As cinco mudanças na segurança rodoviária para a próxima década

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A segurança rodoviária vive tempos muito específicos. Com a década a chegar ao final em 2020, isto pressupõe fazer o balanço do que já se conseguiu e planificar como enfrentar os próximos desafios.

Enquanto as estatísticas da sinistralidade incidem num estancamento da redução das vítimas de acidentes no trânsito, a tecnologia oferece-nos um panorama esperançoso. Será possível um avanço qualitativo durante a próxima década?

As autoridades europeias estão cada mais conscientes de que para nos aproximarmos ao Objetivo Zero passa por enfrentar uma série de alterações nas diferentes estratégias de segurança social aplicadas em cada país. Ainda que seja imprescindível continuar a trabalhar em políticas que procurem a consciencialização, atualizar a normativa ou investir em infraestruturas, a indústria automotiva está na disposição de aplicar uma série de inovações revolucionárias.

A nova década deveria servir para materializar todas essas promessas tecnológicas dirigidas a paliar o fator humano.

A década ADAS

Os sistemas avançados de assistência ao condutor, conhecidos pela sigla ADAS, já estão há vários anos a ser integrados nos veículos. A sua efetividade e os benefícios que podem trazer à prevenção de acidentes estão mais do que comprovados.

Os sistemas de travagem automática ou de manutenção na via são apenas alguns exemplos de soluções em prol da segurança rodoviária que estão disponíveis do mercado. Mas, por que é que a sua presença não se está a traduzir em melhores dados de sinistralidade?

O seu desconhecimento geral e que o facto de ainda existir um número maioritário de veículos que carecem deles, tornam-nos, para já, pouco influentes. A EU quer inverter esta tendência acelerando a sua introdução massiva. Assim, as instituições comunitárias já criaram uma nova legislação que tornará obrigatórios 15 sistemas ADAS a partir de 2022.

Quer-se, além disso, que os ADAS não sejam uma prestação opcional e/ou de veículos de média e alta gama. E, se falarmos em termos de segurança, é normal querermos incluir de série todos os instrumentos que possam evitar mais vítimas ao volante.

A década do carro autónomo?

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Muito já se escreveu sobre condução autónoma e muito se investe, de fábrica, nos automóveis. Contudo, o tempo está a demonstrar que este é um feito que se cozinha a fogo muito lento. Já não é uma questão meramente tecnológica, porque não são pouco os requisitos de que o carro autónomo necessita para começar a rodar.

Agora, é indubitável que durante a próxima década vejamos avanços únicos, que irão dotar os veículos de inteligência própria aos veículos. Os resultados serão muito diferentes em função do lugar do planeta onde conduzimos. Este ano comprovámos a reticência ou inclinação de alguns países ou zonas do mundo para abraçar esta tecnologia. Na Florida, por exemplo, já se deram os primeiros passos para autorizar a condução autónoma.

O que parece seguro é que alguns fabricantes de automóveis irão apresentar alguns modelos que alcancem os últimos níveis de condução autónoma durante os próximos anos. Alguns exemplos são a General Motors e o seu modelo sem volante nem pedais, as intenções da Volvo de vender um carro autónomo a partir de 2021 ou, na mesma sintonia, as da Tesla de alcançar o nível 4 de condução autónoma (o penúltimo), quanto antes.

Confirma-se cada vez mais a tendência da indústria de “saltar” os níveis intermédios desta tecnologia para conquistar a condução autónoma plena, aquela em que não será necessário nenhum tipo de intervenção humana. O desafio é se ela consegue sair dos protótipos de salão durante a próxima década.

Big Data e comunicação

Os sistemas ADAS relacionam-se de forma inevitável com o âmbito material do carro autónomo. Contudo, o avanço para a concretização da inteligência suficiente para que os carros conduzam sozinhos está a trazer mais benefícios.

Estes começam nas tecnologias de comunicação entre veículos e infraestruturas, junto com a gestão de grandes massas de dados, ou Big Data. É algo mais recente, mas pode trazer muitos benefícios. A chave mais imediata é a chamada segurança rodoviária preditiva. Isto consiste em desmontar os fatores de risco graças ao estudo avançado do comportamento dos utilizadores da estrada.

Esta alternativa materializa-se graças à grande quantidade de nova informação que os dispositivos tecnológicos relacionados com a condução e o trânsito estão a proporcionar. Deste modo, a Big Data vai ajudar a entender esses dados para poder explorar novas soluções e gerir de forma mais eficiente os recursos que potenciam a segurança rodoviária. Falamos, por exemplo, de respostas para aperfeiçoar a sinalização ou conhecer onde é mais efetivo colocar um radar.

Radares, drones e radares-drones

A propósito dos radares, os avanços tecnológicos também afetarão as fórmulas com as quais a autoridades gerem e controlam o tráfego. Nesse sentido, as caixas negras podem ter um papel importante.

À parte destas, a próxima década promete ser aquela em que os radares levantam voo. Até este ano, a DGT espanhola contava com 11 drones que testava de forma experimental. Esta frota vai crescer com os anos e ainda está por perceber que funcionalidades legais poderá ter. Ao contrário do que pode acontecer com os radares mais avançados, como os radares torreta franceses, os drones supõem uma poupança considerável.

Mobilidade sustentável e elétrica

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A mudança no tipo de mobilidade influenciará a segurança rodoviária em pleno durante a próxima década. A transição tem um caráter tão estrutural que é impossível (e muito desaconselhável) que a segurança rodoviária ignore estes fenómenos.

O sentido da mobilidade nas cidades, as plataformas de partilha de carros, o peso crescente dos ciclistas ou todos os novos detalhes que implica a mudança para o carro elétrico são apenas peças de um puzzle mais complexo. Para o entendermos, temos de assumir a resposta a uma pergunta crucial. São as «novas» vítimas da poluição vítimas do trânsito? Nesse sentido, a sociedade está mais consciente de que há muito por fazer, a começar por uma aposta numa alteração de mentalidade.

 

Fonte: CirculaSeguro.com

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