitos, aplicáveis a todos os aspetos da economia e da sociedade. Um dos campos que mais possibilidade tem de beneficiar é a segurança rodoviária, onde instituições viárias, fabricantes do ramo automóvel e empresas tecnológicas trabalham em conjunto. Vamos saber mais sobre como a internet das coisas pode ajudar.

Conectar o nosso carro e manter-nos informados

Em Espanha decorre um projeto que é iniciativa da DGT, do fabricante SEAT e da tecnológica Telefónica, que ofereceram em partes iguais conhecimentos nas respetivas áreas de atuação- o objetivo é conseguir um sistema que permita aos condutores ser avisados de determinados acontecimentos na estrada. Mas debruça-se sobre dois perigos muito concretos: veículos avariados na nossa rota e ciclistas na estrada.

O sistema piloto consiste num drone que irá sobrevoando a estrada e recolhendo a posição de ciclistas, veículos avariados,etc. o drone enviará a informação da DGT através da red da Telefónica, e a instituição avisará, por seu turno um carro conectado da SEAT de que se irá encontrar com esses elementos. Tudo isto será possível através de uma série de tecnologias de IoT (em inglês Internet of Things, internet das coisas), que permitirá enviar a informação, mas também controlar o drone e conectá-lo ao veículo.

Mas o que é a Internet das Coisas?

A Internet das Coisas é um conjunto de tecnologias (sensores, protocolos de comunicação, programas informáticos…) que permitem conectar os nossos objetos do quotidiano à internet. Criam-se assim ecossistemas de objetos conectados que recolhem informação, recebem ordens, comunicam com outros objetos… culminando numa grande automatização de muitos processos. Normalmente estes objetos s~~ao chamados de inteligentes ou smart, ainda que de forma errada, já que a priori carecem de sistemas de inteligência artificial real.

Com a IoT pode-se ligar a televisão à internet, programar a máquina de lavar roupa a partir do telemóvel ou colocar um alarme de movimento que nos avise caso alguém entre na nossa casa. No projeto da DGT com a SEAT e a Telefónica, as tecnologias IoT são as que permitem controlar o drone, registar informação a partir da sua câmara e transmiti-la aos condutores através da plataforma DGT 3.0.

A IoT está também na condução preditiva, nos comandos de voz no carro ou até nos pneus conectados da Michelin. De acordo com a Fesvial, o desenvolvimento da IoT nos veículos e infraestruturas rodoviárias pode corrigir os erros humanos, causadores hoje em dia de 90% dos acidentes de trânsito.

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Proteger os mais vulneráveis

Já referimos mais acima que um dos objetivos do projeto da DGT espanhola com a Telefónica é melhorar a segurança rodoviária de um dos utilizadores mais vulneráveis: o ciclista. Por seu turno, a Federação Europeia de Ciclistas aponta ferramentas que possam implicar os próprios ciclistas no sistema da IoT. Estes usam habitualmente dispositivos e aplicações para o telemóvel que registam a atividade física, usam mapas de navegação ou simplesmente servem como alarmes. O objetivo é que estas ferramentas sirvam para recolher informação valiosa para as autoridades, como conhecer o comportamento dos ciclistas ou as suas preferências de mobilidade.

É numa linha semelhante que se movimenta a startup catalã Mapit que, em colaboração com a Honda e a Orange, está a desenvolver um projeto piloto de motociclo conectado. Consiste numa ferramenta que inclui sensores de movimento, localizador GPS e um sistema de comunicação 2G/3G para se conectar à rede Orange. Com isso, o motorista poderá saber em qualquer momento o estado da sua moto, a localização, se caiu ou se está a ser furtada. No futuro, estes sensores poderão igualmente servir para recolher informação valiosa sobre o estado do trânsito.

Internet também nas estradas

A IoT também pode conectar as nossas estradas, ainda que de forma indireta. A startup de Bilbao Asimob desenvolve uma série de sensores para veículos que vão servir para rever o estado da estrada. O sistema aproveitará também os programas dos carros atuais, como câmaras ou radares LIDAR. Em conjunto, poder-se-ia monitorizar e reportar todo o tipo de incidências na rede rodoviária, desde defeitos na estrada, erros na sinalização ou até acumulação de água ou neve num determinado troço. Um passo mais à frente é o que projetos como os da empresa também espanhola Sensefields pretendem dar. Neste caso, desenvolvem sensores magnéticos para serem colocados dentro do asfalto da reder viária de uma cidade, com um duplo objetivo: informar os condutores da formação de engarrafamentos e, a longo prazo, melhorar a gestão do tráfego em toda a cidade. Isto consegue-se medindo as variações do campo magnético terrestre que produz a passagem de veículos num determinado ponto.

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Como vemos, as possibilidades que a IoT oferece à segurança rodoviária são muitas e aumentarão à medida que as diferentes tecnologias melhoram. No futuro, com a chegada do carro autónomo a IoT será a base da mobilidade segura e sustentável, quando houver milhares de veículos a deslocarem-se sozinhos, a sua coordenação com o resto dos veículos e com a rede rodoviária será fundamental.

Imagens | iStock metamorworks | Michelin | Mapit

Fonte: CirculaSeguro.com