A história da sinistralidade Rodoviária em Portugal

Jorge Ortolá

26 April, 2014

A sinistralidade rodoviária em Portugal tem um histórico de controlo que data a década de 70, mais propriamente o ano de 1975, um após a queda do antigo regime politico e a entrada em democracia. Ainda que com uma contabilidade pouco fiável, é desde esse ano que começam a haver registos oficiais de ocorrências rodoviária.

Por norma, temos o velho hábito de apenas criticar, muito poucas vezes construtivamente, sem contudo perceber se houve evolução positiva nas intervenções. No entanto, se tentássemos perceber  um pouco melhor a evolução dos acontecimentos, certamente olharíamos de uma forma diferente para os resultados dos mesmos.

Um pouco de história

No ano de 1975, o ano do começo, foram registados em Portugal um total de 33109 com vitimas, sendo destes registadas 2676 mortes e 40576 feridos, estando incluídos os leves e os graves. Entre 1075 e 1986 os valores da sinistralidade rodoviária, dos feridos e dos mortos foi tendo oxilações, o que se compreende pela deficiente e não credível forma de contabilizar, no entanto 1987 foi o ano de viragem. Uma melhor contabilidade passou a ser efectuada.

Foi em 1987 que as entidades responsáveis deram inicio a um programa de análise e contabilização, da sinistralidade rodoviária em Portugal, mais selectivo e operacional. Começou-se a contabilizar não apenas os acidentes e mortes, mas também passou a haver uma separação entre os feridos leves e os graves.

Com a introdução deste novo modelo de registo, surgiu também uma nova preocupação; quais as causas de tão elevada sinistralidade rodoviária. Efectuaram-se estudos no sentido de encontrar a melhor forma de combater a situação. Com a entrada na União Europeia surgiu um novo método de análise do fenómeno, surgiram novas imposições aos Estados membros e a diminuição foi surgindo gradualmente.

Duas décadas de imenso trabalho

No ano de 2000, quinze anos após ter-se dado inicio ao projecto de contabilização da sinistralidade rodoviária, os valores recolhido foram de 44159 acidentes rodoviários com feridos, desses 6898 tiveram vitimas mortais, nomeadamente 1629, 6918 feridos graves e 53006 vitimas leves.

Se analisarmos os valores, ainda que inicialmente os registados sejam pouco fiáveis, conseguiu-se em década e meia uma diminuição de 1047 vitimas mortais/ ano em sinistros rodoviários. Em comparação com os valores obtidos no ano 2010, duas décadas e meia após o inicio do projecto, agora já com um novo protocolo de contagem das vitimas mortais, a 30 dias e não apenas até entrada nas urgências, os valores apresentados são fantásticos; 35426 acidentes rodoviários com vitimas, 937 mortos, 2475 feridos graves e 4389 feridos leves.

Se continua a ser preocupante que ainda hajam tantos mortos e feridos graves provenientes de acidentes rodoviários, o facto de em duas décadas e meio se ter diminuído em 1739 o número de mortes anuais e em 38101 o número de feridos graves, faz com que a exigência de fazer cada vez mais e melhor recaia sobre cada um de nós. Apontar o dedo e criticar é fácil, arranjar soluções e fazer melhor torna-se mais difícil, no entanto não impossível.

Foto¦ BPL

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